Cascais. É possível um entendimento PS-Chega? "É praticamente impossível"

O PS, na oposição há vinte anos, apresenta-se agora em Cascais numa coligação com o PAN e o Livre. A candidatura é liderada por um independente que já foi...militante do PS. Gestor, Alexandre Faria preside ao Estoril, clube agora acabado de regressar à I Liga.

É candidato do PS a presidente da câmara de Cascais. É também presidente do Estoril Praia, que aliás regressou esta época (2021-2022) à I Liga de Futebol profissional. É ou não sensível ao argumento de que há em Portugal um problema de promiscuidade entre futebol e política?
Penso que não. Tive o cuidado de informar os órgãos sociais do clube - que é uma instituição sem fins lucrativos, de interesse público e responsabilidade social -, e ainda os sócios, em assembleia geral, que tinha aceite este convite que me foi feito ser o cabeça de lista do PS. Eles estão perfeitamente tranquilos e eu também em relação a essa circunstância. Mesmo quando antes exerci funções na câmara de Cascais também estava nos órgãos sociais do Estoril e nunca participei em qualquer tipo de votação [na autarquia] que envolvesse o clube. Não me parece que o clube tenha sido beneficiado com isso. Penso é que - e não resisto a dizê-lo - que desde que a minha candidatura foi anunciada que vários adversários políticos meus, da noite para o dia, passaram a acompanhar mais de perto o Estoril Praia. Pode ser que o clube venha a ser beneficiado com isso.

Não teme que o clube seja prejudicado pela autarquia, dado ser adversário do presidente da câmara?
Não, de maneira nenhuma. Diversos adversários estão neste momento a publicar imensas notícias sobre o Estoril Praia, de repente tornaram-se todos muito próximos do clube. Só tenho pena que depois não sejam coerentes e não sejam sócios.

Dessa promiscuidade do futebol com a política falou-se muito recentemente, a propósito das comemorações de rua do campeonato do Sporting. Parece que tudo aquilo aconteceu com o poder político a fechar os olhos a um acontecimento manifestamente perigoso, no atual contexto pandémico. Teme que essa imagem de impunidade do futebol atinja a sua candidatura?
De forma alguma. Tem de existir uma articulação muito próxima entre a autarquia e os diversos clubes da sua região. Cascais tem 111 clubes...

...mas só um está na 1ª divisão do futebol, o Estoril Praia...
...Precisamente. Mas não será por isso que deverá beneficiar de um regime especial nem ser perseguido. Tem de fazer parte de toda a história do concelho e respeitar essa identidade e as regras que são impostas a todos. Não pode haver nem benefícios nem prejuízos por isso. Deve ser capitalizado para projetar toda a região.

O seu compromisso é de, na câmara, enquanto presidente, se ganhar, ou vereador, se perder, não participar em decisões relativas ao clube. Esse compromisso abrange os outros membros da sua lista que forem eleitos?
Abrange. Nós fomos a primeira candidatura - e até agora a única - que subscreveu a Declaração de Compromisso do Autarca pelo Bom Governo. A transparência para nós é fundamental. Existirá um registo de interesses por parte de todos os eleitos - todos, sem exceção - e todos irão cumprir esse código de conduta, que também será adaptado às diversas especificidades da função de cada um. É importantíssimo que se dê este sinal e que se mostre que existe esta diferença e este cuidado com as questão das transparência e com a necessidade vincarmos muito bem as associações onde estamos e as ligações que existem.

Deixemos isto claro: se surgirem decisões na autarquia relativas ao Estoril Praia, os eleitos desta lista não participarão nessas decisões?
Não participarão e farão disso um exemplo. Falamos do Estoril Praia e de qualquer associação onde possa existir a mínima dúvida sobre algum tipo de conflitos de interesses.

Há quatro anos, o PS elegeu quatro vereadores num executivo de onze pessoas, das quais as outras seis são da lista do PSD (começando pelo presidente da Câmara, Carlos Carreiras), havendo ainda um vereador eleito pela CDU. O objetivo mínimo é tirar a maioria ao PSD?
O objetivo mínimo passa por governar Cascais nos próximos doze anos. Temos um concelho que está à deriva. E depois destes 20 anos de governação desta maioria de direita [o PSD governa Cascais coligado com o CDS], Cascais não tem rumo absolutamente nenhum e está ao sabor do vento. Sempre defendi que cada mandato autárquico deve estar associado a uma grande obra que diferencie o concelho e que de alguma maneira o consiga projetar com uma coerência estratégica para os próximos anos. Se recuarmos nestes 20 anos só encontraremos isso eventualmente, com algum esforço, na Casa das Histórias - Paula Rego, e essa curiosamente até foi uma obra do António Capucho [presidente PSD da câmara que antecedeu Carreiras]. É esta mudança que tem de acontecer. Acredito firmemente que Cascais vai mudar a partir de 26 de setembro.

Tudo o que acontecer a esta lista e que não seja uma vitória será uma derrota para esta candidatura, mesmo que a candidatura até suba o número de eleitos mas não consiga ser a mais votada?
Será uma derrota para a coligação "Todos por Cascais" formada pelo PS, o PAN e o Livre. Somos os únicos que estão a apresentar um programa de governo para os próximos 12 anos e os únicos que têm defendido determinados eixos importantíssimos e programáticos para o futuro. Parece-me que, de algum modo, somos os únicos preparados para governar estes tempos pós-pandemia.

Se Carlos Carreiras ganhar outra vez mas sem maioria, o PS está disponível para um acordo de governação com ele, nomeadamente assumindo pelouros - e o Alexandre Faria já foi vereador eleito pelo PS e já teve pelouros, sendo o presidente Carlos Carreiras -, ou não?
Penso que a pergunta deve ser feita ao contrário. Temos assistido a algum nervosismo da atual maioria e os indicadores que temos dão-nos uma confiança muito forte de que nós é que vamos governar Cascais.

Essa pergunta já foi feita a Carlos Carreira. Ele respondeu que, vencendo sem maioria, não fará acordos com ninguém. Proposta a proposta cada um assumirá as suas responsabilidades. O que pergunto é: se depender do PS a formação de uma maioria estável de governação, aceita ou não conversar?
Depende de dois fatores essenciais. O primeiro é que tem de existir uma identificação com aqueles que nós achamos que são os eixos programáticos para a próxima década; segundo, temos de revelar algum cuidado com estes fenómenos extremistas que estão cada vez mais a nascer. Ponderadas estas duas circunstâncias e sendo a nossa causa principal Cascais, sempre fui uma pessoa de consensos e sempre me pareceu possível encontrar entendimentos que sirvam melhor este consenso.

O PS avança aqui numa coligação com o PAN e o Livre. O que é que o Livre acrescenta dado que votos não são porque aqui quase não os tem?
Tenho notado dos meus adversários uma atenção especial em relação ao Livre. Atribuem-lhe um posicionamento que não corresponde de todo à verdade. Quando falamos em situações extremistas em Cascais, não estamos a falar desta natureza. Tem existido um apelo ao ódio, e que fomenta a ignorância, e que não retrata o trabalho extraordinário que temos vindo a desenvolver internamente. Poderia pensar que seria por desconhecimento mas não. É claramente uma situação de má-fé e de querer esconder uma proximidade a outro tipo de extremismos.

Da parte de quem vem esse apelo ao ódio?
Da maioria de direita.

Como é que esse apelo ao ódio se traduz concretamente?
Considerar-se o Livre como um partido extremista, de extrema-esquerda, é um erro completo e é fomentar o ódio e promover a ignorância. Revela que há uma preocupação excessiva com o Livre quando me parece que o contributo que o Livre poderá dar ao concelho é extremamente relevante.

Que medidas em concreto é que, no programa desta candidatura, se devem ao PAN e se devem ao Livre?
Tem sido um trabalho incrível, com os três partidos. E ter a possibilidade de liderar como independente esta coligação tem sido para mim um privilégio...

...convém dizer nesta altura que é independente mas ex-militante do PS. Ou seja: a candidatura do PS é liderada por um ex-militante do PS...
...Exatamente. O PAN e o Livre, sendo dois partidos de natureza iminentemente ambientalista, têm trazido contributos técnicos de grande valor que estão a enriquecer muito o nosso programa eleitoral. Quer nas questões da proteção do bem-estar animal, quer na questão da defesa da multiculturalidade - e Cascais é uma terra de tolerância e abertura a outras culturas, moram cá mais de cem nacionalidades -, este contributo técnico que tem sido dado tem sido profundamente enriquecedor e uma grande surpresa, para mim, no bom sentido. Já sabia que seria um contributo válido mas está a ser muito superior ao que eu esperaria. Vamos apresentar um programa onde todos sabemos do que falamos. Ter o PAN e o Livre a falarem de questões ecológicas e de questões ambientais não é a mesma coisa que, e já vi isso por aí, de se falar de situações que não sabem. Só nós poderemos colocar as alterações climáticas como prioridade.

Queria que, com grande espírito de síntese, me explicasse o grande desígnio programático desta candidatura para o próximo mandato autárquico.
Não posso fugir aos três eixos fundamentais. O primeiro, que já vem de há muito tempo e que estes vinte anos de governação de direita não conseguiram resolver, passa pelas diferenças enormes que existem entre o interior e o litoral do concelho. O combate a essas diferenças, através das questões da mobilidade e da criação de novas centralidades no interior, vai ser absolutamente prioritário. Os grandes investimentos vão ser feitos precisamente no interior. Este concelho não pode continuar a ter, como tem há vinte anos, um interior esquecido e abandonado. Depois, o segundo eixo estará muito focado nas questões da cultura...

...Na vereação em Cascais não existe o pelouro da cultura. Basicamente, quem está com isso é a Fundação D. Luís I. O que vai fazer em relação a isso?
Todo o universo municipal externo à câmara terá de ser repensado. Penso que é excessivo. Provavelmente não necessitamos de um número tão grande de empresas municipais e de agências municipais, inclusivamente no caso da fundação.

A Fundação D. Luís I é para extinguir?
É para repensar, na perspetiva de termos finalmente um pelouro da Educação e que pensa estrategicamente a cultura para o concelho para os próximos 12 anos e onde a Fundação D. Luís I se poderá encaixar como uma parte integrante da persecução dessas medidas.

Com Salvato Teles de Menezes continuando à frente da fundação ou não?

Pelo que já conversamos, sei que Salvato Teles de Menezes tem mandato ainda por mais tempo e que extravasa inclusivamente este mandato autárquico. É uma questão terá de se conversar. Em relação ao eixo da cultura, temos uma proposta que passa pela criação, inédita, de uma Escola Superior de Artes, transversal a todas as artes, desde a encenação à interpretação, media, digital, produção. Será um complemento dentro do ensino que já existe no concelho.

Isso está conversado com alguma universidade de Lisboa? Essa escola seria pública ou privada?
Está conversado. E terá uma cooperação público-privada e terá um fator de diferenciação: bolsas de estudos exclusivas para estudantes residentes no concelho.

E qual é o terceiro eixo?
As questões ambientais e de combate às alterações climáticas. A medida, absolutamente inédita, será a do pelouro do Ambiente passar ser transversal a toda a governação municipal e com a emissão de pareceres vinculativos em relação aos grandes projetos urbanísticos. Isto de maneira a que o Ambiente passe a ser a maior referência da governação municipal e Cascais passe a ser uma referência nacional nesta matéria.

Que balanço faz da gestão da pandemia no concelho de Cascais?
Isso tem necessariamente de ser feito medindo a eficácia da estratégia que foi adotada.

A eficácia mede-se em mortos?
Mede-se em número de infetados e infelizmente também no número de óbitos. Sendo este um combate onde todos devemos estar lado a lado, a utilização feita dos dinheiros públicos em Cascais no combate à pandemia deverá também ter em consideração a eficácia das medidas. Há cerca de duas ou três semanas, Cascais continuava a ser dos concelhos com maior índice de infetados. Lamento que as medidas anunciadas tenham servido mais como golpes publicitários do que propriamente com a redução do número de infetados. O dinheiro gasto em Cascais na pandemia não se repercutiu em menos infetados. E agora temos todos de estar juntos numa campanha pela vacinação jovem.

O aeródromo de Tires é geralmente visto como um passador de droga. Há ali um problema ou não, no seu entender? Aquilo é uma terra de ninguém onde pode acontecer tudo? Se sim, o que fará, sendo que o aeródromo é municipal.
Deixar passar duas décadas sem resolver este problema grave é algo que deveria ser devidamente pensado. Não só em relação ao equipamento em si, ao posicionamento estratégico que ele deverá ter na região - e naturalmente, no próprio país - mas também num reforço das medidas que já deveria ter sido feito há muito mais tempo. O que se ouve de situação dessa natureza [Tires como destino do narcotráfico] preocupa bastante e são factos que já existem há muito tempo e nada foi feito.

Medidas, então?
O compromisso é reforçar a segurança. E, atenção, não é só o aeródromo. Temos outras entradas que precisam de ser reforçadas. Por exemplo, a Marina de Cascais. Tem de merecer a mesma preocupação. Chegamos a ter aqui uma circunstâncias em que a delegação do SEF ou estava em Tires ou estava na Marina, não conseguia estar nos dois lados. Isto é absolutamente impensável. E a autarquia tem de responder a isso porque são equipamentos de responsabilidade pública.

Aqui há tempos o Governo anunciou grandes investimentos ferroviários, designadamente para a Linha de Cascais. Sente que o Governo, tendo feito este anúncio numa altura de pré-campanha eleitoral autárquica, terá de alguma tirado o tapete à sua campanha aqui em Cascais?
Não, de maneira nenhuma. É uma reivindicação muito antiga. Os próprios autarcas do PS já estavam a trabalhar neste dossier e a colaborar com ele junto do Governo, realçando a necessidade de se proceder à renovação do material circulante. Fiquei muito satisfeito porque me parece fundamental que se mostre a atenção que o Governo deve ter em relação a Cascais. Isto mostra também a necessidade de um reforço da articulação entre o Governo e a autarquia, nomeadamente nas medidas do PRR.

Este novo material circulante ainda irá demorar a chegar. É preciso ou não, no seu entender, uma terceira via de circulação Cascais-Lisboa, complementar dos carros ou da ferrovia? Esta candidatura tem algum compromisso nesse sentido?
Temos uma situação bastante dramática em Cascais, que tem de ser bem pensada e bem implementada. O problema da mobilidade interna dentro do concelho é dramático e tem de ser repensado. E isso tem de ser articulado com mobilidade externa [para quem entra ou sai do concelho]. Não podemos ter situações de munícipes de Cascais que para se deslocarem para os seus trabalhos em Oeiras, Sintra ou Lisboa não beneficiem do acordo global que existe na Área Metropolitana de Lisboa. Cascais optou por sair fora desse planeamento. Teve consequências e tem riscos. Uma visão integrada de tudo isto implica uma articulação em termos de Área Metropolitana de Lisboa (AML)

Promete nos próximos quatro anos desenvolver um serviço de autocarros que use a A5 que tente ser alternativo à ferrovia na ligação Lisboa-Cascais?
É um cenário que não afastamos, dentro da tal coordenação, que tem de ser feita ao nível da AML. O nosso grande compromisso passará por quem vive em Cascais tem de poder crescer em Cascais, receber a sua educação em Cascais e adquirir a sua casa em Cascais. Não está a acontecer. Estamos a perder talentos, pessoas a terem de trabalhar fora de Cascais e a passarem por estes tormentos de mobilidade. Cascais não pode continuar a ser um reino à parte de toda coordenação na AML.

O candidato do Chega é um ex-militante do PS. Como é que isto foi possível? Como é que olha para isto?
É uma questão que deverá ser colocada a ele. Temos de ter algum cuidado com estes fenómenos extremistas que vão surgindo.

Há algum compromisso da sua parte de que não conversará com o Chega, na futura vereação, se o Chega for eleito? Algum compromisso de que recusa entendimentos permanentes com o Chega?
Com quem não se identificar com os princípios programáticos desta coligação dificilmente poderá depois existir qualquer tipo de entendimento. Pelo que tenho visto e pelas posições que o Chega tem assumido, parece-me praticamente impossível que isso aconteça. Sou uma pessoa de consensos, gosto muito de promover consensos, mas reconheço que aqui pode ser um pouco difícil.

Mas não fecha uma porta definitiva.
Essa porta está fechada por esse próprio fenómeno. Não me parece que exista qualquer tipo de possibilidade de entendimento.

Acha que importa a esta candidatura dizer aos potenciais eleitores do Chega que, no que depender do PS, nunca o Chega terá uma migalha de poder e portanto o seu voto será vazio de sentido?
Qualquer eleitor de Cascais é importante, vote em quem votar. No entanto, parece-me que só existem duas alternativas de gestão, e bastante diferentes entre si. Só há duas opções: ou esta maioria de direita, com a qual não se percebe o rumo para Cascais; ou esta visão de futuro para os próximos doze anos protagonizado pela minha candidatura. O eleitor de Cascais, que é bastante consciente e lúcido, saberá escolher entre estes dois grandes modelos de governação.

Reconhece em Cascais um problema de elitismo? Há os que não gostam de ver a vila frequentada por pobres vindos do interior ou por miúdos afrodescendentes vindos de outros concelhos suburbanos da AML? Isso poderá potenciar voto no Chega?
Já residi no interior e no litoral deste concelho. Conhecendo-o como conheço, há mais de três décadas, penso, e acredito muito nisso, que existe um litoral que se envergonha do estado em que o interior do concelho está...

...mas também existe um litoral que se está nas tintas para o interior e que não quer misturas...
...Gosto de pensar que isso não acontece. Não penso que isso aconteça. Há muito a ideia do elitismo do litoral...

...um elitismo que gosta de turistas estrangeiros mas que não gosta de afrodescendentes de Loures a frequentarem as praias do concelho...
...essa é precisamente a visão do concelho que não queremos. Cascais é só um e deve ser solidário entre si e deve proporcionar as mesmas oportunidades a todos, querem morem no litoral ou querem morem no interior.

Que qualidades vê na atual gestão Carreiras?
Penso nos diversos equipamentos e no investimento que se foi tentando trazer - mas sempre muito centrado no litoral. Continuo a insistir que houve uma aposta desmesurada no litoral. E há uma situação francamente grave, na habitação. Temos muitas famílias que não conseguem continuar a residir em Cascais e têm de o fazer em concelhos limítrofes. Por isso vamos ter um programa fortíssimo de habitação municipal a custos controlados em formato de cooperativa de habitação com utilidade pública e sejam geridas pela Câmara Municipal. Não podemos por uma questão de ganância na receitas municipais promover a especulação imobiliária, conforme tem acontecido.

Já foi militante do PS, já deixou de ser, e hoje é candidato independente numa lista do PS. Admite regressar ao partido?
Prezo muito a minha independência. Estou perfeitamente convicto de que é esta minha independência que conseguiu as pontes necessárias para se fazer esta coligação inédita e histórica - e única nos 308 municípios. É essa minha transversalidade e a possibilidade de gerar consensos que permitiu que se concretizasse. Na génese disso está a minha independência, que permite criar estas pontes.

Regressar à militância não é portanto um cenário que se perspetive.
O meu foco e a minha causa é Cascais.

A CNE aprovou uma deliberação obrigando Carlos Carreiras a retirar da sua página do Facebook os conteúdos alusivos à atividade enquanto autarca. Concorda? Ou preferia que a CNE não andasse a dar publicidade ao candidato Carreiras?
Fiquei surpreendido com a reação despropositada e bastante nervosa do ainda presidente da Câmara. Parece-me inaceitável que tenhamos livros e brochuras da câmara, com slogans da candidatura da maioria de direita, a serem distribuídos nos centros de vacinação, utilizando o dinheiro de todos e misturando o que são os recursos de todos com uma candidatura partidária. Esta reação pareceu-me do género Alberto João Jardim. Revela o tal desgaste profundo destes vinte anos de governação, onde já não se consegue discernir o que existe de candidaturas e o que existe de recursos institucionais e públicos, que não podem ser misturados. A CNE esteve muito bem e até deveria ter ido mais longe.

Se vencer, qual será a sua primeira medida?
Temos um problema muito complicado, que é o do preço da água. Temos a água mais cara da AML. Essa é uma situação que será a primeira a ser revista, através da revisão do contrato de concessão. Já foi revisto quatro vezes por esta maioria, ao longo dos últimos vinte anos, e nunca alterou o preço da água. É insuportável e inaceitável que o preço continue como está.

A reforma do mapa das freguesias fundiu a Parede e Carcavelos numa só freguesia, bem como Estoril e Cascais, noutra.
Essas uniões de freguesias, Carcavelos-Parede e Cascais-Estoril, têm acentuado ainda mais as diferenças entre litoral e interior, dentro inclusivamente de cada freguesia. É algo que merece ser repensado. Cascais tem quatro das maiores freguesias do país. Tem a maior delas todas, Cascais-Estoril, e quatro das maiores que existem. Isto tem levado a que exista e uma perda de identidade das próprias centralidades dentro de cada espaço.

Retomando o mapa antigo?
Sim, retomando o mapa antigo.

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