Morreu Narana Coissoró, antigo líder parlamentar do CDS
Morreu Narana Coissoró, histórico do CDS, aos 94 anos. "Distinguiu-se permanentemente pelo rigor do pensamento, pela força da palavra, pela firmeza nos valores e nas convicções e pela defesa corajosa de causas", elogia o partido nas redes sociais.
Narana Coissoró, que, lembra o partido, "dedicou uma parte maior da sua vida à causa pública, ao ensino universitário, ao Direito, à Justiça e ao CDS", foi líder da bancada parlamentar do CDS entre 1978 e 1991 e vice-presidente da AR entre 1999 e 2005.
Foi o líder parlamentar centrista nos tempos do "partido do táxi", com quatro (1987-1991) e cinco deputados (1991-1995), durante as maiorias absolutas de Cavaco Silva, ao lado de Adriano Moreira e Nogueira de Brito.
Como líder parlamentar, Narana foi um dos protagonistas da moção de censura do CDS ao governo de Cavaco Silva, a 21/10/1994, chumbada pelos deputados do PSD e com votos favoráveis de todas as outras bancadas.
"A vida do professor Narana Coissoró confundiu-se também com alguns do momentos mais relevantes e marcantes da história do próprio CDS. Foi protagonista de muitos combates ao serviço da dignidade da pessoa humana, da democracia e da liberdade, não raras vezes em momentos particularmente difíceis, ajudando a afirmar a democracia-cristã em Portugal", diz o partido, acrescentando que este "deixa um legado que permanecerá bem vincado".
Em 2023, a 26 de março, Narana Coissoró regressou à Assembleia da República, bastante debilitado, para a cerimónia do regresso do CDS ao Parlamento, marcada pela colocação de uma placa.
O atual líder do CDS, Nuno Melo, recorda que teve o privilégio de partilhar vida política com Narana Coissoró.
"Acolheu-me e aconselhou-me quando eleito Deputado à Assembleia da República no início do ano 2000, acompanhou-me quando desempenhei funções de Líder Parlamentar a partir de 2004, apoiou-me em todas as batalhas, até à liderança do CDS, esteve do meu lado quando em 2024 voltamos a colocar na Assembleia da República a placa do Grupo Parlamentar temporariamente recolhida e tive o imenso gosto de o homenagear, perante uma grande plateia de simpatizantes, militantes e dirigentes que o aplaudiram de pé, na sede história do Partido, no Largo do Caldas, em Lisboa", diz, no Facebook.
"Deixa uma saudade profunda, mas também um exemplo de vida e um legado que permanecerá bem vincado no Ensino, na Justiça, no CDS-PP e na história recente de Portugal", acrescenta Nuno Melo.
Já Paulo Portas, que liderou o CDS entre 2007 e 2016, recordou Narana Coissoró como “um parlamentar de exceção e um grande político”. "Recordarei sempre a sua amizade e o seu talento, de que tive inúmeras provas”, referiu Paulo Portas, numa declaração enviada à Lusa.
Portas salientou que Narana Coissoró integrou “um grupo parlamentar do CDS-PP inesquecível - apenas com quatro deputados e todos brilhantes, garantindo a sobrevivência do partido a que foi sempre leal”.
“Recordo as suas intervenções cheias de conhecimento histórico, instinto político e reconhecido humor; andava de Comissão Parlamentar em Comissão Parlamentar para que a voz da democracia cristã não deixasse de se ouvir”, lembrou, acrescentando que Coissorá "sempre praticou a disposição e a arte para o acordo e o compromisso, apesar das diferenças entre as forças politicas”.
Referindo saber que "partiu em paz", Paulo Portas realçou que Narana Coissoró foi "um dos exemplos marcantes do Portugal mais universal, sempre contra quaisquer discriminações baseadas na identidade, origem, cultura ou fé”.
"Foi um deputado de grande categoria política e humana, muito combativo, e um grande amigo também. Agora, descansa em paz, perante a admiração de muitos e a inapagável estima dos amigos", reagiu José Ribeiro e Castro, que presidiu ao CDS entre 2005 e 2007, no Facebook.
Também nesta rede social, José Luís Carneiro, líder do PS, disse que conheceu Narana Coissoró quando estudava para fazer o Mestrado em Estudos Africanos no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. "Apesar das nossas diferenças políticas, todos tínhamos grande respeito pelo seu trabalho enquanto professor e enquanto político democrata-cristão com apego às instituições democráticas", escreve.
Nascido em Goa, em 3 de outubro de 1931, Narana Coissoró licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra.
