Gouveia e Melo toma posse segunda-feira como chefe do Estado-Maior da Armada

O vice-almirante Henrique Gouveia e Melo foi o responsável pela task force de vacinação contra a covid-19.

O Governo aprovou, esta quinta-feira, em reunião do Conselho de Ministros, a deliberação que propõe ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a nomeação do vice-almirante Henrique Gouveia e Melo como chefe do Estado-Maior da Armada.

"Foi aprovada a deliberação que propõe a Sua Excelência o Presidente da República, com parecer favorável do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, após audição do Conselho do Almirantado, a exoneração do Almirante António Maria Mendes Calado do cargo de Chefe do Estado-Maior da Armada e a nomeação do Vice-almirante Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo como Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), bem como a correspondente promoção ao posto de Almirante", lê-se no comunicado do Conselho de Ministros.

Mais tarde, a Presidência da República anunciou que a Gouveia e Melo vai tomar posse na segunda-feira, 27 de dezembro, às 15.00.

"O Presidente da República recebeu, do Governo, as propostas de exoneração do Senhor Almirante António Maria Mendes Calado do cargo de Chefe do Estado-Maior da Armada e de nomeação do Senhor Vice-Almirante Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo para o mesmo cargo", pode ler-se na nota.

"Assim se antecipa de alguns meses o termo do segundo mandato, a ocorrer de acordo com disponibilidade manifestada pelo Senhor Almirante CEMA. O Presidente da República agradece e louva o muito qualificado desempenho do Senhor Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada, aliás, no quadro de uma carreira brilhante, e condecora-o com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo", acescenta o Presidente da República.

A "revolução" que o vice-almirante tem assumido querer fazer na Marinha, tornando este Ramo das Forças Armadas numa espécie de catalisador para novas políticas de valorização do mar como ativo estratégico nacional, é conhecida de António Costa e encaixa na perfeição na "ambição" declarada do primeiro-ministro de transformar os oceanos numa "grande causa e missão global".

O plano acabou por ser adiado quase um ano, primeiro por causa da pandemia, que levou Gouveia e Melo a entrar no que designou "guerra" de combate ao vírus, coordenando com sucesso o plano de vacinação contra a covid-19; depois foram os "equívocos" com a exoneração, em setembro passado, do atual CEMA Mendes Calado, acabaram por protelar a missão.

Nesta quinta-feira o Governo aprovou em Conselho de Ministros e formalizou a proposta para a sua nomeação como CEMA a Marcelo Rebelo de Sousa e espera-se que, desta vez sem contratempos nem equívocos, possa tomar posse ainda na sexta-feira.

O timing da nomeação, antes das eleições, suscitou alguns reparos, designadamente do BE e do PCP, e do ex-CEMA Melo Gomes , que considerou mesmo, em declarações ao Expresso, que este era um "mau momento".

No entanto, esta data era mesmo a deadline para Gouveia e Melo e isto porque, conforme o DN já tinha explicado, é nesta altura que são promovidos os oficiais generais da Armada (vice-almirantes, contra-almirantes e comodoros), que constituirão o topo da hierarquia da Marinha nos próximos anos, sendo por isso necessário que essa escolha seja do novo CEMA, pois será a sua equipa dirigente, o seu estado-maior.

Mar, ativo estratégico

Se até aqui, o submarinista foi deixando a sua marca em vários projetos de inovação tecnológica na Marinha, principalmente quando foi Comandante Naval, entre 2017 e 2019, as suas capacidades de liderança, organização e comunicação na coordenação da task force, confirmaram ao governo um oficial general com as capacidades para ser um trunfo no objetivo de promover novas políticas de valorização e defesa do mar. Os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência completaram o "pacote".

"Portugal tem um ativo estratégico muito importante que é o mar. É talvez o último dos seus ativos estratégicos, que terá uma grande importância geoeconómica e geopolítica muito grande. Temos de ter cuidado, senão podemos ser espoliados devagarinho desse último ativo estratégico. Gostaria de desenvolver e de ajudar a desenvolver políticas que contribuam para que esse ativo estratégico não nos seja retirado", afiançou Gouveia e Melo na tertúlia que comemorou os 157 anos do DN e onde foi o principal orador.

O vice-almirante - eleito pela redação do DN personalidade nacional do ano - apelou a que se passe da "retórica à ação" neste objetivo. Caso contrário, salientou, "alguém vai ocupar esse espaço. É preciso desenvolver tecnologia e oportunidades de emprego. Não é a buscar baldes de água salgada. Os jovens são atraídos quando há oportunidades".

Gouveia e Melo criticou até a "falta de visão" para oportunidades de negócio, quando passa pelo mar português cerca de 95% do tráfego marítimo internacional. "E porque não criar uma grande empresa de transporte marítimo com Portugal, Brasil e Angola? Basta olhar para o mapa e perceber que estes três países podem fazer coisas extraordinárias no mar", sublinhou.

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