Os autarcas que não desistem de ser presidentes 

Uns vêm a pedido do partido resgatar câmaras perdidas, outros zangam-se e vestem a pele de independentes. E muitas vezes ganham.

Regressou, venceu e prometeu uma "nova era". E nem o desfile de ministros e as promessas anunciadas pelo candidato do PS, João Azevedo, de que Marta Temido, Ana Abrunhosa, Pedro Nuno Santos e até António Costa estavam empenhados na sua candidatura, e nas suas propostas para Viseu, chegou para derrotar o histórico autarca social-democrata.

Fernando Ruas, 72 anos, que foi presidente da Câmara de Viseu durante 24 anos (entre 1989 e 2013) - "habituado a vencer por margens folgadas, sempre venci por margens folgadas. Fui eleito seis vezes, na última com 64%" - conseguiu agora 46,68% dos votos [cinco mandatos, menos um do que em 2017] deixando o PS com quatro mandatos, mais um do que tinha.

"Nós ganhámos ao João [Azevedo], mas ganhámos também ao António, ao Costa, e não só. Não ficámos por aqui (...) e desta vez, os ministros vão aprender que têm de respeitar mais os viseenses."

E o que vai mudar? Ruas não hesitou: "Vamos começar a pedir para Viseu tudo aquilo que foi prometido[pelos ministros]. Não vou deixar que me digam que aquilo que foi prometido foi apenas para alguém [candidato do PS]."

Isaltino Morais que venceu em Oeiras as autárquicas de 1985 a 2009 e de 2017, voltou a ser reeleito presidente da Câmara de Oeiras. E desta vez com 50,86% dos votos, acima do que tinha conseguido em 2017.

"Não importa a percentagem (...) Depois de tantos anos a liderar este município, os eleitores demonstraram que não querem perder este modo de vida, querem que continuemos a inovar."

Rondão Almeida, histórico autarca do PS [cinco vezes eleito com maioria absoluta] que deixou de ser presidente em 2013 e que tentou em 2017, como independente, ser mais uma vez presidente de câmara, voltou agora em 2021 e ganhou.

"Foi feita alguma justiça. Justiça por tudo aquilo que aconteceu ao longo destes últimos anos", disse Rondão de Almeida, após ter ganho a câmara ao seu antigo partido.

"Os elvenses acabaram por fazer a comparação entre um passado de 20 anos e os oito anos mais recentes por parte dos eleitos do PS, disse.

artur.cassiano@dn.pt

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