O "voto de protesto" que deu mais de 28% ao Chega em freguesia de Elvas

Alguns eleitores no concelho de Elvas admitem ter votado no Chega como "voto de protesto" pela falta de condições e de segurança.

O "voto de protesto" pela falta de condições para fixar jovens e a insegurança são apontados para o crescimento do Chega no concelho raiano de Elvas, onde na freguesia de São Vicente e Ventosa alcançou mais de 28%.

Ana Maria, que abriu recentemente um negócio na freguesia rural de São Vicente e Ventosa, em Elvas, não esconde à agência Lusa que votou no Chega nas eleições legislativas de domingo, sublinhando que "nenhum" dos governantes, até aos dias de hoje, "pensou" nas populações, e que André Ventura "é o único" político no país que a fez "arrepiar".

O partido Chega conquistou nas legislativas de domingo o segundo lugar em cinco das sete freguesias do concelho de Elvas, tendo na freguesia de São Vicente e Ventosa, por exemplo, conquistado 28,28% dos votos (97 votos).

Nesta freguesia, com 630 eleitores, votaram no domingo 343 pessoas (55,32%), tendo o PS saído vencedor do ato eleitoral com 143 votos (47,52%).

Em relação às legislativas de 2019, o partido de André Ventura mais do que duplicou a sua votação naquela freguesia rural, uma vez que nessa altura recolheu 40 votos, tendo também conquistado o segundo lugar nessa noite eleitoral.

Nas eleições presidenciais de 2021, o líder do Chega André Ventura foi o mais votado na freguesia de São Vicente e Ventosa, com 113 votos (42,48%), vencendo desta forma Marcelo Rebelo de Sousa que recolheu 110 votos (41,35%).

Para Ana Maria, nas eleições legislativas, "reinou" na aldeia o "voto de protesto" a favor do partido de André Ventura, pessoa que admira pela sua "frontalidade" perante os portugueses.

"Sim, não tenho medo de dizer que votei para ele [Chega], votei sim. Votei porque para mim chega de muita coisa, desde a corrupção à saúde, à educação e porque sou portuguesa, 100%. Eu penso que o doutor André Ventura é dos primeiros que são portugueses a 100%, os outros não devem ser muito", lamentou.

Rui Escarameia reside há 45 anos em São Vicente e Ventosa e, em declarações à Lusa, considera que o partido de André Ventura alcançou uma votação expressiva porque as pessoas querem que "mude alguma coisa para melhor" na região.

De acordo com este homem, que se dedica aos trabalhos no campo, apesar do Chega conquistar eleitorado, esse tema de conversa não tem entrado nos cafés da aldeia, por causa da pandemia de covid-19.

"As pessoas não se juntam como se juntavam há dois anos atrás", lamentou.

Em declarações à Lusa, Cármen Caeiro, que reside em Elvas e é militante do Chega, a população daquele concelho vota no partido de André Ventura porque "não existem condições para a fixação de jovens" e porque "há falta de segurança" na região.

"É uma população com medo, as autoridades não têm força nenhuma e não têm nenhum apoio para fazer com que a população se sinta segura e que tenha o acompanhamento necessário", lamentou.

Cármen Caeiro acrescentou ainda que as questões das etnias "não podem ser generalizadas", alertando, no entanto, que "todos temos diretos, mas todos temos deveres" perante a sociedade.

"O descontentamento da população passa por aí, por sentir que há um desequilíbrio em questão de deveres, em questão de obrigações, em questão de saber que todos temos direitos iguais e que a aplicação dos deveres acaba por não passar para todos", sublinhou.

O PS alcançou a maioria absoluta nas legislativas de domingo e uma vantagem superior a 13 pontos percentuais sobre o PSD, numa eleição que consagrou o Chega como a terceira força política do parlamento.

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