Lisboa. Moedas dramatiza e faz apelo ao voto útil

Os candidatos dos vários partidos à Câmara Municipal de Lisboa estão esta noite a disputar argumentos num debate na RTP 1

"Não foi pelo PS que a plataforma Mais Lisboa [do PS] não foi mais abrangente."

Esta noite, num debate na RTP 1, o (re)candidato do PS à Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, que tenta agora um novo mandato na presidência da autarquia, responsabilizou os partidos à esquerda do PS pela impossibilidade de uma coligação pré eleitoral.

"Havia margens de convergência importantes", disse ainda Medina, dizendo ainda que, agora, quanto ao futuro, a geometria do poder na autarquia será determinada pela co relação de forças entre os vários partidos que for determinada nas eleições de 26 de setembro.

Seja como for, Medina salientou que, seja qual for a solução, a estabilidade será um princípio orientador da governação na cidade: "Já dei mostras de conseguir encontrar uma solução estável", disse, referindo-se ao entendimento nos últimos quatro anos na cidade entre o PS e o Bloco de Esquerda. Essa foi, segundo disse, "uma boa governação". Mas - acrescentou - "houve abrangências para lá" das obtidas entre socialistas e bloquistas.

Neste aspeto, a candidata do BE, Beatriz Gomes Dias, diria que os bloquistas estão "orgulhosos" do que fizeram - mas tudo depende agora, na eventual renovação deste acordo, de o PS voltar a não ter maioria absoluta.

Insistentemente questionado pelo moderador do debate, o jornalista António José Teixeira, o candidato da CDU, João Ferreira, escusou-se a dizer se está disposto ou não a acordos pós eleitorais com Medina - embora não excluindo esse cenário. Ferreira preferiu salientar a "visão alternativa" que a CDU oferece.

Já o candidato do PSD, Carlos Moedas, afirmou-se convicto de que está "cada vez mais perto de ultrapassar Medina", sendo que "é visível na rua o cansaço com uma governação [do PS] que já tem 14 anos".

Bruno Horta Soares, da Iniciativa Liberal, insistiu na ideia de forte redução da carga fiscal sobre os lisboetas.

A única candidata independente à autarquia, Ossanda Líber, apostou, por seu turno, na sua primeira intervenção, em salientar que como a sua candidatura "não tem ligações partidárias" é a única que verdadeiramente só está centrada no "interesse dos lisboetas".

Tiago Matos Gomes, do Volt (um novo partido que é uma extensão nacional de um partido europeu), introduziu novos temas no debate, falando dos riscos sísmicos da cidade e defendendo a urgência de simulacros.

Também propôs rede wifi em toda a cidade, uma creche por bairro, seguir os exemplos de Copenhaga na rede de ciclovias. Politicamente, prometeu que o Volt será na vereação a oposição que até agora, no seu entender, Medina não tem tido. Também falou da necessidade de preparar a cidade para as alterações climáticas em curso, arborizando mais e acabando com o aeroporto da Portela, construindo no seu lugar um parque verde. A ideia de aumentar a superfície arbórea da cidade foi comum a outros candidatos - por exemplo João Ferreira, da CDU.

Numa segunda intervenção, Carlos Moedas (PSD) explicaria uma das suas principais propostas: eliminar a barreira entre a cidade e o Tejo constituída pela linha da CP entre Algés e o Cais do Sodré. No seu entender, ou se rebaixa esta linha - mas isso "é muito caro" - ou então substituiu-se esta linha por elétricos rápidos de superfície.

Quanto à questão das ciclovias - um tema importante em Lisboa -, Moedas exigiu a necessidade urgente de uma auditoria imediata do Laboratório de Engenharia Civil à rede em Lisboa, denunciando de permeio vários erros de construção.

João Patrocínio, do PNR, ao invés, desprezou a questão das ciclovias, enfatizando antes a importância de se apostar na Carris, nomeadamente melhorando a gestão da empresa: "É preciso moralizar o funcionamento destas empresas."

Bruno Fialho, do PDR, defenderia uma medida categórica: acabar com as ciclovias feitas nos últimos anos.

Outro candidato da direita, Nuno Graciano, do Chega, diria não ser contra a existência de ciclovias mas sim "contra estas ciclovias" - "ciclovazias", segundo disse.

Já João Ferreira, da CDU, preferiu salientar a importância de organizar a mobilidade em Lisboa ao nível metropolitano (de Lisboa com todos os concelhos em redor) visando "impedir" a entrada na cidade de milhares de carros todos os dias.

Manuela Gonzaga, do PAN, criticou o facto de os transportes públicos em Lisboa ignorarem as necessidades das pessoas deficientes. Também denunciou o "desligamento" entre as várias empresas do setor do transporte.

Beatriz Gomes Dias, do BE, apostou na ideia de investimento "robusto" na rede de transportes públicos - passando a serem gratuitos para todos os seus utilizadores. Esta ideia mereceria a oposição frontal do candidato da Iniciativa Liberal, Bruno Horta Soares: "Serviços gratuitos não são viáveis."

Na segunda parte do debate, as alterações climáticas foram o tema de abertura. Sofia Afonso Ferreira, candidata do Nós Cidadãos, defenderia que o terminal de cruzeiros da Praça do Comércio é um forte fator de poluição na cidade. Considerou, por isso, que tem de diminuir a entrada de cruzeiros em Lisboa. Nesta questão, Beatriz Gomes Dias, do BE, advogaria outra prioridade: diminuir "fortemente" o trânsito automóvel na cidade.

Carlos Moedas aproveitaria esta questão para acusar Fernando Medina de "impor soluções" de forma autoritária - ou seja, "sem falar com as pessoas". "A solução que eu represento é a de construir soluções com as pessoas", afirmou. No seu entender é assim impossível determinar para alguns bairros restrições totais na circulação automóvel.

Outro candidato, João Patrocínio, do Ergue-te, adotaria uma atitude negacionista dizendo que a questão das alterações climáticas é apenas "uma moda".

Outro tema do debate foi o turismo. Fernando Medina reiterou a sua proposta de não permitir mais alojamento local em Lisboa. Contudo, isto não implica que o turismo não seja "muito importante", nomeadamente para a criação de emprego. Num tema que conjuga turismo e poluição, o presidente recandidato reconheceria o terminal de cruzeiros como fonte de problemas, defendendo que os paquetes devem passar a ter fornecimento de eletricidade a partir de terra.

No final, o moderador concedeu um minuto a cada candidato para expor uma medida prioritária a implementar já na autarquia.

Sofia Afonso Ferreira ("Nós Cidadãos") defendeu a urgência de se criar um Portal da Transparência que permitisse maior fiscalização da ação camarária.

João Patrocínio, do Ergue-te, afirmou que a sua prioridade seria saber o que cada um faz na autarquia, nomeadamente os assessores nomeados.

Ossanda Líber, candidata independente, preferiu sublinhar a importância de se atacar imediatamente o problema da habitação, nomeadamente com a requalificação dos bairros municipais.

Já Bruno Fialho, do PDR, assegurou que a sua primeira medida seria "limpar a CML de cima abaixo, nos boys".

"Não me sentar no gabinete. Continuar a ouvir os lisboetas. E há assessores a mais, há serviços a mais, há tachos a mais, há PS, PCP e BE a mais na CML" - diria por seu turno o candidato do Chega, Nuno Graciano.

Bruno Horta Soares, da Iniciativa Liberal, insistiu por sua vez na prioridade de se reduzir a carga fiscal dos lisboetas.

Manuela Gonzaga, do PAN, pôs o assento tónico na necessidade de se criar imediatamente um gabinete de crise para saber quem está com ordens de despejo.

"Reunir com os trabalhadores e serviços" da câmara seria a primeira medida do candidato da CDU, João Ferreira.

A seguir ao candidato da CDU, a candidata do BE, Beatriz Gomes Dias, salientou a importância de dar atenção prioritária ao problema da habitação.

"Os mais velhos, os mais desfavorecidos e os mais jovens." Estes seriam os alvos primeiros da ação de Carlos Moedas, o candidato do PSD (coligado com o CDS). Moedas aproveitaria ainda a sua intervenção final para sublinhar a importância do voto útil: Lisboa tem "muitos candidatos" mas ele é "o único" que pode derrotar Fernando Medina.

Este, a fechar o debate, explicou que o seu sonho para o início do próximo mandato seria poder dar por fechada a pandemia covid-19, encerrando portanto os centros de vacinação erguidos na cidade.

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