"Geringonça" acabou em 2021. Escolha é entre ele ou Rio

Líder do PS, no entanto, não excluiu que, no futuro, "porventura", possa haver nova solução à esquerda entre PS, Bloco de Esquerda e PCP. "Agora não há".

O secretário-geral socialista afirmou hoje que a "Geringonça" criada em 2015 acabou em 2021, que agora a maioria de esquerda é só com o PS e que a escolha nas próximas eleições é entre ele e Rio.

Esta análise do quadro político nacional foi feita por António Costa no Centro de Congressos de Lisboa, na Junqueira, no final de um encontro nacional de jovens promovido pela JS, durante o qual esta organização apresentou o seu manifesto eleitoral, intitulado "As nossas ideias".

Perante uma plateia com algumas centenas de jovens socialistas, o líder do PS começou por sustentar que a última coisa que o país desejava era ter eleições legislativas antecipadas e alegou que o seu Governo fez "tudo, tudo, tudo" o que estava ao seu alcance para evitar o chumbo da proposta de Orçamento do Estado para 2022 e para que houvesse eleições na sequência desse chumbo.

"Vou ser muito claro: As eleições têm uma primeira escolha que é saber quem é o primeiro-ministro, um que já conhecem, e outro é [o presidente do PSD] o doutor Rui Rio. Mas, depois, há outra escolha outra fundamental que é saber com que condições é que se ganham as eleições", apontou.

Neste contexto, António Costa referiu-se de forma resumida à história da "geringonça", a solução política de maioria parlamentar de esquerda desde 2015, passando pela experiência das eleições legislativas de 2019.

"Com a autoridade de ter dito em 2019 que era possível trabalharmos à esquerda para construir uma maioria sólida, duradoura e estável, há uma coisa que tenho de constatar: Em 2019 isso já foi assim-assim; em 2020 ainda mais assim-assim; e em 2021, manifestamente, não existiu", afirmou.

No futuro, a médio ou longo prazo, segundo António Costa, "porventura", até haverá nova solução à esquerda entre PS, Bloco de Esquerda e PCP, mas "agora não há".

"Por isso, a forma de termos maioria é sermos nós a maioria. Para isso, temos mesmo de mobilizar os portugueses. Não podemos andar de eleições de dois em dois anos e não podemos andar a governar porque nos fazem o favor de nos viabilizarem o Orçamento durante dois anos", declarou.

Nesta parte final da sua intervenção, o líder socialista procurou dramatizar a opção política que está em causa nas próximas eleições legislativas, argumentando que Portugal "não pode parar e que os jovens não podem esperar que o país se atrase mais".

"Para isso é fundamental uma maioria estável e duradoura, que só é possível assegurar com o PS", assinalou, antes de deixar um forte apelo à mobilização dos socialistas, advertindo então que "nunca as eleições estão ganhas à partida".

Na sua intervenção, numa crítica aos parceiros de esquerda dos socialistas da anterior legislatura, António Costa disse que os partidos à direita e à esquerda do PS chumbaram uma proposta de Orçamento para 2021 com aumento dos apoios sociais e com propostas de desagravamento fiscal para os mais jovens.

Propostas que, prometeu, serão retomadas com efeitos retroativos se o PS vencer as próximas eleições legislativas.

Num discurso de cerca de 30 minutos, o líder socialista começou por dizer que o Governo teve nestes últimos dois anos sempre focado no combate à pandemia da covid-19, "que ainda não terminou".

Um combate durante o qual, advogou António Costa, o Serviço Nacional de Saúde respondeu até ao limite, mas de forma eficaz e "não deixando ninguém para trás".

Reivindicou, também, que o seu Governo conseguiu proteger o emprego e as empresas, numa grave conjuntura económica mundial.

No plano político, neste seu discurso, o secretário-geral do PS traçou uma linha de demarcação face ao PSD, acusando o partido de Rui Rio de pretender "congelar a evolução de aumento do salário mínimo" com o argumento de impedir que atinja o nível dos vencimentos médios.

Em contraponto, António Costa prometeu que na próxima legislatura vai empenhar-se no combate pela elevação global dos salários -- um ponto em que acentuou que nem tudo cabe ao Estado e em que disse que as empresas "têm de fazer a sua parte".

"Se as empresas querem ser competitivas, também têm de ser competitivas a contratar", acrescentou, recebendo uma prolongada salva de palmas dos mais jovens

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