O líder socialista mostrou-se este domingo disponível para aprovar um retificativo caso o Orçamento do Estado seja chumbado, para cumprir os acordos com grupos profissionais da administração pública, e criticou a "agressividade" do Governo face ao PS..No discurso da `rentrée´ do PS, que decorreu no último dos cinco dias da Academia Socialista, em Tomar, Pedro Nuno Santos começou por dizer que "quem achava que o PS ia murchar passando para a oposição enganou-se", afirmando que o "PS está aqui pronto para o combate".."Não é possível ignorar a agressividade com que um governo absolutamente minoritário tem atacado o PS. Um Governo que devia estar concentrado no futuro do país e na resolução dos seus problemas", criticou..O líder do PS quis deixar claro que "não será pelo PS que os acordos celebrados entre o governo e os diferentes grupos profissionais da administração pública ficarão por cumprir".."No caso de o Orçamento do Estado para 2025 não ser aprovado, estaremos disponíveis para aprovar um orçamento retificativo que garanta a execução desses acordos", reiterou..Pedro Nuno Santos acusou o Governo de, "mais do que falar do futuro do país", concentrar-se em "reescrever a história dos últimos oito anos"..O secretário-geral do PS enfatizou que a atitude dos socialistas "tem sido de abertura e disponibilidade para encontrar soluções maioritárias para os problemas"..Como exemplos desta abertura, o líder do PS elencou esta questão do retificativo, o desbloqueio da eleição do presidente da Assembleia da República, a disponibilidade "para um acordo amplo para o setor da justiça" e, mais recentemente, a "abertura para viabilizar o Orçamento para 2025".."Vencer as autárquicas".O secretário-geral do PS fixou o objetivo de vencer as eleições autárquicas do próximo ano, prometendo a realização de "estados gerais" para depois do processo do Orçamento do Estado..Sob o lema "A Força do Progresso", Pedro Nuno Santos fez o discurso de `rentrée´ política numa sala cheia e com muitas pessoas de pé, em Tomar, Santarém..O secretário-geral socialista considerou que o PS "é a maior força política autárquica do país", manifestando orgulho nos autarcas e no trabalho que feito junto das populações..Num "ano de trabalho intenso para todos os socialistas", o líder do PS deixou claro qual o objetivo do seu partido: "voltar a ganhar as eleições autárquicas", ato eleitoral que se realizará em 2025..Nas anteriores autárquicas, em 2021, o PS venceu com 34% dos votos..Depois de na noite eleitoral das eleições europeias ter anunciado o lançamento de "estados gerais" para construir alternativa ao Governo, Pedro Nuno Santos estabeleceu hoje um calendário para esta iniciativa.."Logo que seja ultrapassada a discussão e votação do Orçamento do Estado, lançaremos os estados gerais que permitirão abrir o PS a novas pessoas e a novas ideias", disse..Esta iniciativa, segundo o líder socialista, vai permitir aos socialistas "estar nas empresas, nas escolas, nos hospitais, na rua a ouvir e a aprender", sendo "um primeiro passo para um partido renovado, mais próximo dos portugueses, capaz de reconquistar a sua confiança"..A "mentira" que recusa.Durante a sua intervenção, Pedro Nuno Santos recusou o que classificou como "a mentira" do Governo de Luís Montenegro sobre o país que herdou dos socialistas..Pedro Nuno Santos admitiu que o PS não resolveu todos os problemas e considerou que devia ter "ido mais longe", por exemplo, na administração pública.."É verdade, os governos do PS não resolveram todos os problemas do país. Nenhum Governo pode seriamente ambicioná-lo. Sim, alguns problemas agudizaram-se durante a nossa governação, porque a realidade é dinâmica e não cabe em `powerpoints´, algo que este governo já começou a perceber no caso da saúde, por exemplo", disse..O secretário-geral do PS afirmou não esquecer o país que o Governo então liderado por António Costa encontrou e recusa que se construa a história do atual executivo "a partir de uma mentira sobre o país que herdaram".