O secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, desmentiu um editorial do "Correio dos Açores", que o criticava por ter supostamente dito que o resultado das eleições regionais da Madeira o levava a pensar que "o arquipélago devia ser vendido aos EUA", estando disposto a propor tal negócio a Donald Trump caso se tornasse primeiro-ministro. Só que essas palavras constavam de um texto do "Inimigo Público", suplemento humorístico do "Expresso", não tendo sido nunca proferidas pelo líder socialista.Numa nota escrita por Pedro Nuno Santos, e publicada na primeira página da edição desta terça-feira do "Correio dos Açores", Pedro Nuno Santos estranha que o diretor do jornal açoriano, Américo Natalino Viveiros, lhe atribua "um artigo que nunca escrevi e afirmações que nunca fiz, nem nunca poderia ter feito, de tão disparatadas que são".Em causa está o editorial "Cuidado com os vendedores de ilhas", escrito por Américo Natalino Viveiros, na edição anterior do "Correio dos Açores", reagindo a uma peça humorística que o "Inimigo Público" colocara na edição de 23 de março do "Expresso", simulando um artigo de opinião de Pedro Nuno Santos.."Bastaria ler com alguma atenção o que nesse suplemento me foi atribuído para perceber, de imediato, tratar-se de uma peça humorística", escreve o secretário-geral do PS, alegando que ou o autor do editorial "sabia que o 'Inimigo Público' é um conteúdo de ficção e mesmo assim entendeu transportar para o editorial do 'Correio dos Açores' esse conteúdo, tomando-o por bom, mesmo sabendo tratar-se de uma afirmação falsa, ou desconhecia o facto e tomou por boa uma declaração que nunca fiz"."As duas situações são graves, a primeira por intencionalidade, a segunda por desconheceer a realidade editorial dos média em Portugal. Solicito que o jornal corrija semelhantes comentários feitos com base numa afirmação que nunca produzi!", conclui Pedro Nuno Santos..Américo Natalino Viveiros, que foi secretário regional dos governos de Mota Amaral e deputado do PSD na Assembleia Regional dos Açores e também na Assembleia da República, tendo sido um dos participantes na Constituinte, reconheceu o erro, numa resposta também publicada, nesta terça-feira, na primeira página do jornal que dirige. Mas responsabilizou a "forma imprópria e pouco perceptível do conteúdo" do "Inimigo Público", na medida que "quis fazer parecer, em termos gráficos, dando forma a uma sátira, usando 'abusivamente' a imagem e o nome de Pedro Nuno Santos, situação que deveria merecer repúdio do visado".O erro do diretor do "Correio dos Açores" também foi alvo de nota do PS-Açores, que numa publicação na sua página de Facebook esclareceu que o editorial "incorreu, certamente por lapso, na consideração como verídicas de algumas afirmações atribuídas a Pedro Nuno Santos", acrescentando que "tais declarações não correspondem à realidade, tratando-se apenas de conteúdos ficcionais" do suplemento satírico "Inimigo Público".