Jorge Coelho: Guterres com "dívida de gratidão" impagável face a amigo e "braço-direito"

Jorge Coelho foi ministro de três pastas nos governos de Guterres: ministro Adjunto; ministro da Administração Interna; ministro da Presidência e do Equipamento Social

O secretário-geral das Nações Unidas confessou esta quarta-feira uma impagável "dívida de gratidão" ao amigo Jorge Coelho, reconhecendo-o como seu "braço-direito" do PS até ao Governo, além de se confessar "chocadíssimo", ainda sem conceber a morte daquele político "finíssimo".

O antigo primeiro-ministro e ex-secretário geral socialista António Guterres, em declarações à SIC Notícias, focou também o lado mais privado de Coelho: "uma grande perda para o país, mas, sobretudo, para os amigos, que eram muitos", agora, "todos desolados", pois o também antigo dirigente do PS "enchia uma sala, contava estórias fabulosas".

Jorge Coelho foi ministro de três pastas nos governos de Guterres: ministro Adjunto; ministro da Administração Interna; ministro da Presidência e do Equipamento Social.

"Era um amigo queridíssimo, um homem que me acompanhou em momentos decisivos da minha vida, perante o qual tenho uma dívida de gratidão que jamais poderia pagar. Estou chocadíssimo. Era a alegria de viver, com uma força interior... era a personificação da vida. Saber que ele morreu é algo que eu nem sequer consigo assentar", afirmou Guterres.

A partir de 1992, com Guterres na liderança, Jorge Coelho foi secretário nacional para a organização, contribuindo para a vitória eleitoral dos socialistas nas legislativas outubro de 1995.

"Foi o meu braço-direito na organização do PS, campanhas eleitorais, no percurso que levou o PS ao Governo, depois foi elemento valioso, sempre ao meu lado, nos momentos bons e nos momentos difíceis, sempre com extraordinária capacidade de ação", descreveu.

Questionado sobre o a tragédia da queda da ponte de Entre-os-Rios, há 20 anos, o antigo chefe de executivo recordou as declarações de Coelho na ocasião quando disse que "a culpa não pode morrer solteira, sou o ministro da pasta e tenho de me demitir".

"Só prova a enorme dignidade que ele tinha. Eu achava que ele não tinha nada a ver com aquilo e até me custou muito que saísse, mas ele era um homem de princípios, irredutível, e foi uma decisão que, naturalmente, respeitei e só fez aumentar a minha admiração por ele", contou Guterres.

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