Costa e Rio vão arriscar a cabeça. "Vai ser muito duro na última semana de campanha"

As sondagens estão a aproximar o PSD do PS. Os politólogos dizem que a bipolarização vai ser a marca das eleições de 30 de janeiro. Os debates entre candidatos vão ter um papel fundamental no desfecho da ida às urnas.

A um mês de eleições legislativas antecipadas as sondagens começam a aproximá-los. O que na opinião dos politólogos mostra que há ainda muitas incógnitas em jogo e que tanto António Costa como Rui Rio podem sair vencedores da contenda eleitoral. A bipolarização será, dizem, a marca desta ida às urnas.

"António Costa e Rui Rio vão arriscar a cabeça nestas eleições. Por isso, vão dar tudo por tudo para saírem vencedores. Vai ser muito duro na última semana de campanha eleitoral", afirma ao DN José Adelino Maltez. O politólogo lembra mesmo que o líder do PSD é um político que no seu próprio partido inverteu o jogo a seu favor na última semana na corrida a liderança contra Paulo Rangel.

José Adelino Maltez frisa que nestas legislativas será um duelo entre Rio, que "fala para o homem comum, no que se costuma falar de populismo de imagem, e António Costa que é o homem da conversa fácil". Resta saber, diz, qual deles consegue convencer os portugueses de centro de que é o melhor para a governabilidade do país, visto que ambos falam para o mesmo tipo de eleitores.

António Costa Pinto também lê nas sondagens que têm sido publicadas uma tendência para a margem entre direita e esquerda estar a diminuir. "A maioria de esquerda está a diminuir em relação à representação parlamentar que tinha", frisa.

Encontra sinais de penalização do Bloco de Esquerda, de eleitorado que terá ficado descontente com o chumbo do Orçamento de Estado para 2022 e respetiva crise política, mais do que em relação ao PCP. Ao mesmo tempo que parece existir, afirma, um crescimento consolidado do Chega e do Iniciativa Liberal. O politólogo prevê que, por isso, "essa margem de diferença entre a direita e esquerda tenderá a ficar mais estreita quanto mais se aproximarem as eleições."

Os debates televisivos e radiofónicos, que vão preencher em pleno os quinze dias de pré-campanha eleitoral são, na opinião de José Adelino Maltez, para reforçar ou penalizar qualquer dos dois principais players desta corrida eleitoral. "Nos frente-a-frente, é provável que Costa e Rio empatem", afirma o politólogo. "Mas o confronto com os jogadores marginais - líderes dos partidos mais pequenos - será essencial para saber quem na bipolarização sai vencedor!"

"Nos frente-a-frente, é provável que Costa e Rio empatem. Mas o confronto com os jogadores marginais - líderes dos partidos mais pequenos - será essencial para saber quem na bipolarização sai vencedor!"

Adelino Maltez considera que António Costa estará em maior dificuldade nos debates com os antigos parceiros de geringonça, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins. "Vai ser duro nesta vertente", afirma, já que terão contas a ajustar pela crise política que se desencadeou a meio da legislatura e, ao mesmo tempo, dar sinais de estabilidade para o futuro. Já Rio com o adversários à direita, no caso Francisco Rodrigues dos Santos (CDS), André Ventura (Chega) e João Cotrim Figueiredo (IL), estará "mais confortável" na discussão política.

António Costa Pinto também atribui grande importância aos debates, mas sublinha que estes não substituem a campanha tradicional. "A campanha (que começa em meados de janeiro) serve de ligação entre os dirigentes, as máquinas partidárias e a sociedade, e é grandes motor de mobilização dos votos. Os debates não são um antídoto para esse problema da desmobilização do eleitorado", frisa o politólogo.

"A campanha serve de ligação entre os dirigentes, as máquinas partidárias e a sociedade, e é grandes motor de mobilização dos votos. Os debates não são um antídoto para esse problema da desmobilização do eleitorado."

Mas também considera que os debates entre os dois candidatos a primeiro-ministro com os outros líderes partidários darão pistas ao eleitores as soluções pós-eleições, os "sinais de agressividade ou de potencial empatia" para acordos de governabilidade.

Para António Costa Pinto essa será precisamente a mensagem essencial do líder do PS, a de que se manterá como um polo de estabilidade, até num contexto de pandemia e de incerteza sobre o seu futuro, quanto o líder do PSD "não se irá trair na campanha" e manterá que, mesmo que perca, ajudará a que o país tenha um governo estável.

Adelino Maltez remata com a ideia de que o resultado a 30 de janeiro também depende e muito do engenho e arte das agências de comunicação que estão a trabalhar para os dois partidos.

paulasa@dn.pt

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