Saúde e Igualdade unidos para combater mutilação genital feminina

O Governo lança esta quarta-feira o projeto "Práticas saudáveis; Fim à mutilação genital feminina". O objetivo é sensibilizar a população e formar os profissionais num país que registou já mais de duas centenas de casos.

O projeto é lançado na Escola Amadora Inova, às 10:00, num concelho onde se têm registado casos de mutilação genital feminina (MGF) entre a população imigrante proveniente da Guiné-Bissau. Estão, ainda, envolvidos as autarquias de Alcochete, Almada, Barreiro, Loures, Moita, Montijo, Odivelas, Seixal e Sintra.

Entre abril de 2014 e janeiro de 2018, foram detetadas 237 casos de mutilação genital feminina, nas comunidades imigrantes. Mulheres que dizem ter sido sujeitas a esta prática nos países de origem da família, na grande maioria na Guiné-Bissau. Os registos pertencem a unidades da Região de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. Dados da Direção Geral de Saúde.

As mulheres têm atualmente 31 anos em média, num intervalo que varia entre os 14 e 64 anos. Em 61 casos (25,7%) desconhece-se com que idades sofreram a mutilação genital e, em 163 situações (68,8%), a idade média foram 6,6 anos. Em 7,2 % das mutilações, as crianças tinham meses e em 80 % menos de 9 anos

Práticas saudáveis significam para o Governo lutar não só contra a MGF mas também contra os casamentos infantis, precoces e forçados.

O projeto resulta da cooperação entre as secretarias de Estado para a Cidadania e da Saúde com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género e o Alto Comissariado para as Migrações. Cabe a estas três entidades coordenar e monitorizar o projeto.

As atividades serão dinamizadas pelas unidades de saúde pública dos dez concelhos no sentido de sensibilizar a população e formar os profissionais em áreas chave, como a saúde, a educação, a justiça e a segurança.

"Com este projeto damos um novo impulso à erradicação da MGF em Portugal: pela primeira vez, o trabalho é ancorado nas estruturas e serviços de saúde mais próximos à população, nas áreas de maior prevalência, e teremos uma atuação mais integrada e qualificada das várias entidades locais, incluindo serviços públicos, autarquias e ONGs", defende Rosa Monteiro, secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade.

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