Carneiro foi a Olhão jogar ao ataque contra o Governo e evocar Guterres para a construção de uma “nova maioria”
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Carneiro foi a Olhão jogar ao ataque contra o Governo e evocar Guterres para a construção de uma “nova maioria”

Na rentrée socialista, o secretário-geral respondeu ao discurso do primeiro-ministro no Pontal e acusou o Governo de falhar na economia, educação, saúde e habitação. Com o Orçamento de Estado para 2027 no horizonte, Carneiro lembrou que "a estabilidade política é importante, mas o principal fator de instabilidade tem sido o Governo. É ao Governo que compete criar as condições para essa estabilidade. A começar pelo Orçamento de Estado."
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José Luís Carneiro quer fazer de Olhão o ponto de partida para uma nova maioria socialista. No arraial popular que marcou a rentrée do PS, o secretário-geral evocou o exemplo de com 1995, quando António Guterres desafiou o PSD de Fernando Nogueira no Algarve com um comício simultâneo – a famosa noite do Pontal e da Pontinha - para apresentar o arraial socialista deste domingo, apenas 48 horas depois da rentrée social-democrata, como o primeiro passo na construção de uma alternativa ao Governo de Luís Montenegro.

“Há 31 anos, tivemos aqui aquilo que foi o pontapé de saída para uma nova maioria liderada por António Guterres. E hoje, vamos dar um primeiro passo para afirmar uma alternativa de força, de confiança e de esperança para o futuro de Portugal”, afirmou Carneiro. Mesmo que, desta vez, não haja eleições à vista, ao contrário do que acontecia naquele ano: as próximas legislativas só estão previstas para 2029.

Mas o objetivo socialista, reiterou Carneiro, é começar desde já a construir e afirmar uma alternativa. E por isso dedicou-se a um longo ataque à governação da AD, procurando contrariar o balanço apresentado por Montenegro dois dias antes, no Pontal. O secretário-geral socialista acusou o primeiro-ministro de ter feito um discurso de “auto-justificação” e de censura a quem escrutina o Governo. “Há a dizer que o Rei vai mesmo nu”, afirmou, desfiando o que apontou como sucessivos exemplos de impreparação do Executivo da AD, nas respostas ao apagão, aos incêndios de 2025 ou às tempestades do último inverno.

Numa noite em que não faltaram críticas, só as polémicas com o ministro da Administração Interna, Luís Neves, foram poupadas. Ao contrário do ministro da Educação, que mereceu um dos ataques mais duros devido à polémica dos exames nacionais. Carneiro acusou o Governo de ter avançado de forma impreparada com a digitalização dos exames e criticou a transferência de responsabilidades do ministro Fernando Alexandre para famílias, professores e escolas. “O Governo quis avançar impreparadamente com a digitalização dos exames. Criou uma crise de previsibilidade e prejudicou os jovens, as famílias, as escolas de todo este país. E quando aguardávamos que pudessem assumir as suas responsabilidades, aquilo que pudemos ouvir foi a sacudir a responsabilidade: primeiro para as famílias, porque tinham tido a ousadia de marcar as suas férias; depois para os professores, que não cooperavam com o Governo; e agora, por último, estão mesmo a ameaçar as escolas com processos disciplinares. Isto é incompreensível, é inaceitável e tem de merecer o nosso mais vivo repúdio e combate político”, afirmou, acusando o ministro e o primeiro-ministro de não terem “humildade democrática” para assumir as falhas.

Na economia, Carneiro procurou responder diretamente à narrativa de crescimento apresentada por Montenegro. “O Governo e a AD prometeram a economia a crescer a mais de 3%. Quando ela crescia a 3% com os governos do PS, diziam que Portugal estava a ser ultrapassado pelos países do leste europeu. Pois é, ela hoje está a crescer 1,9%, metade daquilo que crescia com os governos do PS. E, mais grave, em 2025, Portugal teve um déficit superior a 30 mil milhões de euros na balança comercial de bens e perdeu mais de 5 mil milhões de euros de investimento direto estrangeiro". E foi mais longe: “Portugal não ganhou competitividade. Portugal perdeu competitividade em 57% dos mercados externos”, criticou

Foi também neste capítulo económico que deixou perguntas a Montenegro sobre a anunciada compra de 13,7% do capital social da REN. “Qual é a fonte de financiamento e qual é o valor da compra?”, perguntou, querendo saber ainda “por que razão é que o Governo optou por comprar a alguns acionistas e não no mercado”.

"Recordo que ele era líder parlamentar quando disseram [Governo de Passos Coelho] que para defender o interesse estratégico nacional não era necessário ter a garantia estratégica de controlo, de planeamento e de gestão da rede elétrica nacional. Então, qual é a razão desta decisão?", questionou o líder do PS, insistindo em explicações nesta matéria: “Está em condições de garantir aos portugueses que a posição que o Estado agora vai comprar permita ao Estado determinar e participar na definição estratégica da rede elétrica nacional?”

Na saúde, o secretário-geral socialista apontou quatro promessas de campanha de Montenegro: médicos de família para todos até dezembro desse ano, redução das esperas para primeiras consultas e diminuição das listas de espera para cirurgias e cirurgias oncológicas. “Foram quatro promessas e o doutor Luís Montenegro falhou a todas estas promessas”, afirmou. Criticou ainda o que classificou como uma tentativa de “limpar” listas de espera e anunciou que o PS levará a apreciação parlamentar o decreto-lei sobre a reestruturação do INEM.

Carneiro também não deixou de lado a habitação, lembrando que os custo da habitação “aumentaram mais de 28% em dois anos” e atacou a opção do Governo de atuar sobretudo pelo lado da procura, criticando o conceito de “renda moderada” de 2.300 euros.

Num aviso para os próximos meses, com a votação do Orçamento de Estado para 2027 no horizonte, Carneiro defendeu que “a estabilidade política é importante, mas o principal fator de instabilidade tem sido o Governo. É ao Governo que compete criar as condições para essa estabilidade. A começar pelo Orçamento de Estado. Só ao governo compete apresentar um Orçamento competente e que responda às necessidades do País".

O líder parlamentar socialista Eurico Brilhante Dias reforçou a ofensiva, acusando Montenegro de ter esgotado em dois anos a “almofada” financeira herdada de ter tido “um discurso vazio” no Pontal: “Esse vazio só pode ser preenchido por uma alternativa, que é o Partido Socialista”.

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