Luís Montenegro anunciou em entrevista ao Jornal da Noite da SIC que Pinto Moreira vai renunciar ainda esta quinta-feira ao cargo de vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, por estar a ser investigado no âmbito da operação Vórtex.."O deputado Pinto Moreira vai renunciar hoje mesmo à sua posição de vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, não por ter uma imputação sobre ele, mas porque passadas 60 horas da diligência das autoridades judiciárias na qual não levaram nenhum documento a não ser o telefone ou o computador sem ser pedido levantamento da imunidade parlamentar, não podemos ficar eternamente à espera. Isto foi combinado entre mim e ele na terça-feira. Há uma dimensão política que não vamos escamotear", afirmou o líder social-democrata..Montenegro considerou ainda que "do ponto de vista legal e ético não tem problema" a sociedade de advogados da qual detinha 50% do capital social (antes de se tornar líder do PSD) ter prestado serviços jurídicos aos municípios de Espinho e Vagos em ajustes diretos numa altura em que Pinto Moreira era autarca em Espinho. "Falamos de serviços jurídicos qualificados. E os presidentes de Câmara têm qualidade política, ganharam com maiorias absolutas. Não ponho os meus critérios éticos em causa. Estou disponível para que se investiguem os contratos", acrescentou, recordando que nem foi ele que escolheu Pinto Moreira para deputado..Questionado sobre se estas polémicas beneficiam o Chega, Montenegro considera que estas prejudicam "a credibilidade da atividade política e para o país"..O presidente do PSD considera que a apresentação do mecanismo de escrutínio apresentado pelo Governo por parte de Mariana Vieira da Silva "foi um ato de verdadeiro inconseguimento". "O que vieram dizer são coisas óbvias. É uma tentativa por parte do primeiro-ministro de se desresponsabilizar de uma responsabilidade inteiramente sua", afirmou, ainda que admitindo que esse mecanismo possa estar em vigor num eventual governo do PSD. "Temos em cima da mesa a criação de uma comissão de ética dentro do partido", acrescentou.."Estou disponível para falar com o primeiro-ministro sobre o país. Não para o desresponsabilizar. A ideia inicial dele era criar um circuito entre a nomeação dele e a aprovação do Presidente da República. Isto está gravado. Foi algo em cima do joelho durante o debate na Assembleia da República", prosseguiu, sobre o mesmo assunto..Montenegro considerou que não viu "nenhuma pronúncia de especial" no seio do partido pela decisão de o PSD se abster na moção de censura apresentada pela Iniciativa Liberal na Assembleia da República. "Para defender a queda do Governo terá de haver uma ingovernabilidade reparável e interesse no país para que se realizassem eleições. O que querem dos políticos não são eleições mas sim como pagar as contas. Estou a preparar o PSD para termos um ciclo virtuoso em Portugal. Temos uma crise demográfica irreparável. Se não fizermos nada, vamos ser menos dois milhões", afirmou, assegurando que vai propor um "programa de atração de imigrantes em áreas que nos fazem falta"..O líder social-democrata diz que valoriza as sondagens e que a tendência das sondagens o satisfaz, embora "não o suficiente". "O PSD vem a subir lentamente, gradualmente, mas consistentemente. Só quero ganhar uma sondagem. A do dia das eleições, quando for preciso", frisou, afirmando que "gostava de ir a eleições com António Costa" para poder debater com o atual primeiro-ministro..Montenegro voltou a defender que o Estado nunca deveria ter renacionalizado a TAP. "O caso da TAP é um crime político e financeiro. A administração da TAP não tem condições para continuar. É flagrante para passar à margem do ministro", defendeu..O presidente do PSD garante que tem sentido o apoio do partido. "Não me posso queixar de falta de colaboração. Se alguém quiser concorrer comigo, marco eleições. Quero ser o presidente que os militantes querem. Eu não ando aqui a brincar à política", assegurou, não se sentindo fragilizado pelo crescimento do Chega..Sobre as linhas vermelhas em relação ao Chega, avançou que vai concorrer coligado com o CDS-PP nas eleições regionais da Madeira, mas não quis desvendar que fórmula será utilizada nos Açores. "Estou focado em fazer oposição ao PS", limitou-se a dizer, remetendo mais explicações para quando esse sufrágio se aproximar..Acerca da economia, Montenegro diz que a narrativa de o "Governo dizer que convergimos com a Europa é treta" e defendeu que o "Governo devia ter usado folga orçamental de 2022"..O líder do PSD afirmou que ainda não escolheu o cabeça de lista às eleições europeias, agendadas para o próximo ano, e que "se o resultado for assim tão mau" até admite não continuar, mas mostrou confiança: "Estou convicto de que o PSD vai ganhar as europeias"..Montenegro garantiu ainda ter uma grande relação com Carlos Moedas, apontado como seu possível sucessor, e disse ter a expectativa que Moedas "vai continuar a ser um grande presidente da Câmara Municipal de Lisboa"..Sobre outro grande nome do PSD, Montenegro disse que Passos Coelho "tem uma capacidade única" e que será um "exímio professor universitário", que tem "condições para cargos internacionais".