José Luís Carneiro, secretário-geral do PS
José Luís Carneiro, secretário-geral do PSFoto: Paulo Spranger

Estados Gerais. PS procura contributos de independentes para o próximo programa eleitoral

O partido prevê reunir 400 convidados, a maioria independentes, no dia 14, na Estufa Fria, para recolher contributos para o próximo programa eleitoral. A iniciativa retoma o formato lançado por António Guterres em 1994–95. O filósofo espanhol Daniel Innerarity participa no debate de abertura, na véspera, e José Luís Carneiro discursa no final.
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O PS prevê reunir 400 pessoas, entre as quais muitos independentes, nos Estados Gerais, no dia 14, na Estufa Fria. A iniciativa retoma a plataforma usada por António Guterres em 1994 e 1995. Segundo Luís Soares, secretário nacional da Organização do PS, o partido quer abrir a discussão das suas propostas à sociedade civil, recolher contributos para o próximo programa eleitoral e recrutar novas ideias para a elaboração de políticas públicas.

“O partido quer contar com os cidadãos não apenas quando lhes vamos pedir o voto". Ao DN, o dirigente defende que a participação se estenda à execução das políticas e à prestação de contas, afirmando que o partido “pretende envolver os cidadãos no momento da construção das nossas opções políticas, mas depois também no momento em que as vamos executar".

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, fará o discurso final às 17h00 do dia 14, na Estufa Fria. A sessão de arranque está marcada para a noite do dia 13, no hotel InterContinental, com um debate sobre os desafios da democracia contemporânea. Participam o filósofo espanhol Daniel Innerarity, o músico e ativista político Pedro Abrunhosa, Tiago Fernandes, professor catedrático de Ciência Política e Políticas Públicas no Iscte, e Paula Espírito Santo, professora de Ciência Política no ISCSP da Universidade de Lisboa.

Na manhã do dia 14, os participantes serão distribuídos por 20 mesas de 20 pessoas. Professores, investigadores, empresários e pessoas ligadas ao movimento sindical estão entre os perfis esperados. À tarde, os oradores partem das conclusões da manhã para as intervenções. Os trabalhos abrangem as áreas sociais, a soberania, a economia e a coesão e desenvolvimento territorial.

Salários e inteligência artificial no painel da economia

Como criar empregos mais produtivos e mais bem pagos num contexto de avanço da inteligência artificial e de desaceleração da economia europeia? É um dos cinco casos que o PS leva ao painel de Economia e Transformação dos Estados Gerais. O partido procura contributos de cidadãos independentes para o próximo programa eleitoral e quer que as propostas saiam das mesas com responsáveis, recursos e uma forma de avaliar os resultados.

O painel reúne Ricardo Paes Mamede, professor associado e vice-reitor do Iscte, Carla Guapo Costa, economista e professora catedrática do ISCSP, Soraia Duarte, secretária-geral adjunta da UGT, Pedro Matias, presidente do Conselho de Administração do ISQ, e Fernando Medina, antigo ministro das Finanças. As cinco mesas abrangem empresas e emprego, indústria, transição energética e digital, economia azul e conhecimento.

O caso da mesa de Empresas e Emprego parte de um contraste. Segundo o documento de trabalho do PS, Portugal tem mais de cinco milhões de pessoas empregadas, mas a produtividade por trabalhador ronda dois terços da média europeia. Cerca de 15% dos trabalhadores têm contrato não permanente, proporção que se aproxima de quatro em cada dez entre os menores de 30 anos. A mesa discutirá como aproveitar a inteligência artificial para aumentar a produtividade e os salários sem agravar a precariedade. A formação, a organização do trabalho e a contratação coletiva entram no debate, tal como a questão de quem decide a repartição dos ganhos.

Na Indústria, o desafio é aumentar o valor acrescentado nacional na produção e nas exportações. O documento assinala que as exportações de bens e serviços se aproximam de metade do PIB, mas que uma parte significativa do valor incorporado continua a ser importada. O debate incide sobre a escala das empresas, a qualidade da gestão e a cooperação com o sistema científico. A mesa é convidada a partir de uma empresa da região e a identificar o que a impede de crescer ou de pagar melhores salários.

Da energia ao mar e à ciência

Na mesa da Dupla Transição Energética e Digital, a questão é como converter a aposta nas renováveis e nas telecomunicações numa vantagem competitiva duradoura. O programa propõe discutir a expansão da produção renovável, do armazenamento e das redes, bem como licenciamentos mais rápidos e previsíveis. A eletrificação da indústria e da mobilidade e a instalação de centros de dados são apontadas como fatores de aumento do consumo elétrico. O caso pergunta como fazer chegar eletricidade renovável a preços competitivos às atividades que dela precisam e como atrair investimento e emprego qualificado.

Na Economia Azul, o programa aponta três caminhos para criar mais valor a partir do mar. Um passa por valorizar o pescado e aproveitar os seus subprodutos. Outro procura levar ao mercado a investigação em biotecnologia marinha e aquacultura. O terceiro inclui tecnologias como a robótica submarina, a monitorização do oceano e a descarbonização do transporte marítimo. O papel das comunidades costeiras e a sustentabilidade dos recursos entram na discussão.

Na mesa do Conhecimento, a questão é como aproximar a investigação das empresas e das regiões, preservando a autonomia da investigação fundamental. O programa convida os participantes a pensar num laboratório, centro de investigação ou universidade que conheçam e a discutir como essa instituição se pode ligar à economia e à vida da região.

Cada mesa deverá apresentar até três medidas. O exercício pede que se identifique quem beneficia, quem executa, que recursos são necessários e como se verificam os resultados.

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