Eurico Brilhante Dias.
Eurico Brilhante Dias.Foto: Leonardo Negrão

PS acusa Chega de dar "ponto de fuga" ao Governo no combate à subida do custo de vida

Líder parlamentar socialista classifica propostas do partido de André Ventura como um "embuste" sem eficácia imediata para apoiar as famílias com os combustíveis, alimentação e habitação.
Publicado a
Atualizado a

O líder parlamentar do Partido Socialista, Eurico Brilhante Dias, acusou o Chega de estar a "libertar o governo do ónus de apoiar as famílias portuguesas", ao mesmo tempo que defendeu medidas urgentes de alívio financeiro, sustentando que "os portugueses não vão aguentar até janeiro".

Para o dirigente socialista, os projetos de resolução apresentados pelo PS representam a "eficácia possível dos partidos da oposição" para o atual ano orçamental, contrapondo-os às iniciativas legislativas do Chega, que classificou duramente pois só teriam aplicação para o próximo ano.

"Um embuste, um absoluto embuste. Um engano, porque é evidente que estes projetos-lei não serão discutidos em toda a sua profundidade na especialidade", declarou Eurico Brilhante Dias, em conferência de imprensa, sublinhando que a proposta do Chega "não terá eficácia em 2026, como não terá a sua votação final global, quanto mais a sua promulgação, antes que seja conhecida a proposta de lei do Orçamento do Estado".

O líder da bancada do PS reiterou que o executivo PSD/CDS-PP deve "ajudar, já hoje, os portugueses nos combustíveis, no cabaz alimentar", sobretudo num período em que "o custo de vida está a atingir máximos nos últimos três anos" e as famílias enfrentam dificuldades severas para suportar encargos essenciais, como a prestação da casa.

Na perspetiva de Brilhante Dias, o Chega tem funcionado sistematicamente como um facilitador do executivo: "Trata-se, mais uma vez, de dar um ponto de fuga ao governo. Assim foi com a moção de censura, assim foi com o alegado assalto ao gabinete do Chega. Enquanto o PS pensava nas pessoas, pensava no custo de vida e como é possível suportar".

O confronto surge num quadro de troca mútua de acusações entre os dois partidos sobre a autoria e a prioridade das medidas destinadas a mitigar a inflação — designadamente a descida temporária do IVA dos combustíveis de 23% para 13% e a aplicação de taxa zero no cabaz de bens essenciais. Até à data, o Chega inviabilizou as recomendações do PS e os socialistas chumbaram os projetos de lei do Chega.

Sem revelar para já o sentido de voto da bancada socialista nas iniciativas do Chega agendadas para 24 de setembro, Eurico Brilhante Dias não excluiu a hipótese de viabilizar alterações ao IVA dos combustíveis e bens alimentares para 2027 em sede de discussão do Orçamento do Estado, caso o Governo até lá não tome medidas.

Eurico Brilhante Dias.
José Luís Carneiro acusa Governo de “faltar à verdade” sobre receitas dos combustíveis
Eurico Brilhante Dias.
Carneiro acusa Ventura de tentar enganar portugueses sobre preço dos combustíveis
Eurico Brilhante Dias.
PS: Fernando Alexandre é candidato a pior ministro da Educação desde o 25 de Abril
Diário de Notícias
www.dn.pt