Líder do PSD. "António Costa tentou mais uma vez tornear a verdade"

Costa "baralha-se nas sua próprias habilidades", considerou Luís Montenegro numa reação à entrevista do primeiro-ministro à TVI/CNN Portugal. O líder do PSD afirmou que o chefe do Governo "confessou que há um corte de mil milhões de euros no sistema de pensões a aplicar em 2023, com todos os reflexos que isso tem nos anos subsequentes."

O presidente do PSD, Luís Montenegro, considerou, esta segunda-feira, que "António Costa tentou mais uma vez tornear a verdade" numa reação à entrevista do primeiro-ministro à TVI/CNN Portugal.

"Das suas tentativas resultaram algumas conclusões, a primeira das quais é relevantíssima, António Costa confessou que há um corte de mil milhões de euros no sistema de pensões a aplicar em 2023 com todos os reflexos que isso tem nos anos subsequentes", começou por enumerar. "Acabou por anunciar que os aumentos previstos nas pensões, a partir de janeiro de 2023, consagram a necessidade de promover mais sustentabilidade na Segurança Social e, ao mesmo tempo, disse que o adicional que vai ser pago agora em outubro era um suplemento extraordinário".

Para Montenegro, "isto é o contrário do que tinha ficado subentendido" na primeira intervenção do primeiro-ministro, no passado dia 5 de setembro. "Isto não é uma antecipação do aumento que era legalmente exigível a partir de janeiro de 2023, é um suplemento extraordinário. E isso trouxe uma segunda confissão, a injustiça social gritante desta medida", concluiu em declarações à CNN Portugal, apesar da garantia de Costa de que "não há truques" em relação ao aumento das pensões.

"Acho que António Costa se baralha nas suas próprias habilidades e não percebe bem o alcance das suas atitudes", referiu.

Se os pensionistas vão "receber um adicional para fazer face ao aumento dos preços, como é que é possível o Dr. António Costa sentir-se bem ao dar uma ajuda de 2.500 euros a um pensionista que aufere uma pensão 5.000 euros e, ao mesmo tempo, dá 200 euros a um pensionista que aufere 400 euros de pensão?", questiona Luís Montenegro.

O líder social-democrata reiterou que o primeiro-ministro, de uma vez só, "confessa, efetivamente, um corte de mil milhões de euros, que a lei de atualização das pensões - que ele e o PS sempre disseram que não necessitava de ser revista porque assegurava para muitas décadas a sustentabilidade da Segurança Social - foi alterada. De uma forma dissimulada foi isso que António Costa disse: 'vamos alterar a lei das atualizações das pensões em Portugal'", considerou. "E, finalmente, dá um suplemento, porque já não estamos a falar da parte que era devida no próximo ano pelo aumento legal das pensões, dá um suplemento agora, que é de uma injustiça gritante", destacou.

"Eu não aceito que o Governo de Portugal, numa altura de grande dificuldade para aqueles que têm mais baixos rendimentos, possa querer dar 2.500 euros a um pensionista que ganha 5.000 euros, ao mesmo tempo que dá 150 euros a um que ganha 300 euros, 200 euros a quem ganha 400 euros", reforçou Montenegro, referindo que a medida do Governo, no que se refere aos pensionistas, traduz-se numa "insensibilidade" e insensatez".

"Diria mesmo um desnorte que não consigo compreender. Acho que António Costa anda de facto distraído com alguma coisa porque ele de facto não se consegue concentrar naquilo que é essencial", sublinhou.

Portugal ficou agora a saber, resume o líder do PSD, de um "corte de pensões de mil milhões de euros de forma permanente para 2023 e anos seguintes, que este ano para fazer face ao aumento dos preços, nomeadamente dos bens essenciais, da alimentação, da energia, do gás, dos combustíveis, o Dr. António Costa quer dar aos pensionistas que auferem as mais altas pensões muito mais ajuda bruta do que dá aos pensionistas que auferem cerca de 400, 500, 700 euros por mês".

Novo aeroporto. "O meu interlocutor é o primeiro-ministro. Não falo diretamente com o ministro das Infraestruturas. Isso é ponto assente"

No que se refere ao novo aeroporto, Montenegro disse que não é novidade para ninguém que a condição inicial que colocou para haver um diálogo com o Governo "era que nos entendêssemos quanto a uma metodologia".

"Estamos a manter este diálogo aberto, os dois. António Costa não o assumiu, mas eu assumo, as conversas que temos tido são a dois. O meu interlocutor é o primeiro-ministro. Não falo diretamente com o ministro das Infraestruturas. Isso é ponto assente", declarou. "Eu sou direto. Era bom que o país tivesse um primeiro-ministro direto, em vez de andar sempre a dissimular as coisas. É uma forma de ser, eu respeito, não é a minha", atirou.

O líder do PSD assume que se está a caminhar no sentido de se obter um entendimento quanto à metodologia no processo do novo aeroporto. "Se conseguirmos que as propostas que o PSD vai colocar ao Governo possam ser consagradas na decisão, que só o Governo vai tomar, eu não vou decidir nada pelo Governo, se nós nos conseguimos rever nessa decisão, tanto melhor", afirmou.

Considerou que, tal como Costa disse, "há condições para daqui a alguns meses, um ano, até ao final do próximo ano, o Governo possa tomar uma decisão". "Com todas os elementos que, no nosso ponto de vista, são necessários para que essa decisão seja tomada", reiterou.

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