Bruno Horta Soares: "Muitas vezes não se sabe onde acaba Fernando Medina e começa António Costa"

O candidato da Iniciativa Liberal à presidência da Câmara Municipal de Lisboa critica a "falta de independência entre a capital e o governo" e quer que a autarquia "deixe de ser o centro de decisão da cidade".

Elsa Araújo Rodrigues

Mora em Lisboa?

Moro em Lisboa.

Em que freguesia?

Parque das Nações.

Se for eleito presidente da Câmara Municipal de Lisboa, qual é a primeira coisa que muda na cidade?

A primeira coisa que nós queremos colocar na cidade é uma agenda liberal. E, para isso, é preciso começar por modernizar a Câmara Municipal de Lisboa, que neste momento é o centro de decisão da cidade. E isso não pode continuar. A Câmara Municipal de Lisboa tem de ser a plataforma que permite à cidade desenvolver-se e não centralizar todas as decisões. A intervenção atual da câmara é um exagero para aquilo que se prevê ser a necessidade de resiliência e de preparação para uma cidade do futuro. A isto eu chamo uma cidade mais inteligente, que é capaz de utilizar as novas tecnologias, a inovação, para ser uma cidade que vai conectar todas as pessoas, todos os ativos e vai realmente energizar a cidade - não dependendo só da câmara municipal, mas a própria cidade a crescer sozinha.

O concelho de Lisboa ganha ou perde pelo facto de ser simultaneamente a cidade capital e sede do governo?

Lisboa ganha sempre. Lisboa tem uma enorme responsabilidade, não só de ser uma cidade de exemplo, uma cidade de referência em Portugal, mas tem a responsabilidade de ser uma cidade de referência na Europa e no Mundo. Queremos uma cidade que seja boa para as pessoas viverem mas que também seja boa para as pessoas visitarem. E para que isso aconteça, não podemos estar permanentemente nesta falta de independência entre a cidade de Lisboa e o governo. Nesta relação em que muitas vezes não se sabe onde é que acaba Fernando Medina e onde é que começa António Costa. Queremos comparar-nos com o resto da Europa, com outras cidades, muitas delas para onde os jovens estão a emigrar porque reconhecem que a cidade de Lisboa já não é capaz de avançar, já não é capaz de transformar as suas vidas. Queremos que a cidade volte a ser uma referência e um exemplo para as cidades portuguesas, mas também um exemplo para as cidades lá de fora.

O que é que não pode prometer aos lisboetas?

Não posso prometer que me vou continuar a meter na vida deles. [Isso] para nós é muito importante - eu tenho falado com muitas pessoas - e a pergunta que lhes faço é: como é que a Câmara Municipal de Lisboa pode sair da vossa frente, como é que a Câmara Municipal de Lisboa não deixa ninguém para trás? Para nós é claro o que a Câmara Municipal tem de deixar de fazer - tem de deixar de estar na vida das pessoas. E é a isso que nós chamamos reprogramar. Não basta fazer uma obra aqui, uma obra ali, cosmética aqui, cosmética ali. É verdadeiramente importante fazer diferente. Acreditamos que a Iniciativa Liberal é a única proposta verdadeiramente alternativa àquilo que são os jogos de poder dos partidos que já estão na cidade há muito tempo e que não a conseguem fazer avançar. Acreditamos mesmo que esta é a hora da Iniciativa, de uma agenda liberal na cidade.

Se for eleito presidente da Câmara Municipal de Lisboa, isso será um meio ou um fim na sua carreira política?

A minha carreira política começa com esta candidatura e podia acabar já com esta candidatura. Se eu tivesse na minha carreira política, no meu currículo político - Bruno Horta Soares, presidente da Câmara Municipal de Lisboa - seria uma enorme felicidade para Lisboa, para os meus filhos e para todos os outros. Estou verdadeiramente, genuinamente, nesta campanha e quero só, exclusivamente, ajudar a cidade de Lisboa a desenvolver-se.