Sargentos ausentes das messes ao almoço no próximo dia 15

Associação Nacional de Sargentos regista discrepâncias entre os elogios do Presidente da República aos militares e a ação do Governo.

Grupos de militares estão a apelar aos sargentos que, à hora de almoço do próximo dia 15 deste mês, se "reúnam para discutir e analisar os problemas" que os afetam.

A informação consta do comunicado divulgado esta terça-feira pela Associação Nacional de Sargentos (ANS), a propósito do discurso que o Presidente da República fez domingo, no desfile militar comemorativo do centenário do Armistício.

"Esperando que as palavras usadas" por Marcelo Rebelo de Sousa "se tornem em ações e que o Governo assuma as suas responsabilidades na melhoria das condições socioprofissionais" dos militares, "compreendemos o apelo feito por grupos de militares para que, no próximo dia 15 de novembro, os Sargentos de Portugal, durante a sua hora de almoço, se reúnam para discutir e analisar os problemas que afetam a classe".

Essa iniciativa permitirá ainda aos sargentos "solidariza[rem]-se com os sectores profissionais que em todo o país lutam pela resolução dos seus problemas", indica a ANS, que é presidida pelo sargento-ajudante Mário Ramos.

Quanto aos elogios do Presidente para com os militares, ao declarar que servem Portugal "com coragem, lealdade e abnegação", a ANS argumentou que essas palavras "não encontram reciprocidade na ação" dos governos em matéria de Defesa nos últimos anos - nomeadamente "produzindo leis que dividem os militares e que criam situações de tratamento diferenciado entre iguais".

"A bem das Forças Armadas e do país, as palavras e os atos têm que ser concordantes!", sustentou a ANS, elencando um conjunto de situações que justificam o apelo para que os sargentos almocem fora das unidades no próximo dia 15.

Primeiros-sargentos "com mais de 20 anos" de posto "e sem quaisquer perspetivas de promoção", o regulamento de avaliação do mérito que afeta "a coesão e a disciplina" nas fileiras, "o reiterado incumprimento da lei" no "processo negocial" relativo ao descongelamento das carreiras, militares mais antigos em níveis remuneratórios inferiores aos de militares do mesmo posto mas mais modernos, atrasos nas promoções por "alegada ausência de despachos conjuntos" das tutelas envolvidas são alguns dos exemplos citados pela ANS.

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