Marcelo quer mais testes e vacinação. Desconfinamento só após a Páscoa

Parlamento aprovou mais uma renovação quinzenal do estado de emergência. Depois o Presidente da República leu mensagem ao País onde avisou que o confinamento geral irá durar pelo menos mais um mês.

Prosseguir o confinamento geral até à Páscoa (4 de abril). E só depois, gradualmente, desconfinar, começando eventualmente pelas escolas - e tudo sempre acompanhado de mais vacinação e de mais testagem. E ir também planeando - mas na certeza de que planear o desconfinamento não é desconfinar: "Nunca se confunda planear com desconfinar."

Em síntese, foi este o teor da mensagem ao país, quinta-feira à noite, do Presidente da República, mensagem que se seguiu a mais uma aprovação no Parlamento de mais 15 dias de estado de emergência (agora até 16 de março).

"Planear o futuro é essencial, mas desconfinar a correr por causa dos números destes dias será tão tentador como leviano, até porque sabemos que os números sobem sempre mais depressa do que descem", afirmou o Presidente.

Portanto, "a Páscoa é um tempo arriscado para mensagens confusas ou contraditórias, como, por exemplo, a de abrir sem critério antes da Páscoa, para nela fechar logo a seguir, para voltar a abrir depois dela". Se assim fosse, "quem é que levaria a sério o rigor pascal? É, pois, uma questão de prudência e de segurança manter a Páscoa como marco essencial para a estratégia em curso". Sendo certo que "desconfinar seria sedutor", existe, no entanto, "o outro prato na balança: números totais de internados e de internados nos cuidados intensivos ainda elevados", "razões que nos fazem pensar duas vezes".

Até porque - salientou mais do que uma vez - a vacinação ainda está a evoluir lentamente e a testagem também desacelerou: "Com a dupla segurança de vacinas e testes, seria mais fácil desconfinar."

Marcelo fez questão de recordar que Portugal teve os piores números do mundo há apenas um mês, e que só passaram três semanas desde que filas de ambulâncias se acumulavam nas urgências dos hospitais. E para já os números relativos aos internamentos em cuidados intensivos ainda são "mais do dobro" do que é recomendado para "evitar riscos".

Ao mesmo tempo, o Presidente empenhou-se em assegurar que a sua coabitação com o governo continua a decorrer sem mácula. Falou mesmo em "coabitação estratégica" - uma expressão nova no léxico presidencial - e envolveu nela também a Assembleia da República - mas não sem reafirmar que "o Presidente da República é, pela natureza das coisas, o principal responsável".

Seja como for, sugeriu critérios de desconfinamento: "Decidir em consciência é fundar-se em critérios objetivos e claros, como são os de indicadores da gravidade da pandemia, da pressão nas estruturas de saúde, da vacinação, da testagem, do rastreio, e deve ter presentes os sinais certos a dar aos portugueses." E ainda que "que se estude e prepare com tempo e bem o dia seguinte, mas que se escolha melhor ainda esse dia, sem precipitações, para não repetir o que já se conheceu".

No Parlamento, uma maioria formada por PS, PSD, CDS e PAN, a que se juntou a deputada não inscrita Cristina Rodrigues (ex-PAN), voltou esta quinta-feira a aprovar o novo decreto do estado de emergência. O BE voltou a abster-se e PCP, PEV, Chega, Iniciativa Liberal e a deputada não inscrita Joacine Katar Moreira mantiveram o voto contra.

O tema principal do debate que antecedeu a votação foi, como já se previa, a exigência ao governo de que comece a preparar um plano para o desconfinamento. Pela voz de André Coelho Lima, o PSD voltou a sugerir ao governo um caminho: que faça um "plano seguro, isto é, indexado aos indicadores sugeridos pelos técnicos", ou seja, "um plano que cruze os números considerados seguros em termos de novas infeções, internamentos em cuidados intensivos e do R(t) [índice de transmissão], com os números de vacinação e de testagem"

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