A distrital social-democrata de Braga, na qual o antigo deputado e atual vereador Carlos Eduardo Reis disputa a presidência com o eurodeputado Paulo Cunha, que pretende um novo mandato, é a única que não terá lista única nas eleições dos órgãos locais do PSD, marcadas para sábado. Mas também haverá duelos em várias concelhias, incluindo as de três capitais de distrito onde o partido foi derrotado nas autárquicas de 2025.Carlos Eduardo Reis candidata-se com a ambição de vencer a distrital minhota, contando com os votos dos militantes de Barcelos (de onde é natural e foi eleito vereador) e de Vila Verde, duas das concelhias com mais militantes, mas também com apoios no bastião social-democrata de Vila Nova de Famalicão, onde Paulo Cunha foi presidente da Câmara Municipal. Já o eurodeputado diz estar confiante na reeleição, destacando o apoio dos autarcas de Braga (João Rodrigues) e de Guimarães (Ricardo Araújo), bem como o de muitos vereadores de “um distrito que está na linha da frente no que toca a presença do PSD”. Visto que Reis foi afastado das listas de candidatos a deputados do PSD após Luís Montenegro se tornar líder social-democrata, com o duplo constrangimento de estar envolvido no processo Tutti Frutti e de ser próximo de Rui Rio, anterior presidente do partido, a sua candidatura tem sido rotulada como sendo contra o primeiro-ministro. Algo que o atual vereador de Câmara de Barcelos desmente, antecipando uma eleição “disputada à unha”, mas em que considera fazer “muito sentido uma mudança”. “Se não fosse eu, que fosse José Manuel Fernandes”, diz, referindo o ministro da Agricultura, presidente da Câmara de Vila Verde antes de ser eleito para o Parlamento Europeu. Quanto ao facto de não haver mais nenhuma distrital onde haja uma lista alternativa, Carlos Eduardo Reis comenta ao DN que “nem toda a gente tem a minha paciência, nem a minha coragem, nem os meus apoios”.Por seu lado, Paulo Cunha, que foi vice-presidente do PSD quando Montenegro sucedeu a Rio, disse ao DN que conta com “uma grande afluência às urnas” para assegurar que Braga “tenha um líder da distrital à altura”. E realça que a sua lista tem “gente jovem e grande renovação”, com oito elementos novos.Noutras distritais, a nota dominante é continuidade, com Pedro Duarte, agora presidente da Câmara, a recandidatar-se no Porto; o secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, em Aveiro; o secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Paulo Simões Ribeiro, em Setúbal; tal como os deputados Cristóvão Norte (Faro), Ricardo Oliveira (Santarém), Francisco Figueira (Évora); e Hernâni Dias (Bragança). Novidades são os deputados Bruno Ventura (Lisboa - Área Metropolitana) e Gonçalo Valente (Évora); e a autarca Helena Teodósio Oliveira (Coimbra).Nas concelhias das capitais de distrito perdidas para o PS em 2025, só em Bragança há uma lista de consenso, encabeçada pelo ex-vereador Miguel Abrunhosa..Concelhias em causa.CoimbraNa concelhia de Coimbra, João Francisco Campos saiu após a derrota eleitoral nas autárquicas, com a socialista Ana Abrunhosa a travar um segundo mandato de José Manuel Silva, eleito em 2021 pela coligação encabeçada pelo PSD. Surgiram dois candidatos, que em comum têm a juventude, com Lídia Pereira, a meio do segundo mandato no Parlamento Europeu, a enfrentar Martim Syder. A eurodeputada avança sob o mote “Unir Gerações” e pretende “contribuir para um projeto que devolva a Coimbra a centralidade que merece no país”, enquanto o deputado quer “Renovar Coimbra”, com “o início de um novo ciclo de consolidação, foco e estratégia”.ViseuNa sequência de uma derrota histórica para o PSD, com João Azevedo a tornar-se o primeiro socialista à frente da Câmara de Viseu, o fim de ciclo de Fernando Ruas coincidiu com a saída de João Paulo Gouveia, que era líder concelhio e vice-presidente da autarquia. O advogado Emanuel Simões foi o primeiro a avançar, com um apelo à renovação do partido na cidade da Beira Alta, mas viu entrar na corrida um peso-pesado dos sociais-democratas: o deputado Pedro Alves, coordenador autárquico escolhido por Luís Montenegro, e que em tempos presidiu à distrital de Viseu do PSD.FaroNoutra capital de distrito em que o PSD sofreu uma pesada derrota, com o PS a recuperar a presidência da Câmara, até agora detida pelo social-democrata Rogério Bacalhau, Bruno Lage saiu e a concelhia está agora a ser disputada pelo advogado Carlos de Deus Pereira, que “apresenta uma lista de compromisso, responsabilidade e união”, e Henrique Ascenso Gomes, anterior secretário-geral da distrital de Faro, à frente da qual se manterá o deputado Cristóvão Norte.