Marcelo tranquilo: OE2022 "passa, passa, vai passar" 

O Presidente da República falou esta noite à RTP sobre os temas que estão a marcar a atualidade. Mas também sobre a estabilidade política no curto e médio prazo.

No curto prazo, o Presidente da República está tranquilo. Não se perspetiva um problema na estabilidade política. O próximo Orçamento do Estado (é sua convicção) será aprovado: "Passa, passa, vai passar", disse ontem, entrevistado na RTP. E a maioria que o aprovará será ou igual à que aprovou o OE em vigor (votos a favor do PS com abstenção viabilizante do PCP, apesar dos votos contra do BE) ou algo de "similar".

A frase foi assim: "Estou convencido que o Orçamento do Estado passa com uma base similar ao do ano passado."

"Legislatura até ao fim"

Portanto: este não é um problema, para o chefe do Estado, no curto prazo. Sendo que, no seu entender, há uma garantia pelo meio: o próximo OE, como todos os anteriores desde que António Costa é primeiro-ministro, será negociado à esquerda. Está fora de causa qualquer entendimento PS-PSD.

Porém, em 2022, depois das autárquicas (no próximo outono), pode ser que aconteçam mudanças nas lideranças partidárias, nomeadamente à direita, começando pela do PSD. É que - disse - podem existir, por causa das autárquicas, "tropeções pelo meio". Algumas forças políticas "farão um balanço" depois das autárquicas. E no PSD, por causa disso, terá de haver uma "decisão essencial" - "quem será o futuro candidato" a primeiro-ministro em 2023, seja "o atual líder ou não". Para já, o "plausível" é que seja Rui Rio. E há uma certeza: as pessoas "não querem brincar em serviço, querem a legislatura até ao fim e querem que o Governo vá governando melhor".

"Houve uma certa hesitação"

O começo da entrevista foi sobre os festejos descontrolados em Lisboa da vitória do Sporting no campeonato de futebol. Marcelo Rebelo de Sousa escusou-se explicitamente a pedir a cabeça do ministro da Administração Interna. Disse: "Não sei se foi tratado ao nível do MAI [o planeamento preventivo]". E até acrescentou que era "evidente" que "os diques iam romper" porque" o clima é mais liberto, porventura excessivamente liberto", e "as pessoas sentem-se mais à vontade".

Enfim: Cabrita é uma responsabilidade do primeiro-ministro, é ele que "será politicamente avaliado por isso". Quanto ao resto: "Depois de ter ouvido todos os que participaram, houve o seguinte: uma certa hesitação, depois como intervir - e essa preocupação era comum, às forças de segurança e do Sporting."

Remodelação? Já, não

Assim, no seu entender - enquanto analista político experiente - a expetativa é que eventuais remodelações governamentais só acontecerão depois das próximas eleições autárquicas.

"A experiência mostra o seguinte: estamos a metade da legislatura. É um ano eleitoral. A experiência mostra que os primeiros-ministros fazem avaliações. As autárquicas são uma espécie de subciclo dentro de um ciclo mais vasto que são as legislaturas e o que tem acontecido, e aconteceu na legislatura anterior, é que os primeiros-ministros sentem necessidade de refrescar a composição do Governo", afirmou. Quanto à dimensão dessa remodelação não alvitrou porém palpites: "já houve de tudo: remodelações amplas, restritas, pontuais."

"Justiça muito lenta"

As questões da justiça foram também tema da entrevista. O PR voltou a expressar as suas reservas quanto à eficácia dos mega processos. E para além disso, a "justiça continua muito lenta" nos casos de corrupção mediáticos e além do mais "há um problema de comunicação na justiça". Lado bom: "o mundo político está motivado para o combate à corrupção".

Quanto a Odemira, o Presidente foi igualmente claro: "Precisamos dos imigrantes economicamente" e isto acontece precisamente porque há "trabalhos que os portugueses não aceitam fazer".

joao.p.henriques@dn.pt

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