JMJ 2023. Câmaras podem investir até 50 milhões, Governo em silêncio

Executivo fechou acordo com Carlos Moedas para pagar parte da fatura da Jornada Mundial da Juventude, que vai decorrer no próximo ano em Lisboa, mas não revela valores.

Marcelo Rebelo de Sousa garante que nada tem a ver com isso, mas foi em vésperas da visita do Presidente da República aos terrenos que vão receber a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que o Governo e a Câmara de Lisboa puseram fim a um braço de ferro de meses sobre quem assume os custos. Depois de Carlos Moedas ter avisado que os cofres da cidade de Lisboa não suportam os encargos com o evento marcado para agosto do próximo ano, o Governo garante agora que vai assumir parte das despesas. Quanto e em quê concretamente, não diz.

Da parte das câmaras envolvidas - Lisboa e Loures - poderão sair cerca de 50 milhões de euros para as infraestruturas da JMJ, que trará a Portugal o Papa Francisco em meados do próximo ano. A autarquia da capital já aprovou um valor de 21 milhões de euros e admite chegar aos 35 milhões. Já o município de Loures avançará com um investimento que "ronda os quatro a cinco milhões, seis milhões, mais os 11 milhões para o passadiço", segundo avançou ontem o presidente, Ricardo Leão. Falta agora saber o investimento que caberá ao Executivo. Na sexta-feira, a Câmara de Lisboa defendeu que os custos a suportar pelo Estado deveriam ser "no mínimo paritários" com o esforço financeiro da autarquia, lembrando que os apoios do Governo "foram claros" noutros grandes eventos realizados em Portugal, uma exigência expressa numa carta dirigida ao primeiro-ministro.

A autarquia lisboeta tinha aceite os encargos financeiros com a realização da Jornada Mundial da Juventude, ainda ao tempo do executivo municipal liderado por Fernando Medina, mas Carlos Moedas tem rejeitado este cenário, alegando uma fatura demasiado pesada. Um diferendo que se arrastou nos últimos meses, com várias reuniões de trabalho para tentar encontrar um consenso e que se traduzirão agora num memorando que, segundo as várias partes, deverá ser assinado a curto prazo. De acordo com o jornal Público, que ontem avançou a notícia, o Governo assumirá parte das tarefas que inicialmente cabiam à Câmara de Lisboa, como a montagem de casas de banho, torres de iluminação e sistemas de som e multimédia.

A "solução possível"

Para José Sá Fernandes, coordenador do grupo de projeto da Jornada Mundial da Juventude, foi encontrado o desfecho "possível" para a questão da divisão de custos do evento. "Foi encontrada uma solução, a solução possível, deixou de haver um problema", diz ao DN, defendendo que o Governo "teve um grande sentido de responsabilidade". "Agora cada um tem de fazer a sua parte, o Papa Francisco, provavelmente a figura mais universal do mundo neste momento, merece que isto seja uma grande festa, um grande encontro", diz este responsável, manifestando-se confiante que tudo estará pronto para receber o evento, de 1 a 6 de agosto de 2023, e para qual é esperado mais de um milhão de jovens de todo o mundo.

"Pura coincidência"

Ontem, na visita aos terrenos que vão receber a JMJ 2023, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou-se alheio ao acordo entre o Governo e Câmara de Lisboa, garantindo que não exerceu qualquer "magistratura de influência" neste caso. "Foi pura coincidência, já estava em marcha", afirmou, citado pela Lusa, garantindo que o acordo já foi posto por escrito.

Numa visita em que foi acompanhado pelos presidentes das câmaras de Lisboa e de Loures, pela ministra dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, e pelo bispo auxiliar de Lisboa, Américo Aguiar, o Presidente da República fez questão de sublinhar que a obra a fazer na zona do Parque das Nações, nos cerca de cem hectares do Parque Tejo-Trancão (que integra terrenos dos concelhos de Lisboa e Loures) não terá apenas o fim provisório de dar resposta aos participantes no evento. "Aqui fica, pela primeira vez depois de uma Jornada Mundial da Juventude, uma obra para a comunidade, para a de Loures, para a de Lisboa. A ponte pedonal, o passeio pedonal, os parques, uma realidade que não existia. E fica em termos de qualidade de vida para as futuras gerações", sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa - que se deslocou pela segunda vez ao local e já deixou prometida uma terceira visita, mantendo assim a pressão sobre o andamento dos trabalhos.

O chefe de Estado também prometeu voltar para acampar no local nas vésperas da inauguração da Jornada Mundial da Juventude (haverá um enorme espaço de acampamento para os participantes), convidando Carlos Moedas, Ricardo Leão, e o bispo auxiliar de Lisboa a fazer o mesmo.

susete.francisco@dn.pt

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