Com o país em "vermelho menos denso", governo remete mudanças para a próxima semana

Há regiões que já travaram a tendência de crescimento de novos casos - como Lisboa -, mas em geral o que se mantém é um aumento em desaceleração. Por agora fica tudo como está, mas a próxima semana pode trazer algum alívio de medidas. Mariana Vieira da Silva diz que se aproxima o momento de mudança de políticas.

Um vermelho "menos denso". Foi com estas palavras que Mariana Vieira da Silva ilustrou ontem a situação da covid-19 no país, após um Conselho de Ministros que deixou tudo igual em termos de restrições. Mudanças só nos 26 concelhos que entraram para a lista de risco elevado ou muito elevado de contágios - e estes, sim, passam a reger-se pelas regras mais apertadas destes níveis. Decisões de maior envergadura só para a semana, depois da reunião com os especialistas do Infarmed, agendada para a próxima terça-feira.

E essas podem ir já no sentido de algum alívio, um primeiro passo na mudança de ciclo que o primeiro-ministro já anunciou para um futuro próximo, face ao avanço do processo de vacinação. Embora remetendo qualquer decisão para a próxima semana, Mariana Vieira da Silva referiu que "o Governo sempre disse que, no momento em que uma percentagem muito significativa da população tivesse as duas doses da vacina, seria o momento de mudança de políticas". "Aproximamo-nos desse momento", acrescentou a ministra de Estado e da Presidência, numa altura em que 47% da população portuguesa recebeu já as duas doses da vacina, e 64% receberam pelo menos uma dose. Uma percentagem que foi sublinhada pela ministra, que adiantou também que julho foi o mês em que se realizaram mais testes à covid-19. "O nosso esforço será para nos prepararmos para uma próxima fase, que ainda não será com total normalidade, mas que pode ser diferente daquela que vivemos", disse Mariana Vieira da Silva. Na última terça-feira, António Costa apontou a "libertação total da sociedade" - o momento em que será atingida a imunidade de grupo - para o final do verão.

Mas, pelo menos até à próxima semana, fica tudo como está. "Já podemos falar de uma situação de alívio? Claro que não", disse ontem Mariana Vieira da Silva, por entre indicadores que estão no tal vermelho menos escuro. O índice de transmissibilidade, embora se mantenha acima de um (1,09 no continente), é "menor do que foi nas últimas semanas". Já a taxa de incidência está agora, no território continental, em 421,3 casos por 100 mil habitantes. "Continua alto", sublinhou a governante. No Conselho de Ministros de ontem foi prorrogada a situação de calamidade em todo o território continental até ao dia 8 de agosto.

Pandemia atingiu o pico em Lisboa e Vale do Tejo

Se a situação mostra agora "um crescimento menor do que o que se tinha verificado até aqui", Mariana Vieira da Silva sublinhou que já há regiões que passaram o pico de casos. Um desses indicadores positivos reporta-se às regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Açores que já "estão fora de uma trajetória de crescimento", segundo a porta-voz do Conselho de Ministros. Um "sinal de que é possível inverter este caminho".

Ontem, Portugal registou 3622 novos casos e 16 mortes por covid-19, o número mais alto desde 22 de março, quando se registaram também 16 óbitos. Nesta altura estão hospitalizadas 860 pessoas com covid-19, 178 em unidades de cuidados intensivos. No total, há 52 988 casos ativos de covid no país.

Mais 26 concelhos no vermelho

Nesta altura há 116 concelhos em risco elevado e muito elevado de contágio (ver tabelas ao lado). São mais 26 que na semana passada, quando se contabilizavam 90.

São 61 os concelhos que estão em risco muito elevado de contágio por covid-19, o que significa que registam pelo menos 240 casos por 100 mil habitantes a 14 dias (ou 480 casos em concelhos com baixa densidade populacional). Eram 46 na passada semana.

Em situação de risco elevado (mais de 120 casos por 100 mil habitantes ou 240 nos concelhos com baixa densidade populacional) estão 55 municípios, contra os 44 da semana passada .

Em todos estes concelhos vigora o recolher obrigatório entre as 23.00 e as 05.00, o teletrabalho obrigatório e a obrigatoriedade de apresentar o certificado digital ou um teste negativo à covid-19 para acesso ao interior dos restaurantes ao fim de semana. Sobre esta questão em particular, Mariana Vieira da Silva clarificou ontem que os autotestes à covid-19 realizados pelos clientes da hotelaria e restauração, bem como os respetivos resultados, não devem ser guardados. A dúvida, levantada pelas associações da hotelaria e restauração, ficará explicitada na nova resolução do Conselho de Ministros. Além das limitações já enunciadas, a restauração, o comércio e os espetáculos culturais são também sujeitos a medidas mais restritivas nos concelhos em situação de risco elevado e muito elevado.

Há ainda 29 concelhos em situação de alerta, ou seja, com uma primeira avaliação de incidência superior a 120 casos por 100 mil habitantes. Para já, estes municípios não recuam no desconfinamento, o que só se concretizará na próxima semana, caso mantenham esta avaliação.

Já quanto à vacinação de jovens e crianças, um dia depois de António Costa ter anunciado no Parlamento a meta de vacinar com duas doses 570 mil crianças e jovens entre 12 e 17 anos até 19 de setembro, a ministra da Presidência foi cautelosa, afirmando que o Governo espera o parecer técnico da Direção-Geral de Saúde.

susete.francisco@dn.pt

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