O que era “um conjunto de medidas que o PS entende serem importantes para melhorar” o Orçamento do Estado para 2025, no lugar das propostas do Governo para o IRS Jovem, e que foram entregues em mão, a 27 de setembro, por Pedro Nuno Santos a Luís Montenegro, são agora “três prioridades” que Alexandra Leitão nota como “ausentes”na proposta de OE2025 entregue esta quinta-feira por Miranda Sarmento. .A líder parlamentar socialista, que não classifica a “total ausência das três prioridades do PS” como novas “linhas vermelhas”, repetiu a ideia do secretário-geral, esta quinta-feira anunciada em entrevista à TVI, de que “a partir daqui vamos analisar e decidir a seu tempo”..Pedro Nuno Santos já tinha deixado o aviso de que “aquilo que nos distancia [do Governo] é muito mais que as duas linhas vermelhas” - o IRC e o IRS Jovem..E como “infelizmente o Governo não aceitou recuar nessas linhas vermelhas”, o secretário-geral socialista deixou claro que a implicação é o PS partir “para o processo orçamental de outra forma”..O que falta então? O aumento extra das pensões mais baixas, o Fundo para a habitação para a classe média e alojamento estudantil e a exclusividade “voluntária e bem remunerada” para médicos do SNS. .O que pediu o PS? “Uma dotação orçamental anual, de 500 milhões de euros, para investimento público, exclusivamente destinada à construção e reabilitação de novas habitações para a classe média, nomeadamente jovens, e de residências estudantis. Da mesma forma que o IRS Jovem seria uma medida permanente, esta dotação deve ser repetida por, pelo menos, dez anos, até perfazer um investimento total de 5 mil milhões de euros em novas casas e residências universitárias”; um “aumento extraordinário de pensões de 1,25 pontos percentuais até ao valor correspondente a três vezes o Indexante de Apoios Sociais (IAS), abrangendo pensões até aproximadamente 1565 euros, a acrescentar ao aumento que decorrerá da aplicação da lei de atualização das pensões”; e “um regime de exclusividade no SNS, de adesão voluntária, que seja suficientemente generoso, de forma a reter e atrair profissionais para o SNS”..Para além destes “pontos negativos”, que insistiu “não são linhas vermelhas”, Alexandra Leitão acredita que o Governo prevê neste Orçamento “uma vaga de privatizações” - apesar de não ver referida a palavra - e, à semelhança das criticas feitas pelo Bloco de Esquerda, também acusa a AD de estar a fazer uma “transferência direta do Serviço Nacional de Saúde para os privados” - através da majoração fiscal para as empresas que paguem seguros de saúde aos trabalhadores..Sobre apelo à responsabilidade aos partidos da oposição feito pelo ministro das Finanças, a líder parlamentar socialista diz ser “bastante desnecessário para o PS”. A explicação está na “governação responsável orçamental” dos governos de Costa e na garantia de que o PS “não porá esse equilíbrio em causa”. .Mentiras e traições.A frase foi seca: “O primeiro-ministro mentiu.” André Ventura assegurou, na entrevista à TVI, que Luís Montenegro, numa reunião a 23 de setembro, lhe “propôs um acordo” para o Orçamento e que “estava disposto a que, mais para a frente, o Chega viesse a integrar o Governo”. .Luís Montenegro reagiu, de forma quase imediata, na rede X, acusando Ventura de mentir..“Nunca o Governo propôs um acordo ao Chega. O que acaba de ser dito pelo presidente desse partido é simplesmente MENTIRA. É grave, mas não passa de mentira e desespero”, escreveu o primeiro-ministro. .À tarde, minutos depois da entrega do OE, e sem saber o que continham as 469 páginas, Ventura alegou que não era “o momento” para esclarecer qual era o sentido de voto do partido argumentando que tomará uma decisão depois de consultar a Direção Nacional..A 10 de setembro, tinha garantido que o voto contra o OE2025 seria “irrevogável” e há 13 dias, em entrevista à SIC Notícias, foi ainda mais claro: “Asseguro. O Chega vai votar contra este Orçamento.” E até disse que podiam repetir, “as vezes que quisessem”, aquela “certeza”. .Há dois dias, garantiu que o Chega tudo fará para “evitar uma crise política”. Esta quinta-feira, desafiou Montenegro a “refazer alguns itens importantíssimos” do Orçamento avisando que caso isso não aconteça “então não haverá mesmo outra alternativa senão o PS viabilizar este orçamento”. .E a explicação está no argumento de que Montenegro cedeu de forma “impressionante e inqualificável” ao PS sobre o IRC e o IRS Jovem - atitude que classifica de “uma traição à direita”..A meio da tarde, Ventura escreveu a Montenegro enumerando as condições que podem dar o voto favorável dos 50 deputados do Chega, relativas a descidas de impostos, aumentos de remunerações de funcionários públicos e combate à corrupção e “imigração descontrolada”. .O “mau” e a “deceção”.“Será que o PSD da campanha eleitoral votaria este Orçamento?”, questionou Rui Rocha..Reafirmando que a IL “não votará a favor”, Rui Rocha anunciou que a decisão “definitiva vai ser discutida com os órgãos do partido”. .Para o PCP, esta é uma “proposta do Governo que prossegue uma política de degradação dos serviços públicos, de novas privatizações, assente em baixos salários e baixas reformas” e dá “continuidade às opções por parte da maioria absoluta do PS”..“É um mau Orçamento”, diz o BE, que vê um OE marcado pelo que “não existe”: habitação, a saúde e a política fiscal..Para o PAN, este OE representa “um retrocesso em matérias ambientais e de proteção animal” em relação ao que foi aprovado na Assembleia da República ao longo dos últimos oito anos. .Rui Tavares, do Livre, destacou uma “diferença fundamental” entre o seu partido e a Aliança Democrática: “Pretendem [o Governo] aliviar a carga fiscal de quem é mais beneficiado”..Para PSD e CDS,a conclusão é óbvia: o Orçamento de Estado para o próximo ano “é bom”.