Deputados rejeitam audição a Medina sobre contratação de Sérgio Figueiredo

PS chumbou dois requerimentos dirigidos a Fernando Medina. PCP fala em "falta de vontade política" para resolver problemas.

A Comissão de Orçamento e Finanças chumbou o requerimento do Chega para ouvir o ministro das Finanças, Fernando Medina, na sequência da anunciada, mas não concretizada, contratação de Sérgio Figueiredo para serviços de consultoria no ministério. O requerimento, votado esta quinta-feira, foi chumbado com os votos contra do PS e do PCP. PSD e a Iniciativa Liberal apoiavam a pretensão do Chega, o partido proponente.

Antes da votação, os deputados referiram que na próxima semana (dia 14), o governante terá uma audição regimental, onde se poderá explicar em relação a este assunto, com o PSD a insistir na importância de Fernando Medina vir a público explicar a contratação que afinal não aconteceu.

A polémica, recorde-se, surgiu no mês passado, quando foi noticiado que o ministério tutelado por Fernando Medina teria contratado Sérgio Figueiredo - ex-jornalista e ex-administrador da EDP - como consultor estratégico para prestar serviços de avaliação e monitorização do impacto de políticas públicas. O contrato seria celebrado por ajuste direto, vigoraria durante dois anos, e daria a Sérgio Figueiredo um vencimento mensal base (5832 euros) mais alto do que o do próprio Fernando Medina (4767 euros). Ao que se sabe, Sérgio Figueiredo não ficaria ainda sujeito a um regime de exclusividade.

Com a contratação a ser escrutinada pela opinião pública, as notícias começaram a surgir e soube-se então que a proximidade entre o ministro das Finanças e Sérgio Figueiredo já remontava aos tempos em que Medina era autarca de Lisboa. Que, por exemplo, em 2020, a Câmara lisboeta contratou uma empresa de Sérgio Figueiredo para organizar um plano de comunicação de promoção das compras de Natal no comércio local, então severamente afetado pelos impactos da pandemia. Outro dos temas polémicos foi o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, no valor de 350 mil euros, a um evento organizado pelo filho de Sérgio Figueiredo.

Toda esta sequência de notícias acabou por levar o antigo jornalista e ex-administrador da EDP a desistir do cargo (para o qual não há ainda um substituto) e o Chega usou-a como argumento para justificar o requerimento chumbado na Comissão de Orçamento e Finanças.

Também esta quinta-feira, o PS chumbou outro pedido de audição a Fernando Medina, desta feita para inquirir o ministro sobre o fecho de 23 balcões da Caixa Geral de Depósitos. E, à semelhança do requerimento do Chega, os esclarecimentos foram remetidos para a audição regimental de dia 14. Após a votação, o deputado comunista Bruno Dias acusou o PS de "falta de vontade política" para discutir os problemas do país. Na passada quarta-feira, o grupo parlamentar do PSD já tinha remetido uma pergunta a Fernando Medina, em que elencava sete questões que pretendia ver esclarecidas, exigindo ao governante explicações sobre esta situação.

rui.godinho@dn.pt

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