Luís Montenegro terá esta quarta-feira de enfrentar um debate parlamentar centrado na questão da intervenção militar dos Estados Unidos da América no Irão, sobretudo em relação ao uso da Base das Lajes pelos norte-americanos e à posição pública do Governo, com as declarações de Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, sob escrutínio.Rangel explicou na noite de terça-feira que, após o ataque americano e israelita ao Irão, foi dada uma “autorização condicionada” ao uso da base açoriana, confirmando que houve um pedido ao Estado Português. Antes disso, a intensificação da presença de aeronaves norte-americanas tinha sido feita dentro do regular uso da base definido no acordo entre os dois países, segundo o ministro.Os partidos políticos na oposição, na sua maioria, questionam as explicações do ministro dos Negócios Estrangeiro e as posições de Portugal face ao conflito aberto no Médio Oriente e ao Direito Internacional, e ontem soube-se que Rangel será ouvido em Comissão Parlamentar. A proposta do PS foi aprovada porque Chega e PSD abstiveram-se, apesar de críticas dos sociais-democratas à iniciativa socialista.Também o Livre tinha pedido uma audição, enquanto a proposta do PAN, que pretendia ouvir representantes de oito entidades, incluindo a Comissão Europeia, UNICEF e Amnistia Internacional, foi chumbada por PSD e Chega.José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, prometera já que iria fazer “as questões adequadas” no hemiciclo e desafiar o Governo a explicitar de que modo os portugueses estão a ser protegidos e serão repatriados caso o conflito atinja proporções mais graves. Como o DN noticiou ontem, há também o entendimento entre os socialistas, de que Portugal deverá ter uma voz mais ativa internacionalmente. Carneiro quer ter dados concretos da posição oficial do Governo em relação aos Estados Unidos da América e “os termos concretos da utilização da Base das Lajes. Nesse mesmo sentido, José Luís Carneiro terá hoje uma reunião no Largo do Rato com especialistas em Defesa e Relações Internacionais para abordar a situação geopolítica internacional.Ventura quer proibir entrada de migrantesAndré Ventura, líder do Chega, vai focar-se no tema, mas prevendo já que a situação no Médio Oriente possa motivar nova onda migratória. Por isso, vai dar entrada a uma iniciativa para a “suspensão da entrada de pedidos de asilo na Europa, oriundos do Médio Oriente”, nomeadamente do Irão, Líbano, Síria e Iraque, por forma a evitar uma nova “crise migratória” na sequência do ataque militar contra o Irão.Ventura retomou o que considera ser imprescindível, a redução do imposto sobre combustíveis e, na política económica, vê o Orçamento Retificativo como “cada vez mais incontornável.” Ainda assim, considera que os requisitos de utilização da Base das Lajes “têm sido cumpridos”, colocando-se ao lado do Governo. A IL é crítica do regime de Teerão e, apesar de não concordar com uma solução que envolva guerra, não condenou a intervenção. O Livre vai insistir neste assunto, já enviou perguntas ao Governo no sábado e pedirá clareza. Apesar de salientar o “repugnante” regime iraniano, entende que Portugal não pode ser cúmplice. O PAN considera que há que esclarecer a utilização da Base das Lajes e perguntará pelos portugueses retidos no Médio Oriente. À parte do tema dominante, serão esperadas intervenções sobre a Saúde, nomeadamente a situação da Cardiologia, pelo PS e também o pacote laboral que não sai da órbita do Bloco de Esquerda. As ajudas às populações após as tempestades saíram do plano prioritário, assim se perspetiva.400 pedidos de repatriamentoO secretário de Estado das Comunidades Portuguesas disse que já foram recebidos 400 pedidos de repatriamento de portugueses no Médio Oriente. Destes, 63 são de portugueses em Israel, para os quais o Governo prepara uma extração, “em parte por via terrestre, pois o espaço aéreo está encerrado”, afirmou Emídio de Sousa à agência Lusa.Com a progressiva reabertura do espaço aéreo, o governante referiu também a possibilidade de alguns cidadãos portugueses, na larga maioria turistas, regressarem por meio de voos comerciais. .PCP exige explicações urgentes do Governo sobre a utilização da Base das Lajes por parte dos EUA.Carneiro exige que Montenegro esclareça uso da base das Lajes em ataque ao Irão.Paulo Rangel sobre a Base das Lajes. “Portugal não teve, nem teria, qualquer intervenção neste conflito"