O deputado social-democrata Ricardo Bastos Sousa, que no ano passado recorreu ao Tribunal Constitucional quando a direção nacional do PSD travou a sua candidatura à Câmara de Espinho, acusando Luís Montenegro de fazer "um ajuste de contas pessoal", foi reeleito presidente da concelhia neste sábado. Teve mais dois votos do que Carolina Marques, igualmente deputada e antiga líder da Juventude Social Democrata de Espinho, que teve o apoio de figuras próximas do primeiro-ministro, incluindo a sua mulher, Carla Montenegro. Ricardo Bastos Sousa tinha sido eleito presidente da concelhia em 2024, numa lista única, mas viu-se relegado na disputa autárquica do ano seguinte. O PSD preferiu apostar em Vítor Ratola, adjunto do primeiro-ministro e antigo vice-presidente da Câmara de Aveiro, que acabou por ser eleito presidente da Câmara de Espinho, derrotando o socialista Luís Canelas, após a liderança de Pedro Nuno Santos decidir não candidatar a presidente em exercício Maria Manuel Cruz. A autarca, que encabeçou um movimento de cidadãos, substituíra Miguel Reis, que renunciou ao ver-se envolvido na Operação Vortex, enfrentando acusações de corrupção relacionadas com projetos imobiliários e licenciamentos urbanísticos, tal como o social-democrata Pinto Moreira, seu antecessor à frente da autarquia. Perante as acusações de intervenção direta de Luís Montenegro feitas pelo agora reeleito líder concelhio de Espinho, a distrital social-democrata de Aveiro garantiu que a escolha de Jorge Ratola se deveu a "enormes qualidades humanas, profissionais e políticas" que considerou "amplamente reconhecidas pelos militantes do PSD e por todos os que o conhecem". E realçou que Ricardo Bastos Sousa foi o único a votar contra essa decisão na reunião da comissão política distrital.Ao anunciar que procuraria um segundo mandato, Ricardo Bastos Sousa assegurou que "não era uma candidatura contra ninguém", e sim "uma candidatura pela democracia e pela autonomia da concelhia". Mas não esqueceu que, no primeiro mandato, "não nos foi dada a autonomia que a concelhia de Espinho sempre teve, ao longo de mais de 50 anos". Já a sua adversária, Carolina Marques, apresentou-se com "sentido de responsabilidade e de compromisso com o partido", advogando "um PSD mais unido, mais mobilizador e mais próximo". A disputa interna social-democrata em Espinho também teve polémica nas redes sociais, pois o coordenador autárquico do PSD, Pedro Alves (que foi eleito presidente da concelhia de Viseu neste sábado), comentou "se tivesses vergonha, ficavas quietinho" na publicação em que Ricardo Bastos Sousa anunciou a recandidatura à concelhia, levando-o a responder que não se vergaria, "por mais torpes que sejam as ameaças, por mais inaceitáveis que sejam as pressões".