António José Seguro terminou o comício em Lisboa nesta quinta-feira com um ataque direto a André Ventura, esperando, por isso mesmo, que os eleitores compreendam a importância de votar. "Trabalharei cada dia dos meus cinco anos de mandato, em troca peço que trabalhem arduamente para levar o máximo de portugueses a votar. Dizem-me muitas vezes que está ganho. Pois bem, não está ganho, isso é o que o nosso adversário quer que se pense. É preciso votar para não acordarmos com um pesadelo no domingo", vincou o candidato apoiado pelo PS.Foi visível o desagrado por André Ventura ter usado o espaço mediático para pedir o adiamento das eleições, o que, constitucionalmente, não seria possível, porém durante o dia Seguro não foi confrontacional. Desta feita, à noite, no Fórum Lisboa, perante os apoiantes, viu nas declarações do opositor "uma pequenina manobra." "Quanto mais votos tiver, mais força eleitoral tem o Presidente da República para fazer exigências ao Governo", posicionou-se.Usando uma ideia semelhante a Churchill, de valorizar a Cultura como forma de motivação para o combate pelos valores da liberdade, Seguro disse que essa [Cultura] "é o maior antídoto para os autoritarismos." Disse mesmo que "talvez nunca tenha sido tão fácil ver o que é tão claro", enumerando que André Ventura "utiliza métodos que não são da democracia, opta pela desinformação e por tentar dividir o povo português.""Não são definitivos os valores da liberdade, solidariedade e justiça social. Estes dois caminhos podem ser sintetizados: nós queremos mudar o regime, o outro candidato quer mudar de regime. Não me surpreende que a nossa candidatura acolha tantos que não estariam no mesmo espaço político. Porque percebem onde deviam estar e acolhemo-los. São todos bem-vindos, é a candidatura dos democratas e um espelho do que ambiciono fazer como Presidente da República", prosseguiu.Estabeleceu a Saúde como prioridade para 2026, a demografia para 2027 e vincou o relevo de "habitação a custos justos, oportunidade para os jovens, mitigação da desigualdade salarial entre homens e mulheres e o combate à violência doméstica e à pobreza."Presidência aberta ao jeito de SoaresO termo Presidência aberta é caro para os socialistas. A iniciativa de maior proximidade de Mário Soares como chefe de Estado (1986-1992) descentralizou e valorizou as regiões. Seguro fez promessa semelhante. "Vou fazer uma Presidência aberta, o tempo que for preciso, na zona Centro nestes quatro distritos mais afetados. Assumo ser um Presidente próximo das pessoas e uma ação para ajudar os portugueses", salientou sem precisar os locais em concreto. Sabe-se que, indiscutivelmente, Leiria, Coimbra e Santarém foram os mais prejudicados, mas Setúbal, Portalegre e Castelo Branco também têm elevados danos a registar.Críticas ao GovernoO candidato que promete "estabilidade" e que se pronuncia contra as dissoluções do Parlamento já refere que vai "fazer exigências ao Governo". E em dias consecutivos ataca a gestão na depressão Kristin. "O Estado não está preparado para as intempéries, que serão cada vez mais frequentes. As alterações climáticas não são um mito. A ajuda tem de chegar na altura certa às famílias e aos empresários. Temos de fazer com que os instrumentos do Estado sejam geridos de forma eficiente. É inaceitável que passado uma semana existam pessoas sem telecomunicações. Não é próprio de um país do século XXI, precisamos de planos de redundância e de emergência", aponta, defendendo um rácio de geradores pelo país, pedindo o "fim da cultura de improviso", lembrando que existem tecnologias para "ver quais são as vias que estão ocupadas, que estão inundadas." Sem detalhar, também apontou a necessidade de "melhor articulação das forças armadas com a proteção civil." .Seguro alarmado com ação do Governo: "Estado não está preparado para situações de catástrofe e tem de estar".Campanha de Seguro em Lisboa não teve as principais figuras do Partido Socialista.Seguro categórico sobre o pedido de adiamento das Presidenciais: "Eleições devem realizar-se"