Nova e ISCTE são as universidades dos ministros

Maioria dos ministros do Governo estudou no ISCTE ou na Nova. Quase todos lecionaram, também, no ensino superior.

A Economia, o Direito e a Sociologia são as principais áreas de formação dos ministros do novo governo. Dos 17 governantes que tomaram posse na passada quarta-feira, e deixando o primeiro-ministro fora das contas, há ainda dois professores catedráticos, um engenheiro, uma bioquímica, um diplomata e uma administradora.

Uma breve análise feita aos perfis de formação dos ministros do governo que agora inicia funções revela também que o ISCTE-IUL é universidade que mais governantes dá: cinco em 17. As ministras Mariana Vieira da Silva (Presidência), Helena Carreiras (Defesa), Ana Catarina Mendes (Adjunta e da Administração Interna) e os ministros Pedro Adão e Silva (Cultura) e Duarte Cordeiro (Ambiente e Ação Climática) têm ligações à universidade lisboeta. Os cinco estudaram nessa universidade. E, em dois casos (Defesa e Cultura), os agora ministros lecionaram no ISCTE até tomarem posse.

A Universidade Nova de Lisboa é outra instituição a ter ligações a alguns ministros. Elvira Fortunato (Ciência, Tecnologia e Ensino Superior), João Costa (Educação) e Marta Temido (Saúde) têm, de diferentes formas, ligações à universidade. Se Marta Temido fez o seu doutoramento em Saúde Internacional no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, o agora ministro da Educação (antes secretário de Estado) foi diretor da Faculdade de Ciências Sociais Humanas (FCSH) até 2015, onde é professor catedrático. Outra das caras novas a assumir uma pasta ministerial é a cientista Elvira Fortunato. Até assumir funções no Executivo, a ministra era vice-reitora da Universidade Nova de Lisboa e lecionava na Faculdade de Ciências e Tecnologias, onde se licenciou e doutorou na área da Engenharia de Materiais.

Ainda no que toca a universidades, as faculdades de Direito de Coimbra e de Lisboa também marcam presença na formação dos ministros do governo. As ministras Ana Catarina Mendes (Adjunta e dos Assuntos Parlamentares) e Ana Mendes Godinho (Trabalho, Solidariedade e Segurança Social) licenciaram-se na Faculdade de Direito de Lisboa, com a ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro a formar-se na Faculdade de Direito de Coimbra, tal como Marta Temido (que se doutorou na Nova, apesar de se ter licenciado em Coimbra).

Várias origens profissionais

Se as universidades são mais ou menos consensuais no conjunto dos 17 ministros que agora tomaram posse, os percursos profissionais são mais dispersos. Ainda que praticamente todos os ministros do novo executivo já tenha dado aulas em universidades portugueses ou estrangeiras, há também quem tenha trabalhado em empresas do setor petrolífero ou da família.

Exemplo disso é António Costa Silva, ministro da Economia e do Mar, que foi presidente da Partex de 2003 até 2021, altura em que a empresa foi dissolvida. O engenheiro, considerado o pai do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), deu também aulas no Instituto Superior Técnico, faculdade onde se licenciou em Engenharia de Minas.

Outro exemplo é o de Pedro Nuno Santos (ministro das Infraestruturas e Habitação) que, em 2001, acabou por desenvolver, no Centro de Estudos sobre Economia Portuguesa (CISEP), atividade na área da economia da saúde. Ao mesmo tempo, trabalhava no grupo empresarial da família, a Tecmacal, onde se manteve durante alguns anos.

Em sentido contrário em termos de experiência profissional está Fernando Medina, ministro das Finanças, que só exerceu casos políticos. Formado em Economia e mestre em Sociologia Económica, foi, até entrar para o Governo, presidente e vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, secretário de Estado do Emprego (entre 2005 e 2009) e da Indústria (entre 2009 e 2011), esteve como assessor para os Assuntos Económicos no governo de Guterres e é quadro da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

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