“Vão desaparecer os partidos de esquerda?” Esta pergunta é o título de um dos muitos textos que o antigo Presidente da República Mário Soares assinou no DN, entre 2008 e 2015, numa coluna intitulada O Tempo e a Memória. Com um título homónimo, ao qual se acrescenta um pós-título – 100 artigos no Diário de Notícias –, é esta quinta-feira, 16 de abril, lançado o livro, editado pela Âncora, que é visto pelo organizador desta compilação como uma “oração de sapiência” que Mário Soares deixou pouco mais de um ano antes de morrer. Ao DN, Jorge Morais explica “que, em alguns aspectos, os textos dele são premonitórios, porque anunciam coisas que de facto já estamos a verificar. Outras, ainda verificaremos no futuro.“O lançamento de O Tempo e a Memória - 100 artigos no Diário de Notícias, marcado para esta quainta-feira, na Fundação Mário Soares e Maria Barroso, é a continuação natural das últimas iniciativas que se integram nas comemorações do centanário de Mário Soares, assinalado em 7 de dezembro de 2024, lembra Jorge Morais, ressalvando que este livro só não chegou aos escaparates mais cedo porque a comissão executiva, dentro do DN, que na altura encomendou o livro, não terminou o mandato.De qualquer modo, esclarece o organizador deste trabalho, essa comissão chegou a um acordo com a Âncora Editora e com a empresa detentora do DN, a Global Media, para que este livro visse a luz do dia, novamente, porque é a reedição de textos que foram publicados ao longo de oito anos.Sobre o critério para a escolha destes textos, em detrimento de outros, Jorge Morais esclarece que evitou apenas “as coisas que poderiam perecer, que poderíam não resistir ao tempo e que em alguns casos até seriam incompreensíveis para o leitor do futuro”.No entanto, nestes textos, aquilo que Mário Soares “afirma, aquilo que analisa, é exato na sua observação. É um homem com uma grande experiência de vida, com uma grande cultura e que, ao observar, observa de cima, com um ângulo de visão muito largo”, vinca Jorge Morais.Questionado sobre se vê este livro como uma lição deixada pelo antigo chefe de Estado, Jorge Morais lembra que “são os últimos textos que ele publica na imprensa”, mas prefere encará-los como um “legado”.“É uma herança que ele deixa. A observação do mundo e dos homens pelos seus olhos. É extraordinário”, conclui.Entre os vários títulos dos textos que Mário Soares deu ao prelo no DN – incluindo aquele cujo título começa este artigo –, apresenta preocupações que parecem tão atuais agora como o eram em 2012, por exemplo. É por isso que Jorge Morais atribui o tal caráter “premonitório” aos textos. Mário Soares morreu a 7 de janeiro de 2017, aos 92 anos. Poucos anos antes, na análise que fazia sobre a crise dos partidos de esquerda, defendia que “a crise europeia” estava “a produzir o pessimismo”.“Alguns falam de ‘morte da Esquerda’. E outros vão mais longe e dizem que ‘a Esquerda já morreu, porque morreu a sua linguagem.”Mários Soares deixou ainda um aviso: “Quando os partidos de Esquerda se põem a defender políticas da Direita é natural que o eleitorado comece a votar nos partidos da Direita.”.Guilherme d’Oliveira Martins: “Foi António Alçada Baptista que apresentou Mário Soares a Edgar Morin” .Marcelo critica messianismos e lembra luta de Soares por primeiro Presidente civil