Marcelo faz apelo à urgência da paz numa conferência em Angola

A mensagem do Presidente da República foi dirigida aos representantes da União Africana e das Nações Unidas.

O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa reafirmou este sábado que "é urgente a paz" e apresentou a solidariedade e o compromisso de Portugal em trabalhar para alcançar este objetivo, apontando para a juventude como elemento-chave para obter uma paz verdadeira.

"A paz exige uma cultura de paz. A cultura de paz é feita de património material e imaterial. É feita de liberdade, é feita de igualdade, é feita de solidariedade", disse Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto discursava no arranque dos trabalhos do Bienal de Luanda 2021 - Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz.

E foi em inglês, francês e português que o chefe de Estado fez um apelo aos homólogos presentes e aos representantes da União Africana e das Nações Unidas: "É urgente a paz".

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que os caminhos para a paz se constroem ou destroem todos os dias, por isso, é preciso trabalhar diariamente no sentido de alcançar a paz e mantê-la.

A "cultura da paz" no continente africano está, na sua ótica, nas mãos dos jovens.

"África ou é jovem ou não é. África é jovem. África é futuro. São os jovens os principais construtores da paz", sustentou.

O chefe de Estado também recordou que Portugal tem um passado colonial e de colonização, e, "assumindo todas as responsabilidades inerentes" à herança colonial, afirmou "o companheirismo e a luta conjunta pela construção de uma cultura de paz".

Por essa razão, e como o "único chefe de Estado de um país europeu" presente em Luanda, enalteceu a importância da realização desta bienal na capital angolana.

O Presidente da República português está entre hoje e domingo na capital angolana, numa deslocação durante a qual irá participar na Bienal de Luanda 2021 e visitar um centro de vacinação

PR recusa associar visita a Luanda às presidenciais em Angola

Marcelo afastou entretanto qualquer hipótese de interferir na vida política angolana, garantindo que a sua deslocação a Luanda este fim de semana em nada está relacionada com as presidenciais do próximo ano.

"Venho [a Luanda] convidado pelo Presidente da República de Angola e venho para uma reunião que é multilateral", disse Marcelo Rebelo de Sousa minutos antes de seguir para a Bienal de Luanda.

O Presidente da República tinha sido questionado sobre se haveria encontros partidários, uma vez que a visita que realiza entre hoje e domingo antecede os congressos da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), de 02 a 04 de dezembro, e do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), entre 09 e 11 de dezembro.

No programa do Presidente da República está um encontro com o homólogo angolano, João Lourenço. O chefe de Estado português admitiu, porém, que "é possível que haja, no meio da reunião, oportunidade de trocar algumas impressões" sobre o sufrágio do próximo ano em Angola.

No entanto, "não é, propriamente, um encontro específico" e Marcelo Rebelo de Sousa recusou a "introdução de qualquer fator de discriminação em qualquer período eleitoral".

"Não devo imiscuir-me na vida interna dos vários países. A visita foi uma coisa muito específica. Não tenho agendado isso, porque pensei que isso seria uma forma de intervir num período que é um período longo, mas é, obviamente, pré-eleitoral", sustentou.

Marcelo Rebelo de Sousa também visita hoje o Centro de Vacinação Paz Flor, em Luanda, e no domingo tem previstas visitas à Livraria Kiela, do escritor angolano Ondjaki, e à exposição "BOANDA - Cruzamentos artísticos entre Portugal e Angola 2020/2021, no Centro Cultural Português.

Entre a noite de hoje e até meio da tarde de domingo o Presidente português não tem agenda.

Interpelado pelos jornalistas sobre se este "buraco" na agenda estava relacionado com as eleições diretas no PSD, que também decorrem este fim de semana, o chefe de Estado disse que deixou a agenda em aberto porque aparecem sempre coisas novas e que em nada estava relacionado com a escolha do líder do partido do qual faz parte.

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