Rio prevê eleições antecipadas e recusa governar com o Chega

Líder do PSD diz, entrevistado na TVI, que o PS está "periclitante" com divisões internas e com problemas com os partidos à esquerda

"Não me parece fácil que a legislatura vá até ao fim."

Entrevistado esta noite na TVI, o líder do PSD admitiu que a legislatura pode não chegar até ao fim (outubro de 2023).

Segundo disse, o PS está "periclitante", e "há divisões dentro do Governo, dentro do grupo parlamentar" e entre o PS e os partidos à sua esquerda.

Na entrevista, Rui Rio foi intensamente questionado sobre o acordo com o Chega que vai permitir nos Açores a viabilização de um governo liderado pelo PSD (o partido que ficou em segundo, atrás do PS, nas últimas eleições legislativas regionais).

Rio disse estar de acordo com aquele acordo ("Estou a dar a cara. Estou de acordo"). Mas acrescentou que os quatro pontos acordados entre o PSD/Açores e o Chega "são inócuos": combate à corrupção ("criar um gabinete, não sei como se chama"), reforço da autonomia, redução dos deputados no Parlamento regional e "redução de subsídio-dependência nos Açores".

Segundo afirmou, o que na verdade "obrigou" o PSD a negociar com o Chega nos Açores foi o Representante da República.

"Aquilo que eu sei é que o Representante da República exigiu preto no branco, por escrito, um suporte parlamentar. O líder do PS não conseguiu. O PSD conseguiu. Isso obrigou o PSD a negociar", disse.

Depois, quanto ao seu próprio envolvimento nas negociações, reconheceu ter recebido um SMS, de André Ventura, dando-lhe conta do comunicado que o Chega se preparava para emitir para anunciar que se tinha chegado a um acordo. "André Ventura mandou-nos esse comunicado para ver se nós não o desmentíamos."

E, acrescentou, remeteu de imediato esse SMS para o líder parlamentar do PSD, Adão Silva, que "tratou disso".

Assim - insistiu - "não há qualquer acordo nacional com ninguém", ou seja, "tudo isto é nos Açores". Dito de outra forma: "O PSD-Açores negociou com o meu conhecimento, não cobertura". Enfim, os sociais-democratas da região tiveram a "cortesia" de o ir "informando" de como estava a decorrer a negociação.

Numa situação futura, para eventuais negociações com o PSD de uma solução governativa, Rui Rio admitiu negociações com o Chega, "se me pedirem para pôr pontos com os quais estou de acordo". Ou seja, aceitará conversas com o partido de Ventura se da parte deste existirem propostas "coerentes" com o programa do PSD.

Seja como for - acrescentou - uma coisa estará garantida: "É impossível o PSD fazer um governo com a extrema-esquerda ou a extrema-direita". Dito de outra forma: num governo por si liderado "não entraria o BE, o PCP e o Chega".

"Nunca na vida um Governo liderado por mim se colocará nas mãos do Chega, o Chega a exigir tudo o que quer e pode, como está a fazer o PCP ao PS", insistiu.

Rui Rio ensaiou ainda teorias de ciência política sobre o que é o Chega. "É verdadeiramente uma federação de descontentes", só "existe pela negativa", "não é bem um partido cimentado", "vai buscar [votos] ao CDS, ao PSD, ao PS, ao PCP e muito à abstenção" - "mas o tempo vai obrigar o Chega a ser um partido pela positiva".

Quanto ao resto, assegurou que o PSD votará contra o OE2021 - porque "para passar", obtendo a viabilização do PCP, "tem de ficar ainda pior do que está".

Ao mesmo tempo insistiu em recordar uma entrevista de António Costa ao Expresso onde o PM disse que o seu governo cairia se tivesse que passar a depender do PSD. "Quem estabeleceu uma linha vermelha, ao centro, foi António Costa", acusou.

Rui Rio ainda teve tempo para criticar duramente o PCP por tencionar levar avante o seu congresso (de 27 a 29 deste mês, em Loures) - algo que considerou "prepotente" por parte dos comunistas. "Isto pode levar as pessoas a uma coisa muito perigosa: as pessoas perderem o respeito ao Governo", alertou.

Sobre as presidenciais foi sintético: o único partido que "já perdeu" foi o PS, por não ter candidato. Rio manifestou-se convicto de que Marcelos será recandidato - mas segundo assegurou o Presidente ainda não lhe disse isso.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG