Luis Montenegro, Miguel Pinto Luz e Miranda Sarmento no final do briefing após reunião do Conselho de Ministros em que se decidiu que a Lufthansa é a vencedora no processo de privatização da TAP
Luis Montenegro, Miguel Pinto Luz e Miranda Sarmento no final do briefing após reunião do Conselho de Ministros em que se decidiu que a Lufthansa é a vencedora no processo de privatização da TAPJOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Privatização da TAP. O que a Lufthansa prometeu ao Governo?

Hub em Lisboa, manutenção das rotas para o Brasil, reforço de aeronaves e compromisso com os trabalhadores. Veja as garantias que o grupo alemão atendeu para levar 49,9% da TAP.
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A proposta da Lufthansa para privatização da TAP cumpre as "condições estratégicas e críticas" exigidas pelo Governo português, garantiu o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz.

Estão garantidas a "conectividade territorial com as ilhas, com a lusofonia, salvaguarda da marca TAP e o hub em Lisboa", declarou o ministro na conferência de imprensa após conselho de ministros extraordinário na manhã desta quarta-feira, 14 de outubro, quando foi anunciado o resultado do processo.

Pinto Luz destacou que está garantido também "o respeito absoluto pelos trabalhadores e pela estabilidade laboral" e que "os acordos de empresa serão escrupulosamente garantidos".

Domínio do Atlântico

Segundo o ministro, a proposta da Lufthansa prevê, no caso do hub aéreo, um reforço de rede. "Garantimos a plataforma para o Brasil e para todos os mercados lusófonos e a manutenção da TAP no grupo Star Alliance", declarou Pinto Luz. Atualmente, a Lufthansa detém 9% da quota de mercado na América Latina. Com a TAP, vai aumentar para 20%. "É manifestamente uma posição de relevo", afirmou o ministro.

"Depois, uma grande joint venture com a United Airlines e com a Air Canada que nos permite olhar para o futuro com o reforço do Atlântico Norte", pontuou. "A TAP já era forte no Atlântico Sul, começava a ser forte no Atlântico Norte e, com esta parceria com o grupo Lufthansa, passará a ser o grande player do Atlântico Sul e Norte", completou Pinto Luz.

Reforço na frota

Está previsto um aumento da frota para 117 aeronaves até 2035 e para 130 depois desta data, com o novo aeroporto de Lisboa. Além disso, a Lufthansa comprometeu-se a transferir até oito aviões Airbus A350-900 até 2030, sendo estes os maiores aviões da marca, e a modernizar a "já velhinha frota da Portugália", disse o ministro.

As operações de manutenção da TAP vão estar integradas na Lufthansa Technik, "uma rede à escala global, dando mais capacidade", com 350 milhões de euros de investimento no centro em Santa Maria da Feira e criação de mais de 700 postos de trabalho.

Mais 163 milhões de euros

Segundo o Governo, o grupo alemão apresentou uma proposta 16% superior ao concorrente, o grupo Air France-KLM, e com "menor grau de incerteza".

A proposta representa um encaixe financeiro de 1.201 milhões de euros nesta primeira fase - contra 1.038 milhões de euros que a Air France-KLM oferecia na fase de venda minoritária. O Estado mantém a posição maioritária de 50,1% da empresa, "preservando o controlo da companhia e a valorização futura desta participação", destacou Luís Montenegro.

A proposta do grupo alemão traz uma valorização total de 2.552 milhões de euros, "um valor muitíssimo acima das avaliações independentes perspetivadas há alguns anos, ou mesmo há alguns meses", salientou o chefe do executivo.

Escola de pilotos em Tancos

O Governo destacou que outros investimentos ganham reforço atrelados à negociação com a Lufthansa, como a criação de uma nova escola de pilotos em Tancos, um centro de inovação em Aveiro, um centro de serviços coorporativos, resultando numa estimativa de três mil empregos associados ao crescimento da TAP e de 5.500 diretos e indiretos no conjunto de todas estas iniciativas.

A conclusão desta primeira operação está prevista até ao início de 2028, dependendo ainda das autorizações regulatórias, nomeadamente da Comissão Europeia.

Manter Luís Rodrigues como CEO até 2028

A Lufthansa ficará com a responsabilidade da gestão executiva e operacional da TAP, mas o Governo pretende manter Luís Rodrigues como presidente executivo da TAP e afasta uma cogestão com a Lufthansa antes da conclusão da privatização, em 2028.

"O Governo tem entendimento que devemos manter o presidente executivo (CEO). É isso que estamos a trabalhar", afirmou Miguel Pinto Luz, esclarecendo que a administração da TAP continuará responsável pela gestão da transportadora enquanto decorre o processo de autorização europeia. "A Lufthansa tem o direito de acompanhar a par e passo aquilo que está a ser cumprido ou não do plano estratégico", afirmou o ministro.

Segunda fase abre portas a privatização total da TAP

O primeiro-ministro adiantou também que o Governo admite a possibilidade de, numa segunda fase do processo, a ser concretizada até 2028, "trocar o capital remanescente por uma participação social na holding do respetivo grupo", abrindo assim a porta à privatização total da TAP.

"Seremos o segundo maior acionista do quarto maior grupo aeronáutico do mundo", acrescentou Miguel Pinto Luz sobre a operação.

Segundo o Governo, a oferta da Lufthansa para essa próxima etapa inclui uma verba de mais 488 milhões de euros e uma permuta de ações "que pode vir a posicionar o Estado português como o segundo maior acionista desta companhia, que é a maior companhia aérea europeia, e por via disso colher os respetivos dividendos ano após ano", explicou Luís Montenegro.

* Com Lusa

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