Rui Rio ataca críticos internos: "Não sou hipócrita!"

Falando, em Beja, num Fórum da TSF, o líder do PSD, não hesitou em classificar como "hipócritas" os dirigentes do partido que "andaram a dizer mal, mal, mal, mal e depois no ultimo dia aparecem a apoiar" o partido.

"Hipocrisia", "hipócritas". Sem meias palavras, Rui Rio atacou esta manhã duramente os seus críticos internos no partido por agora, "no último dia", aparecerem a apoiar a campanha do PSD, depois de terem passado "o tempo todo" a criticar-lhe a liderança.

"Quando vejo pessoas agora em cima da linha a ajudar...essa atitude é hipócrita. Andam a dizer mal, mal, mal, mal e depois no último dia aparecem a apoiar. É hipocrisia", afirmou, entrevistado no Fórum da TSF, em Beja.

Depois de afirmar que "há muita coisa a mudar no PSD - mas mesmo muita", Rio escusou-se a identificar os alvos das suas críticas. "Não vou falar em concreto da personalidade A ou B."

No seu entender, o que importa é que este grupo de críticos internos é "minoritário" mas tem "ligações estreitas à comunicação social e por isso parece maior do que realmente é".

No final da emissão, foi questionado sobre o que decidirá para o seu próprio futuro após o domingo das eleições, 6 de outubro. "Não decidi rigorosamente nada para o dia 7 de outubro, não faço a mínima ideia".

Em mais uma farpa para os seus críticos internos, acrescentaria: "Alguns andam preocupado com o dia 7. Eu não: preocupa-me o dia 6."

No programa, o líder social-democrata escusou-se a comentar em profundidade as notícias segundo as quais em Belém se saberia da encenação sobre o achamento das armas roubadas em Tancos

"As noticias carecem de ser comprovadas", "não vou envolver o Presidente da República".

Seja como for, admitiu ficar "sempre preocupado quando o nome do Presidente da República é envolvido em polémicas". "Portugal precisa de uma proteção evidente ao órgão que é a Presidência da República" e "não podemos brincar às noticias com o Presidente da República, independentemente de quem seja".

Costa prepara uma "encenação"

Rui Rio aproveitou para reiterar a tese segundo a qual António Costa se prepara para criar uma nova "encenação" - à semelhança, disse, da que aconteceu com a crise dos professores ou com a greve dos motoristas de matérias perigosas" - agora que as sondagens começam a colocar o PS a descer e o PSD a subir.

"Há um tique [de António Costa] que é montar espectáculos para desviar as atenções, nos momentos de dificuldades."

"É de esperar que mais dia menos dia inventem outra encenação...mas não me perguntem sobre o quê...há um tique [de António Costa] que é montar espectáculos para desviar as atenções, nos momentos de dificuldades."

Sobre as tais sondagens que relevam um crescimento do PSD, limitou-se a constatar o óbvio, sem mais detalhes: "O PSD tem subido? Tem. O PS tem descido? Sim. E não digo mais."

Centeno "anedótico"

Não escondeu porém alguma indignação com estudos de opiniões anteriores: "O PSD nunca teve intencoes de 19%". E "isto" - "sondagens a darem números fantasmagóricos e no fim a aproximarem-se da realidade" - é algo que "tem de acabar".

O líder do PSD reagiu com indignação às críticas que o programa económico tem recebido de Mário Centeno. Recordando a sua experiência como presidente da câmara do Porto - e o facto de Centeno ser de um governo de um partido "que levou o país à bancarrota" - perguntou: "Mário Centeno está ensinar-me a mim o que é o rigor financeiro? A mim!!?? É quase anedótico!"

Justiça "demasiado mal"

Outro dos temas em que o presidente do PSD revelou entusiasmo a falar foi o da Justiça.

Rio insistiu mais uma vez insistiu na proposta de colocar os magistrados do Ministério Público (MP) em minoria no Conselho Superior do Ministério Público (CSMP). Recordando que no Conselho Superior dos Magistrados Judiciais já hoje a maioria é de não juízes - e "não é pelos magistrados judiciais que a justiça está mal" -, explicou, quando ao CSMP: "Não temos de ter um Ministério Público corporativo. Não pode ser um Estado dentro do Estado. Tem de ter transparência. E por isso uma maioria de não magistrados".

"A justiça está demasiado mal para aquilo que deve ser um Estado de Direito."

No seu entender, "é uma aberração dizer que se a maioria do CSMP for de não magistrados isso politiza a justiça". E, em suma, "a justiça está demasiado mal para aquilo que deve ser um Estado de Direito. É da Liberdade e da Democracia que se trata. Os valores da Liberdade, da Democracia e do Estado de Direito têm vindo a ser desgastados".

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