"Rio tornou-se num presidente sem rumo nem estratégia", diz líder do PSD/Porto

Duro, muito duro em véspera de eleições, o líder da concelhia do Porto do PSD ataca a liderança de Rui Rio. Num post no Facebook, intitulado "Rio e o princípio de Peter", Hugo Neto defende que este se tornou num "presidente do PSD sem rumo nem estratégia".

O dirigente concelhio conclui que depois de tantos "erros e passos em falso", Rui Rio terá de sair após as eleições legislativas de 6 de outubro. "Escusava de ter escolhido a porta minúscula para essa mesma saída".

Hugo Neto afirma que tanto na elaboração das listas como no trabalho político diário "Rio não podia ter desiludido mais". E dá como exemplo o facto do presidente social-democrata e o seu núcleo duro terem privado pela ausência no período político crítico marcado pela greve dos motoristas de matérias perigosas.

"Já li e ouvi falar de 'PSD em serviços mínimos' e até de greve política. A ausência total de PSD, durante duas longas semanas num período político crítico é inaceitável e apresenta um odor demasiado forte a uma incompetente arrogância para que eu me consiga manter calado. O PSD é mais do que isto. O PSD não é isto!", escreve o dirigente concelhio do PSD.

Hugo Neto revela, nesse longo post, que durante o processo de elaboração das listas para as legislativas falou várias vezes com o presidente do partido, a quem fez questão de transmitir "o quão grave e sinal errado" seria deixar de fora os melhores do PSD, entre os quais Miguel Pinto Luz, Maria Luís Albuquerque ou até Emídio Guerreiro. "Rui Rio conseguiu cometer cumulativamente todos estes erros e falhas graves na construção das listas nacionais".

Mas o pior, frisa Hugo Neto, é que na lista do distrito do Porto, que Rio tinha prometido encabeçar e apenas vai como número dois, o líder social-democrata "impôs 7 nomes", depois de lhe terem sido sugeridas duas personalidades da sociedade do Porto: duas mulheres independentes com amplo reconhecimento profissional e académico.

"Tenho estima por alguns dos candidatos mas, salvo raras e honrosas exceções, como a de Álvaro Almeida, as escolhas feitas não asseguram reforço de competências técnicas ao grupo parlamentar. Também não representam as bases do partido, não garantem equilíbrio territorial e não cruzam verdadeiramente o partido com o melhor da nossa sociedade", diz o presidente da concelhia do Porto do PSD.

Apesar das críticas contundentes, que tencionava apenas fazer depois de outubro, Hugo Neto garante que a secção do Porto cumprirá com as suas obrigações e apelará aos militantes e simpatizantes para que, "apesar do desnorte", votem PSD.

"Não nos peçam é para sermos cúmplices de opções que não honram o nosso passado, nem acautelam o nosso futuro, independentemente do lugar que fosse atribuído à primeira indicação da Secção do Porto, décimo ou décimo quarto lugar, não poderíamos validar, com o nosso silêncio cúmplice, um processo kafkiano que envergonharia Francisco Sá Carneiro", remata.

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