Maioria absoluta PS. Pedro Nuno desautoriza discurso de Costa

Contrariando o discurso do chefe do PS, Pedro Nuno Santos, o mais forte candidato à sua sucessão, continua a defender as virtualidades dos entendimentos à esquerda.

O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, putativo candidato à liderança do PS quando se abrir o processo de sucessão de António Costa, não se conforma com o fim dos entendimentos à esquerda.

Desautorizando o discurso da maioria absoluta ("estável, reforçada, duradoura") ensaiado pelo chefe do governo no encerramento do debate do OE 2022, Pedro Nuno continuar a manifestar-se como o mais fiel apóstolo socialista da geringonça - solução política de que, na legislatura 2015-2019, foi um dos principais negociadores, enquanto secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares.

No final do debate do OE 2022, já depois do chumbo, Costa deu por morta e enterrada a solução de esquerda que o ajudou a governar desde 2015 falando nas "condições de governabilidade" que naquele dia "deixaram de existir". Dito por outras palavras: os entendimentos à esquerda deixaram de ser uma solução estável, pelo que agora a prioridade passaria a ser, no quadro das próximas eleições, "mobilizar os portugueses" para a tal maioria "estável, reforçada e duradoura" - e o mesmo é dizer maioria absoluta.

Esta terça-feira, contrariando o discurso do chefe do PS, Pedro Nuno Santos considerou que "o entendimento à esquerda não foi um parêntesis na história da democracia portuguesa e a direita tem se habituar a isso". "Não foi um parêntesis, disso podem ter a certeza", insistiu.

Falando em Vila Real de Santo António, à margem da assinatura do contrato de consignação da obra de eletrificação da linha ferroviária do Algarve entre Faro e essa cidade algarvia, o ministro das Infraestruturas considerou que o país tem de "viver com mais naturalidade com momentos como este", referindo-se à reprovação do Orçamento do Estado para 2022 e à consequência anunciada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de que iria dissolver a Assembleia da República e convocar eleições legislativas antecipadas.

Pedro Nuno Santos deu como exemplos outros países da Europa que também realizaram processos eleitorais e podem levar meses a constituir um novo governo, como a Holanda ou a Alemanha, e defendeu o trabalho realizado ao longo dos últimos seis anos pelo executivo socialista, que apenas durou menos tempo, na democracia portuguesa, que aquele liderado por Aníbal Cavaco Silva (foi primeiro-ministro durante dez anos, oito dos quais com maioria absoluta).

Dizendo que as "eleições fazem parte da democracia", considerou necessário "conviver com naturalidade com estes momentos" em que as legislativas podem ser antecipadas. "A única coisa que eu sei é que temos ouvido muitas afirmações, normalmente de quem se posiciona à direita - e é importante também referir isso, porque isso tem uma lógica -, de como se o fim desta solução provasse que ela não funciona. E a verdade é que ela durou seis anos", afirmou.

Acrescentando: "Se alguma coisa estes seis anos provaram, é que a solução [à esquerda] funciona." "E não só funciona pelo tempo que durou mas funciona pelos resultados que proporcionou ao país", nomeadamente conseguindo, antes da pandemia, contas públicas com excedente orçamental e reduzir a dívida pública em percentagem do PIB.

joao.p.henriques@dn.pt

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