Instado a comentar o possível apoio a algum candidato na segunda volta das Presidenciais, Luís Montenegro disse, logo na ressaca eleitoral, que “o espaço político do PSD não está representado na eleição” e afirmou que está “focado em governar o país” não se furtando, até como presidente do PSD, a comentar o tema. Inclusivamente no debate quinzenal da semana transata. Mas não alterou a posição. E a estratégia não deverá sentir abalos internos, pelo que o DN pôde saber junto de fontes ministeriais durante conversas tidas durante a última semana. Estas fontes dizem ao DN que os líderes das pastas do Governo estão sensibilizados para a importância de se manterem indisponíveis para comentar o sentido de voto ou possíveis apoios para a segunda volta, cientes de que, à disposição de jornalistas durante vários eventos, serão confrontados com o assunto.Em reuniões informais, fora do Conselho de Ministros, o conjunto do Executivo percebe a linha estratégica e mantém-se à parte da discussão política. E, mesmo em debates parlamentares, procurou que isso não fosse assunto discutível. Como tal, pelo que o DN pôde saber, é expectável que não haja qualquer divulgação pública de sentido de voto ou apoio a qualquer dos candidatos, apesar de, durante a primeira volta, vários tutelares das pastas se terem colocado ao lado de Luís Marques Mendes, em consonância com o partido. Nenhum dos ministros divulgou apoio a outro candidato.É importante referir que o primeiro-ministro se tem mantido irredutível em alterar a sua posição, mesmo apesar dos vários notáveis e ex-ministros de Passos Coelho e Durão Barroso se terem colocado ao lado de Seguro. Acresce dizer que Cavaco Silva, histórica figura, talvez a personalidade com mais peso político no PSD, também elogiou o socialista, o que levou Marques Mendes, que sempre se declarou contra o extremismo de Ventura, a anunciar a intenção de voto para a segunda volta. Não tendo alterado a posição até aqui, não é expectável que Montenegro o faça.Essa postura é respeitada pelos ministros que tem a seu lado e não foi preciso uma indicação explícita de que se torna crucial não manifestar publicamente qualquer contradição com Montenegro, sob pena de ferir o Governo e alimentar a crítica vinda da oposição. Além disso, o Executivo, composto por 16 ministros, tem um núcleo fortíssimo vindo das altas instâncias do PSD, estando, portanto, perfeitamente ciente de qual deve ser a estratégia a tomar. Por exemplo, quatro destes são vice-presidentes da Comissão Política Nacional do PSD: Leitão Amaro, Paulo Rangel, Miguel Pinto Luz e Margarida Balseiro Lopes, tutelares da Presidência, Negócios Estrangeiros, Infraestruturas e Cultura, respetivamente.Nuno Melo, ministro da Defesa, é também o presidente do CDS-PP e, por isso, deixou claro que o posicionamento do partido seria de neutralidade, o que também se tem visto na própria bancada parlamentar.Pelo que o DN pôde apurar, os sociais-democratas identificam que Seguro é o candidato preferencial, por dois motivos claros: diz que vai supervisionar o Governo, mas promete estabilidade política, aliás como fez com Passos Coelho quando era oposição; e porque se tem posicionado ao centro na Economia.Em conversas de corredores, o próprio PS, revelam fontes socialistas ao nosso jornal, calcula que o voto social-democrata seja massivo no candidato. É, no entanto, evidente para Luís Montenegro que, se dissesse publicamente que Seguro poderia ser o melhor candidato entre os dois disponíveis, não marcaria diferenças face ao PS e daria argumentos a que Ventura tentasse colar a ideia de que os dois partidos que alternaram governações em Portugal estão unidos contra o Chega. Numa possível futura eleição legislativa, o primeiro-ministro poderá dizer que esteve à margem e não tentou influenciar a eleição. .Presidenciais: Montenegro reitera que não vai apoiar nenhum candidato porque está focado em governar.Marques Mendes declara apoio a António José Seguro na segunda volta das Presidenciais.Presidenciais 2026. Cavaco Silva irá “naturalmente” apoiar Seguro