Lisboa. Moedas quer estacionamento mais barato (mas só para moradores)

Programa ontem apresentado pelo candidato do PSD discrimina positivamente moradores face aos não moradores nos tarifários do estacionamento em Lisboa

Carlos Moedas promete, caso conquiste a presidência da câmara de Lisboa, diferenciar os moradores na cidade dos não moradores nos preços do estacionamento cobrados pela EMEL. O candidato do PSD quer favorecer os primeiros e desfavorecer os segundos (os que só trabalham em Lisboa mas não moram na capital). Isto reduzindo para metade as tarifas da EMEL quando cobradas a moradores em Lisboa.

"Os lisboetas pagam muito para viver em Lisboa. Esse dinheiro devia servir para ter uma Câmara melhor, mas muitas vezes só serve para ter empresas municipais maiores. As zonas que têm EMEL não deixam de ter problemas crónicos que a Câmara tarda a resolver. Se os lucros da EMEL não servem os lisboetas, a empresa não se pode servir deles. Queremos um estacionamento que seja 50% mais barata na cidade toda para os moradores", lê-se no programa do candidato, ontem por este apresentado numa sessão que decorreu na reitoria da Universidade Nova de Lisboa, em Campolide.

Moedas disse também que quer criar um seguro de saúde para pessoas maiores de 65 anos com dificuldades económicas e tornar os transportes públicos gratuitos para "avós e netos" (maiores de 65 e menores de 23) porque "criar o hábito de andar de transportes é importante para fazer a transição verde de que precisamos".

Caso seja eleito, irá também reduzir a taxa de IRS na capital, devolvendo aos lisboetas nos primeiros cem dias de mandato os "32 milhões de euros que vão para a Câmara de Lisboa".

"O Parque Mayer tem de ser um centro nacional de Cultura, que reúna espetáculos profissionais e espaços de aprendizagem artística, chefs a começar e os melhores chefs do país a aprender e a cozinhar e espaços de co-work e laboratórios que criem também uma casa para a nossa ciência."

Ainda em matéria de impostos, o ex-comissário europeu propõe isenção de IMT (Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis) para jovens até 35 anos que comprem habitação própria em Lisboa.

As doze medidas de Moedas para a capital incluem também um teatro em cada freguesia (porque, segundo o programa do candidato, "o setor cultural em Lisboa tem um problema crónico de falta de espaços acessíveis para quem está a começar").

Além disso, pretende transformar o Parque Mayer num "ponto de encontro da cultura, da ciência e das artes" - sendo que atualmente as novas gerações só pensam neste espaço como "um parque de estacionamento da Baixa". Dito de outra forma: "O Parque Mayer tem de ser um centro nacional de Cultura, que reúna espetáculos profissionais e espaços de aprendizagem artística, chefs a começar e os melhores chefs do país a aprender e a cozinhar e espaços de co-work e laboratórios que criem também uma casa para a nossa ciência".

"Os empresários precisaram de ser protegidos e a Câmara Municipal falhou-lhes. Agora, precisam de ter uma oportunidade para se voltarem a pôr de pé. O cheque Recuperar + oferece um apoio a fundo perdido para que quem investe a Lisboa volte a ter uma hipótese de criar valor na cidade."

Carlos Moedas prometeu, por outro lado, licenciamentos urbanísticos "transparentes", acelerando os prazos: "A Câmara de Lisboa tem milhares de funcionários. Exige-se que dê uma resposta eficiente aos pedidos que lhe são feitos. A cidade precisa urgentemente de renovação urbanística e nova construção para tornar as rendas mais acessíveis. Comprometemo-nos com um prazo de seis meses para responder a pedidos de licenciamento urbanístico, para que nenhum lisboeta fique com os seus investimentos dependentes da rapidez da Câmara Municipal", lê-se no programa do candidato.

Caso seja eleito, irá também lançar um programa de apoio monetário à reabertura de empresas encerradas por causa da pandemia: "Os empresários precisaram de ser protegidos e a Câmara Municipal falhou-lhes. Agora, precisam de ter uma oportunidade para se voltarem a pôr de pé. O cheque Recuperar + oferece um apoio a fundo perdido para que quem investe a Lisboa volte a ter uma hipótese de criar valor na cidade."

O candidato quer também transformar Lisboa numa capital da inovação ("uma fábrica de unicórnios") e criar na cidade um centro mundial da economia do mar. "Lisboa já foi a cidade portuária mais importante do Mundo. Na era da sustentabilidade e da economia azul, pode e deve voltar a ser uma referência internacional nesta área. Queremos construir em Lisboa as infraestruturas necessárias para a tornar uma capital global da economia do mar", lê-se no programa.

A sessão de apresentação do programa eleitoral de Carlos Moedas - que encabeça uma coligação com o CDS, PPM, MPT e Aliança - contou com a presença do antigo primeiro-ministro Francisco Pinto Balsemão, do ex-líder do PSD Luís Marques Mendes e da ex-líder centrista Assunção Cristas.

joao.p.henriques@dn.pt

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