Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP.
Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP.FOTO: ANTÓNIO COTRIM/LUSA

PCP apela a voto em Seguro porque “a palavra de ordem é impedir” a eleição de André Ventura

A revelação foi feita pelo secretário-geral Paulo Raimundo, após uma reunião do Comité Central do partido.
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Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, defendeu esta terça-feira, 20 de janeiro, que nas presidenciais “a palavra de ordem é impedir” a eleição de André Ventura e considerou que isso “só é possível com o voto em António José Seguro".

“Sem alimentar nenhuma ilusão sobre António José Seguro, até porque o seu pensamento, posicionamentos, compromissos e prática falam por si, o PCP não vai abdicar de intervir para impedir a eleição de André Ventura com o projeto, conceções reacionárias e antidemocráticas, com a mentira, demagogia, hipocrisia que corporiza e dá voz, e isso, no atual quadro, só é possível com o voto em António José Seguro”, afirmou.

Paulo Raimundo falava na sede nacional do PCP, em Lisboa, após uma reunião do Comité Central do partido.

O líder comunista afirmou que “esta opção não significa o apoio a Seguro, significa sim uma atitude determinada e sem hesitações na derrota do candidato do passado”.

“Perante o cenário que temos, não temos nenhuma dúvida, a palavra de ordem é impedir que André Ventura seja eleito Presidente da República”, salientou.

O secretário-geral do PCP considerou, ainda assim, que o candidato apoiado pelo PS tem um "compromisso com a política direita" e poderá "piscar o olho à esquerda e comprometer-se com a direita".

Raimundo rejeitou também que a segunda volta das eleições presidenciais, que se disputam a 08 de fevereiro, seja uma "hipotética batalha entre esquerda e direita", sustentado que, para tal, era preciso "estar um candidato de esquerda na segunda volta".

Sobre o posicionamento do PSD de não dar nenhuma indicação de voto na segunda volta das presidenciais, que classificou como uma "opção meramente de circunstância" e "de conveniência", o comunista considerou que "os partidos do Governo estão a jogar em dois carrinhos, estão a jogar no carrinho de não confrontar o Chega, porque precisam deles para levar por diante a sua política desastrosa, mas também estão seguros e procuram salvaguardar que têm, do outro lado, alguém que, se for preciso, perante a chantagem, perante a pressão, perante o medo, lhes dá a mão, como o PS deu a mão no Orçamento de Estado".

"Há uma coisa que sabemos, é uma questão de tempo, a falta de clareza e a falta de coragem, mais cedo ou mais tarde, arrebenta nas mãos, e vai arrebentar nas mãos do Governo", avisou.

Paulo Raimundo lamentou igualmente o resultado do candidato apoiado pelo PCP, António Filipe, que ficou em sétimo lugar, com cerca de 1,6% dos votos, assumindo que não foi o desejado, e considerou que se deveu a uma “grande operação das sondagens” que terá potenciado o voto útil.

“A pressão e a chantagem cumpriram a sua missão e funcionaram como um autêntico aspirador de votos, levando muita gente a fazer opções ditadas não pela sua convicção ou pela sua opinião própria, mas pelo condicionamento de toda esta operação”, criticou, estimando que “largos milhares de votos que foram desviados, aspirados, da candidatura de António Filipe”.

O secretário-geral do PCP considerou ainda que o resultado obtido pelo candidato presidencial Luís Marques Mendes, apoiado por PSD e CDS-PP, que ficou em quinto com cerca de 11% dos votos, “carrega bem sobre o Governo”.

Raimundo afirmou que, “olhando para a distribuição de votos à direita, não se pode concluir que a política do Governo tenha levado um cartão vermelho ainda, mas o candidato do Governo levou claramente um cartão vermelho, não há nenhuma dúvida, e por sua vez o Governo”.

Nesta conferência de imprensa, o secretário-geral do PCP anunciou também que "nas próximas semanas" o partido vai fazer "uma ampla ação de contato com os trabalhadores, as populações e a juventude sobre o lema 'outro rumo para o país, rejeitar o pacote laboral, a exploração e as injustiças'".

"Uma ação em torno dos problemas que afetam a maioria dos que vivem e trabalham no país, dando expressão concreta à opção clara do PCP relativamente à segunda volta das eleições e afirmando a rotura e a mudança que se impõe no país", indicou.

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