Costa relativiza Sócrates: "O PS é muito mais do que as suas lideranças circunstanciais"

Para diminuir a importância do antigo líder na história do PS, António Costa relativizou a importância de todos os secretários-gerais do partido, sublinhando antes a importância dos militantes no seu todo.

É certo que, explicitamente, José Sócrates não passou, nesta segunda-feira, pelos discursos de António Costa e Carlos César na sessão com que a direção do partido assinalou, no Capitólio, em Lisboa, os 48 anos da fundação do PS. A verdade, porém, é que o antigo líder e antigo primeiro-ministro foi o elefante na sala, que, aparentemente ignorado, não deixou de estar bastante presente.

António Costa esforçou-se por isso tentando relativizar a importância de Sócrates na história do PS relativizando por junto e atacado a importância de todos os secretários-gerais face à importância maior do coletivo partidário, em particular daqueles que, eleitos pelo PS, exerceram funções públicas, designadamente no poder local (centro de todas as homenagens da sessão).

"A vida do PS é feita diariamente não pelos seus secretários-gerais, mas pelos milhares de militantes, centenas dos seus autarcas, dezenas de governantes, centenas de deputados da Assembleia da República e das assembleias regionais."

Na pessoa de Eduardo Ferro Rodrigues - único ex-líder do PS presente na sessão -, homenageou todos os ex-líderes do PS referindo explicitamente dois ("desde Mário Soares a António José Seguro, que me antecedeu neste cargo").

Todavia, antes, já tinha afirmado que "o partido que é muito mais do que as suas lideranças circunstanciais". Ou, dito de outra forma: "A vida do PS é feita diariamente não pelos seus secretários-gerais, mas pelos milhares de militantes, centenas dos seus autarcas, dezenas de governantes, centenas de deputados da Assembleia da República e das assembleias regionais."

De resto, afirmou que "foi sempre o PS que esteve na raiz das grandes mudanças que marcam o país ainda hoje". Numa sessão em que foram elogiados os primeiros autarcas do PS eleitos em 1976 - nomeadamente os primeiros 115 presidentes de câmara -, Costa considerou que "devem ter sido absolutamente maravilhosos esses momentos fundadores do poder local".

Recordando o seu passado como presidente da Câmara de Lisboa, disse perceber "muito bem o gosto de exercer o poder de olhos nos olhos com os eleitores". Segundo afirmou, desde 1976 "mais de um milhão de pessoas já exerceram funções no poder autárquico", daí que as autarquias sejam "uma enorme escola da democracia". E, além disso, "quanto mais próximo é o poder, mais forte é a fiscalização dos cidadãos". E quanto ao futuro - no contexto das eleições autárquicas que se aproximam - sublinhou a importância que os autarcas terão a aplicar no terreno os milhões que vão chegar da União Europeia através do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência).

"Desvios às melhores práticas"

O primeiro orador da sessão foi o presidente do PS. Carlos César também não referiu Sócrates explicitamente. Mas era do ex-líder - e, desde maio de 2018, ex-militante do PS - que estava a falar quando disse que o PS quer "continuar a ser um porto abrigo da confiança dos portugueses" mas "sem iludir os desvios às melhores práticas que num ou noutro momento aconteceram".

César fez também questão de afirmar que "os grandes avanços" legislativos no combate "pela transparência" e no combate à corrupção "deveram-se na maior parte das vezes à iniciativa ou à aprovação do PS". E "os riscos" aconselham a que o partido prossiga esse "percurso de aprofundamento". Recordou, a propósito, a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção, cuja versão final foi aprovada pelo Governo justamente na véspera da leitura da decisão instrutória da Operação Marquês. Ao PS compete "garantir uma democracia em que os portugueses reconheçam os resultados da sua participação" e "a probidade dos seus servidores", afirmou ainda.

"De consciência tranquila"

Enquanto autarca anfitrião, Fernando Medina foi um dos oradores da sessão.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa assegurou que o PS irá encarar as próximas eleições autárquicas de "consciência tranquila". E o próximo mandato, disse, deverá ser, como o atual, de "prioridade ao combate à pandemia" mas "lado a lado com o governo, em conjunto, não fazendo o contraponto mas fazendo o complemento".

Recordando que ele próprio nasceu no ano em que o PS foi fundado (1973), Medina salientou que o PS é hoje é "um partido moderno das novas gerações" e que "a única forma de honrar o trajeto é prosseguir os caminhos do futuro", valorizando questões como as alterações climáticas.

joao.p.henriques@dn.pt

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