Oito contra um e Costa finalmente disse "maioria absoluta"

Mais da direita do que da esquerda, António Costa passou ontem duas horas na RTP a levar, como ele próprio disse, "pancada de todos". Governabilidade, impostos e SNS foram os grandes temas deste debate a nove.

O debate a nove de ontem na RTP foi o que se esperava: oito contra um - António Costa, que de resto a certa altura se queixou de "estar a levar pancada de todos".

Em maior ou menor grau - a "pancada" foi mais intensa quando vinda da direita do que quando vinda da esquerda - foi isso que aconteceu durante duas horas no debate, moderado pelo jornalista Carlos Daniel e que teve como cenário, novamente, o Cine Teatro Capitólio, em Lisboa. Governabilidade, impostos, SNS e crescimento económico foram os principais temas da conversa .

Na questão da governabilidade, António Costa pronunciou finalmente a expressão tabu que define o objetivo eleitoral do PS: "Maioria absoluta". "O país precisa de estabilidade para devolver tranquilidade. Uma maioria absoluta é o que garante estabilidade."

Quanto ao resto, Costa recusou responder a perguntas sobre possíveis entendimentos com o PSD. E voltou a assegurar que se demitirá da liderança do PS se perder as eleições - o que levaria depois o presidente do CDS-PP a dizer que, assim, quem também deveria estar no debate seria o "bolchevique" Pedro Nuno Santos (o mais provável sucessor de Costa), porque assim se saberia o que fará o PS caso não vença mas exista uma maioria à esquerda (o cenário que criou a geringonça em 2015).

Ainda à esquerda, Catarina Martins insinuou que o BE voltará a chumbar o OE2022 se Costa não lhe introduzir nenhuma alteração face à proposta já reprovada pelo BE. Já o PCP, ainda com João Oliveira a substituir Jerónimo de Sousa, insistiu na ideia de um "reforço" da votação na CDU, "a força decisiva para uma convergência" de políticas à esquerda. Ainda quanto ao OE2022, Oliveira e Catarina Martins insistiram numa ideia: a de reforço das condições de dedicação exclusiva para os médicos do SNS.

Já Rui Tavares, do Livre, sintetizou a sua posição numa frase: "Se houver uma maioria à esquerda seremos parte da solução, se houver uma maioria à direita seremos parte da oposição."

À direita, Rio assegurou que, se o PSD perder, não se demitirá na noite eleitoral, por não gostar de "gestos teatrais". No entanto admitiu que aí ele e o PSD terão de "pensar no que fazer relativamente à liderança".

Já André Ventura, do Chega, definiu com clareza a meta eleitoral que o levará a exigir uma presença num governo de Rio: ter sete por cento ou mais. João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, também assegurou que o seu partido irá "conversar com o PSD", até porque "sem a Iniciativa Liberal falta ímpeto reformista ao PSD".

De resto o debate revelou fraturas profundas esquerda/direita, sobretudo na questão fiscal e no SNS.

Na questão fiscal, do PSD ao Chega, o acento tónico é posto na urgência de diminuir o IRC - excetuando-se aqui, porventura, a IL, que insiste na sua taxa única de IRS para toda a gente (15%). À esquerda, a prioridade vai, em maior ou menor grau, para o IRS.

Quanto ao SNS, Costa aproveitou para atacar Rui Rio, acusando-o de querer pôr a classe média a pagar. De resto, à direita acentua-se a necessidade de envolver mais o setor privado e social como complementar do público.

Em síntese: todos despacharam a grande velocidade algumas ideias e ninguém foi verdadeiramente ao chão. A campanha regressa agora à rua.

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