Jorge Pinto diz que os socialistas assinaram “um cheque com tinta invisível”
Jorge Pinto diz que os socialistas assinaram “um cheque com tinta invisível”Leonardo Negrão

OE2027. Livre considera que viabilização do PS “não serve o país”

Jorge Pinto critica que “alguém se comprometa a aprovar um documento que não é ainda sequer conhecido" e “sem uma real contrapartida".
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O porta-voz do Livre Jorge Pinto considerou esta quinta-feira, 1 de outubro, que a esperada viabilização do Orçamento do Estado pelo PS “não serve o país” e acusou os socialistas de assinarem um “cheque com tinta invisível” e sem “uma real contrapartida”.

“A pré-aprovação de um Orçamento do Estado, num momento em que os custos de vida estão a aumentar, num momento em que a inflação bate recordes, não serve o país como deveria servir. Nós acreditamos que a discussão do Orçamento do Estado pode e deve ser o momento em que discutimos que políticas é que o Governo tem de ter para fazer face ao aumento do custo de vida, para garantir uma vida plena aos portugueses e com esta pré-aprovação, ainda antes do documento ser sequer conhecido, essa discussão dificilmente conseguirá ser tida de uma maneira séria na Assembleia”, afirmou à agência Lusa e à RTP junto à FIL, em Lisboa, onde decorre o SBC Summit 2026, evento dedicado a jogos e apostas.

O deputado do Livre considerou “no mínimo estranho” que “alguém se comprometa a aprovar um documento que não é ainda sequer conhecido e não é um documento qualquer, é o Orçamento do Estado, num momento em que o custo de vida está a trazer consequências tremendas para os bolsos dos portugueses”.

Na quarta-feira, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, anunciou que vai propor aos órgãos do partido a abstenção na votação do Orçamento do Estado para 2027 depois das garantias que foram deixadas pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro. Caso os órgãos do partido aprovem esta abstenção do PS, a viabilização do documento fica assegurada, independentemente dos votos das restantes bancadas. 

Jorge Pinto diz que os socialistas assinaram “um cheque com tinta invisível”
PS confirma abstenção no Orçamento após Montenegro dar garantias sobre revisão constitucional e pensões

Jorge Pinto acusou ainda o PS de viabilizar o Orçamento do Estado para o próximo ano “sem uma real contrapartida, pelo menos que seja do conhecimento dos portugueses”, e considerou que os socialistas assinaram “um cheque com tinta invisível” porque não se sabe “o que é que está no acordo, se é oral, se é escrito, entre o PS e o PSD”.

“Nós somos os primeiros, na verdade, a alertar para a necessidade de o PS, se quisesse viabilizar o Orçamento do Estado com a sua abstenção, como parece ser o caso, fazê-lo com algumas condições, desde logo a condição da revisão constitucional não ser feita com a extrema-direita em nenhum ponto. E isso, até agora, daquilo que nós ouvimos, não foi garantido”, sustentou.

O presidente do PSD afirmou, na terça-feira à noite, que vai contar com o PS na próxima revisão constitucional, defendendo que a história é importante, mas avisou que não irá excluir ninguém, prometendo respeitar os limites materiais da Lei Fundamental.

“Nada nos diz que não haverá uma parte dessa revisão que vai ser feita com a extrema-direita e que tenha consequências trágicas para os portugueses”, alertou o porta-voz do Livre nesta declarações junto ao SBC Summit 2026, evento dedicado a jogos e apostas.

Regulação do jogo e apostas online

Jorge Pinto esteve esta manhã à porta do evento para voltar a insistir numa das bandeiras do partido, a necessidade de regulação do jogo e apostas online, nomeadamente impondo limites à publicidade e tributando em sede de IRS o dinheiro obtido neste tipo de competições.

“O Livre tem existido e continuará a existir na necessidade de regulamentar o jogo legal e de combater o jogo ilegal e por isso quisemos marcar aqui presença hoje à frente de uma conferência que é das maiores conferências do mundo dedicadas ao jogo e isto mostra bem a dimensão do problema. Nós sabemos que há problemas em todos os países, mas aqui em Portugal ele é cada vez mais visível”, afirmou.

O porta-voz do Livre alertou que a “adição ao jogo está a destruir muitas vidas, muitas famílias” e lamentou a rejeição das propostas que o partido tem apresentado no Parlamento.

O deputado defendeu que, além da regulamentação da publicidade ao jogo ‘online’, é preciso um “controlo muito mais eficiente do jogo ilegal”, campanhas de prevenção e tributar os benefícios do jogo em sede de IRS

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