É esta segunda-feira (9) a tomada de posse do novo Presidente da República, António José Seguro, o 21.º a ocupar o cargo na história da República de Portugal. O primeiro socialista em 20 anos a pisar Belém partilha preocupações com o partido onde fez carreira como militante desde a juventude, o qual liderou há quase década e meia, estando, por isso, empenhado em garantir que a Justiça não sofre perturbações vindas do sistema político, em procurar garantias de que o Serviço Nacional de Saúde é reforçado e também que os direitos sociais, a igualdade e uma lei laboral equilibrada possam ser alcançadas ao longo do mandato.Mas há também claras posições económicas que o aproximam de Luís Montenegro, da AD, ou pelo menos de um PS mais ao centro. Pelo que o DN pôde saber, Seguro tem vindo a procurar aconselhamentos nas mais diversas áreas e na economia, até tendo em conta o passado como empresário, valoriza contributos de dentro e fora da política. Um dos mais importantes, sabe o DN, é o de Jorge Marrão, presidente e um dos fundadores do Movimento Europa e Liberdade que, em 2019, vincava a importância de se decidir ao centro para potenciar a continuidade de políticas no país, sem deixar de assinalar a meta do movimento de conseguir colocar a direita a falar entre si, encontrando uma arquitetura de soluções, ainda antes de o Chega ter o peso eleitoral que conquistou. O economista reuniu antigos apoiantes de Passos Coelho para um evento em torno de António José Seguro, há menos de cinco meses, sabe o DN. Tendo em conta o reaparecimento público do ex-primeiro-ministro - a quem Seguro viabilizou o Orçamento do Estado em tempos de Troika - e de o seu nome ter sido badalado durante a campanha presidencial, a associação de Jorge Marrão e de outros passistas, de independentes a figuras fora da política, em torno do novo Presidente da República reforça a ideia de que Seguro terá um papel de vigilância ativa na economia, nos fundos de desenvolvimento territorial e na necessidade de desenvolver indústria e exportações. Todas estas matérias não têm sido esferas de influência de outros Presidentes da República, mas também por isso se espera que os diálogos com Luís Montenegro à quinta-feira sejam verdadeiros fóruns de ideias nas diversas matérias. .“Expectativa positiva”. Seguro só não convence os eleitores do Chega. Seguro falou, informalmente, com muitos dos futuros integrantes da Casa Civil, mas pediu-lhes, por respeito pelas funções de Marcelo Rebelo de Sousa, que não confirmassem à Imprensa o seu futuro. O DN, no último mês, tem contactado diversas fontes, que resumem a ideia de que só após dia 9 se começarão a tornar oficiais os homens e mulheres-sombra do Presidente. Como o DN adiantou a 9 de fevereiro, há um núcleo duro importante em termos políticos que contempla João Soares, filho do histórico Mário Soares, Duarte Cordeiro, ex-ministro do Ambiente, Miguel Teixeira, António Galamba e Paulo Lopes Silva, atual deputado e diretor de campanha. Na Economia, Óscar Gaspar, antigo assessor de Sócrates de 2005 a 2009, prosseguiu o aconselhamento a Seguro e é um dos nomes maiores; Susana Peralta também esteve desde o início com o socialista. As pontes com o Largo do Rato deverão fazer-se por Filipe Santos Costa, um dos autores da moção estratégica de José Luís Carneiro para o próximo congresso. Na Saúde, Adalberto Campos Fernandes e Ana Jorge, ex-ministros da tutela, mas principalmente Álvaro Beleza, diretor do Serviço de Sangue do Hospital de Santa Maria. Os ex-ministros socialistas, Alberto Martins e Nuno Severiano Teixeira, são vitais na leitura da Justiça e Defesa. Na posição internacional - europeísta, mas de reconhecimento à importância dos EUA na proteção mundial -, o Instituto Português para as Relações Internacionais tem influência maior: Carlos Gaspar, que aconselhou Eanes, Soares e Sampaio e esteve 30 anos na Casa Civil; além de Sónia Sénica e Ana Santos Pinto; a diplomata Manuela Teixeira Pinto, representante de Portugal em Bruxelas, foi recrutada para a Casa Civil. Vitalino Canas, próximo de Seguro, aconselha em matérias de assuntos constitucionais também..Exigente, próximo e moderado. O que os alunos do professor Seguro esperam dele em Belém. O plano da tomada de posseHoje, Seguro será recebido na Assembleia da República numa sessão solene com as bancadas parlamentares, onde também estará Marcelo Rebelo de Sousa. Após São Bento, abrirá o Palácio de Belém à população, rumando ao Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, onde deu aulas e comunicou já que suspenderia essa atividade enquanto é Presidente da República. Está prevista uma receção no Palácio da Ajuda, local onde estará acompanhado dos vários amigos e conselheiros neste trajeto de nove meses, desde que anunciou, formalmente, a candidatura, e condecorará o antecessor, Marcelo Rebelo de Sousa, respeitando a tradição. São esperados vários chefes de Estado internacionais, destaque para João Lourenço, presidente de Angola, que se junta aos congéneres de Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Da lusofonia, só o Brasil e Guiné-Bissau não se farão representar pelos seus presidentes. Lula da Silva já o confirmara por motivos de agenda, a Guiné, como se sabe, enfrenta uma situação delicada, com a deposição de Umaro Embaló e já sendo pública a instabilidade negocial e diplomática com Portugal desde a ascensão de Horta Inta-A Na Man. São esperadas figuras diplomáticas de vários países europeus. Pelo que o DN pôde apurar, o rei de Espanha, Filipe VI, marcará presença durante o dia. Celebrações ao detalhe e idas às regiõesParlamentoAguiar-Branco abrirá, no Parlamento, a sessão de tomada de posse de Seguro. Na sala do Plenário, declarará o cumprimento da Constituição e a subscrição da declaração de compromisso. Após o discurso de Aguiar-Branco existirão os 21 tiros da artilharia naval, o hino nacional e a despedida de Marcelo Rebelo de Sousa. Seguro receberá cumprimentos do primeiro-ministro e dos titulares principais dos cargos de Justiça.ISCSP e Palácio da AjudaNa freguesia da Ajuda, pouco ao lado do Palácio de Belém, cujos jardins estarão abertos à população a partir das 15h30, existirão duas iniciativas. No Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), Seguro reunirá com jovens e ex-alunos da faculdade na qual já comunicou abdicar de dar aulas pela nova função. No Palácio da Ajuda, a 500 metros de distância, terá chefes de Estado e principais apoiantes reunidos, e condecorará o antecessor, Marcelo Rebelo de Sousa. Regiões no mapa no dia 10António José Seguro prometeu quatro Presidências abertas regionais e andará pelo país na terça-feira, vincando a importância do interior e das regiões. Primeiro, irá a Mourísia, aldeia afetada por incêndios em 2025, e no concelho onde tem antepassados, Arganil, contactando aí com populações. Seguirá para Guimarães, capital verde europeia 2026, onde participará num laboratório, contando com a presença de Maria Graça Carvalho, ministra do Ambiente. No Porto, será recebido por Pedro Duarte, presidente da Câmara, ao final da tarde. .Seguro quer voz ativa internacionalmente e Carneiro vai confrontar Montenegro .Atento às tensões internacionais, Seguro chama diplomata para a Casa Civil.O que prometeu António José Seguro e como entende os poderes presidenciais.Presidente de Angola junta-se parceiros lusófonos na tomada de posse de Seguro