Assunção Cristas foi desafiada a revelar o que faria se Luís Montenegro a convidasse para ser ministra da Família, mas a antiga líder centrista não deu sinais de ter saudades dos tempos em que esteve no Governo, recordando que foi nessa “altura dramática”, marcada pelo programa de assistência financeira imposto pela troika, que Portugal atingiu um mínimo de 1,2 filhos por mulher.Convidada para o painel “Família e Natalidade - Um Desafio do Presente e do Futuro”, no primeiro dia das jornadas parlamentares do CDS-PP, que encerram nesta terça-feira, na Assembleia da República, a professora universitária, que abandonou a política ativa depois do mau resultado nas legislativas de 2019, deixou uma má notícia sobre o inverno demográfico em curso. “As políticas públicas bem concertadas fizeram a diferença, mas agora parece que deixaram de fazer”, disse, enumerando casos de países europeus, incluindo França e Alemanha, nos quais a taxa de natalidade “tinha recuperado episodicamente, mas andou outra vez para trás”.No que toca a Portugal, recordando um estudo sobre natalidade que fez em 2007, ao tornar-se militante do CDS-PP, num trabalho conjunto com Adolfo Mesquita Nunes, Francisco Mendes da Silva e Inês Teotónio Pereira, Cristas disse que nas últimas décadas “não saímos do mesmo padrão”, com 1,4 filhos por mulher tanto em 2004, como atualmente.Evitando críticas aos Governos socialistas que reverteram políticas da AD, como o quociente familiar, marca de Paulo Núncio, atual líder parlamentar do CDS-PP, quando era secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Cristas admitiu que “não foi feito tudo o que era possível, de uma maneira concertada e consequente”, mas reconhece que “houve uma certa consistência”.Certo é que, com Portugal entre os países com piores índices de natalidade do mundo, a antiga líder centrista lamentou “um ciclo vicioso”, pois, “a cada ano que nascem menos crianças, há menos mães disponíveis para terem filhos”. Algo que sublinhou contrastar com o inquérito sobre fecundidade, realizado em 2013, no qual as mulheres portuguesas esperavam ter uma média de 2,3 filhos, enquanto os homens pretendiam 2,1 filhos. “Há um intervalo entre o que as pessoas desejam e o que têm nas suas vidas”, concluiu Assunção Cristas, confessando que “há 20 anos tinha mais certezas do que agora”.No painel participaram ainda a presidente da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas, Rita Mendes Correia, e a presidente da Juventude Popular, Catarina Marinho. Esta última apresentou uma série de propostas para fomentar a constituição de família e o nascimento de crianças, destancando a isenção de IRS, até 35 mil euros, para o pai ou a mãe que tenham um maior contributo financeiro para o agregado familiar..Reforma laboral, combate à corrupção e natalidade nas jornadas parlamentares do CDS-PP .CDS-PP apresenta voto de condenação ao "ataque extremista e criminoso" contra a Marcha pela Vida