Costa tenta segurar resultado, Rio pedala por um melhor

Os líderes dos partidos com implantação autárquica vão varrer o país, uns para tentar segurar resultado de 2017, como o PS e o PCP, e outros para o procurar suplantar, no caso PSD e CDS.

Um grande almoço-comício está a ser acertado entre os partidos da coligação "Novos Tempos" de Carlos Moedas, PSD/CDS/PPM/MPT e Aliança, para dia 22 em Lisboa, apurou o DN, e em que estarão presentes o centrista Francisco Rodrigues dos Santos e o social-democrata Rui Rio. Este será, talvez, o ponto mais forte da campanha eleitoral para as autárquicas, que arrancou esta terça-feira, com o líder do PSD a dar tudo por tudo para melhorar a prestação de 2017 do seu partido e o presidente centrista a tentar segurar o bom resultado, ainda conseguido pela antecessora, Assunção Cristas.

Rui Rio partiu ontem para uma volta ao país e, com desassombro, o secretário-geral do PSD assume que o caminho foi traçado para levar o líder social-democrata aos municípios onde o PSD "tem fortes possibilidades" de tirar essas câmaras das mãos do PS. Foi feita uma seleção de 50 autarquias nessas circunstâncias - claro que Rio irá passar por todas as capitais de distrito - entre as quais Trancoso , Mêda, Castelo de Paiva, Alcanena, Moimenta da Beira, Santa Cruz da Graciosa, Lajes do Pico e Redondo.

José Silvano admite que a presença de Rio será mais marcante nos pequenos e médios municípios do que nos grandes centros urbanos. Mas rejeita a ideia de que o líder irá evitar o Porto, onde o candidato social-democrata Vladimiro Feliz se bate contra o independente Rui Moreira, que é apoiado pelo CDS. "Vai estar no distrito do Porto dois dias e na cidade também", assegura José Silvano.

O encerramento será nos Açores, muito provavelmente em Ponta Delgada, e por uma razão também muito óbvia: "Desde que assumimos o governo dos Açores [regionais do ano passado] ainda não estivemos lá e temos de aproveitar essa mudança também para a conquista de câmaras".

O formato da campanha já foi experimentado e ajusta-se à situação de pandemia que ainda vivemos. " Tentamos evitar grandes comícios e grandes jantares de campanha. Já fizemos isso nas legislativas e apostamos em contactos de porta a porta, arruadas. Uma campanha de proximidade".

A região autónoma dos Açores foi também a de eleição para o arranque da volta do líder do CDS. Embalado pela coligação no governo açoriano, tal como Rio, Francisco Rodrigues dos Santos procura ganhos no poder local. A Madeira também está na sua rota e passará por lá no próximo domingo e segunda-feira.

Claro que a prioridade de Francisco Rodrigues dos Santos são as seis câmaras conquistadas em 2017 e que quer manter. Velas, em São Jorge é, aliás, uma das autarquias a que o CDS concorre sozinho, a que acresce Ponte Lima, Albergaria-a-Velha, Vale de Cambra, Santana e Oliveira do Bairro. Aposta ainda forte em Oliveira do Hospital, onde é candidato à Assembleia Municipal.

Não está prevista nenhuma passagem em São João da Madeira, onde o CDS encabeça a lista da coligação PSD e onde é candidato João Almeida, o seu challenger no último congresso do partido e assumido crítico da direção nacional.

O secretário-geral do CDS, Francisco Tavares, que organizou a volta do líder, assegura que tudo foi pensado para "ir ao encontro" do que foi solicitado pelas estruturas locais e não por discriminação de candidatos do partido. Afirma o desenho da volta é de "complexidade" ao tentar conjugar o que foi pedido pelas estruturas do partido, mesmo ao nível dos locais da presença do líder. Dá o exemplo do dia de hoje em que Francisco Rodrigues dos Santos estará as 10h00 em Beja e às 15h00 no Bombarral ou na próxima sexta-feira quando começa o dia em Santarém, acaba em Montemor-o-Novo, para no sábado já estar em Nelas.

E também o presidente centrista aposta tudo nos contactos com a população, nas arruadas, nos mercados e incursões nas ruas principais de cada um dos municípios visitados. "Essa foi mesmo uma preferência do presidente do partido que pediu "não me enfiem em salas fechadas, quero estar em contacto com as pessoas"", afirma ao DN.

Costa evita PCP

O secretário-geral do PS também anda em campanha pelo país, mas limitado aos momentos em que despe o fato de primeiro-ministro., mas o objetivo também é claro: manter o partido muito à frente do PSD nas autarquias e no deve e haver das eventuais perdas, equilibrar com novos ganhos, mesmo que sejam à CDU.

O secretário-geral adjunto do PS lembra ao DN que dados os deveres de primeiro-ministro foi garantida uma agenda que garante a ida a todas as capitais de distrito e às regiões autónomas: Em função dessa deslocação às capitais de distrito, procura dar-se a essa deslocação uma função de mensagem política sobre as prioridades estratégicas do País. Por exemplo, há dias, nas deslocações aos municípios da região norte e centro do interior, procurou valorizar a agenda de combate às desigualdades, à pobreza e de promoção da coesão e da relação transfronteiriça", diz José Luís Carneiro.

Mas os assuntos políticos mais subliminares também pesam nas deslocações de António Costa. Muito provavelmente porque precisa do PCP para a aprovação do Orçamento de Estado não irá afrontar os comunistas nem com palavras nem com a presença excessiva em autarquias onde a disputa entre os dois partidos é maior.

Por exemplo, passou logo na fase de pré-campanha eleitoral em locais onde a guerra é mais acesa com o partido de Jerónimo de Sousa, casos de Almada, Loures e Setúbal.

José Luís Carneiro dá outra carga política à estratégia de Costa neste périplo autárquico: "a presença está relacionada com a procura de eficácia entre a mensagem politica e a sua relação com todas as tipologias de territórios: urbanos, rurais, litorais e interiores".

Dos municípios em risco para o PS, António Costa para em Castelo Branco, onde um socialista que se candidata como independente e ex-residente da câmara, Luís Correia, a pode roubar ao PS. Outra das autarquias em que vai ser visitada pelo secretário-geral socialista é a de Portalegre , uma câmara ganha por independentes e que acabar nas mãos tanto do PS como do PSD, ou ainda a Póvoa do Lanhoso e a Maia, duas autarquias que quer tirar das mãos do PSD.

O encerramento da campanha autárquica será feito na cidade do Porto, onde o PS tem muito poucas possibilidades de ser bem sucedido na conquista do poder autárquico com a candidatura de Tiago Barbosa Ribeiro, ao contrário da de Lisboa com Fernando Medina. Mas, segundo o secretário-geral adjunto do PS, assim acontecerá "pela importância que sempre demos à cidade do Porto e aos seus cidadãos. Foi, aliás, assim que já fizemos nas eleições de 2017".

O PCP também volta a jogar muito nestas eleições, depois de ter vindo paulatinamente a perder terreno autárquico. Nas últimas autárquicas perdeu 10 câmaras, nove das quais para o PS. Jerónimo de Sousa não faz por menos e correrá agora o país de um lado ao outro até dia 24 de setembro, último dia de campanha eleitoral.

Mas como seria de esperar, a caravana do líder comunista passará pelos bastiões do interior alentejano, onde há ameaça de outros forças políticas conseguirem conquistar eleitorado à esquerda, como é o caso do Chega.

paulasa@dn.pt

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