A luta entre a direita e a esquerda que marcou o 50.º aniversário da Constituição da República Portuguesa deve ter prolongamento na evocação que a Assembleia da República realiza na manhã deste sábado, assinalando os 52 anos do 25 de Abril de 1974, com os dois lados do hemiciclo a recorrer ao passado para analisar o presente e antecipar o futuro. Em registos diversos, a primeira evocação parlamentar da Revolução dos Cravos desde que António José Seguro foi empossado Presidente da República deverá ficar marcada por intenso combate ideológico. Com o PSD a afastar surpresas, depois de nas últimas duas sessões solenes do 25 de Abril optar por Ana Gabriela Cabilhas e Teresa Morais, deverá ser o líder parlamentar Hugo Soares a falar, sendo provável que a intervenção aborde desafios da atualidade marcada pelo Pacote Laboral considerado necessário para reforçar a competitividade do país.Quanto a André Ventura, que assume pela primeira vez a liderança da oposição nas comemorações parlamentares do 25 de Abril, dificilmente se desviará do discurso que levou alguns convidados - como o antigo líder do PCP e deputado constituinte Jerónimo de Sousa - a levantarem-se das galerias da Assembeia da República na cerimónia do 50.º aniversário da Constituição. Nessa sessão, o líder do Chega disse que “pouco depois do 25 de Abril havia mais presos políticos do que havia antes do 25 de Abril de 1974”, sendo provável que retome essa visão do período revolucionário, tal como no debate televisivo que o opôs ao ex-deputado do PSD Pacheco Pereira. Também mal recebida no lado esquerdo do hemiciclo deve ser a intervenção da Iniciativa Liberal, pela primeira vez a cargo de Mariana Leitão. A líder partidária irá centrar-se na ideia de que a promessa de liberdade trazida pela Revolução continua por realizar, devido aos “impostos que massacram quem trabalha e cria valor” e ao “Estado sempre no caminho” dos portugueses. Ainda entre os partidos de direita, o CDS-PP será desta vez representado por João Almeida, sendo expectável que o grupo parlamentar centrista mantenha a estratégia de se afirmar como a ala mais conservadora da coligação que apoia o Governo de Luís Montenegro.Depois de duas intervenções do agora regressado a São Bento Pedro Nuno Santos, em 2024 e 2025, o PS terá no sábado José Luís Carneiro a tomar a palavra. Apesar do rótulo de centrista, o secretário-geral socialista deverá manter o discurso de defesa do impacto da Revolução de Abril na vida dos portugueses, contrastando com o “simulacro de negociação” que o seu partido aponta ao Executivo da AD no que diz respeito à reforma da legislação laboral. E dificilmente faltarão críticas ao que o PS considera ser a colagem do centro-direita ao Chega, traduzida na nova aprovação da Lei da Nacionalidade.Pelo Livre, que desde a última sessão comemorativa passou a ter a maior bancada à esquerda do PS, volta a ser Rui Tavares a intervir, depois de no ano passado ter sido a outra co-porta-voz do partido, Isabel Mendes Lopes. E o PCP também altera o orador, com Alfredo Maia, eleito pelo círculo do Porto, a tomar a palavra pelo partido tradicionalmente mais irredutível no que toca à “defesa das conquistas de Abril”.Também haverá intervenções dos deputados únicos do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, do PAN, Inês de Sousa Real - que será a única “repetente”, além de Ventura, da sessão do ano passado -, e do Juntos pelo Povo, o que acontece pela primeira vez. O madeirense Filipe Sousa irá defender que “celebrar Abril é escolher” e não só lembrar. E que isso implica “escolher se queremos unidade na diferença, construindo e reerguendo um Portugal moderno, da Madeira aos Açores, do Minho ao Algarve, e não apenas o Portugal as grandes cidades”. Mas também defenderá que “a liberdade não é um dado adquirido” e que o país vive tempos “em que discursos de ódio, disfarçados de opinião, procuram dividir o que Abril uniu”..Seguro fala do acesso à Habitação para dizer que "não é a Constituição que impede resolução dos problemas".25 de Novembro. Marcelo fala de “temperança” num dia marcado por ataques com flores