Rio rejeita magistrados a ganhar mais do que Presidente e primeiro-ministro

O líder do PSD defende que na função pública o salário mais alto deve ser o do Presidente da República e ninguém deve ganhar mais do que o líder do governo.

"O governo está à deriva", acusou Rui Rio sobre as medidas de descongelamento das carreiras na função pública. O líder do PSD manifestou-se contra a proposta do governo para que os juízes tenham um ordenado superior ao primeiro-ministro.

"Não é politicamente correto, nem popular, mas é a minha convicção desde há muitos anos: na função pública o salário do Presidente da República deve ser o mais alto e ninguém deve ganhar mais que o primeiro-ministro. É um princípio que há muitos anos defendo", afirmou, salientando que esta sua posição não se limita aos magistrados.

Para o presidente do PSD, esta proposta para os magistrados é demonstrativa do que considera ser o princípio geral de atuação do governo na matéria de progressão de carreiras na administração pública.

"O governo está à deriva, a descongelar carreiras e não está a fazê-lo com equilíbrio", afirmou, à margem do lançamento do livro A Reforma das Finanças Públicas em Portugal, de Joaquim Miranda Sarmento, que era apresentado pelo ex-presidente da República, Cavaco Silva. O líder social-democrata atribuiu a discricionariedade no descongelamento das carreiras na função pública à proximidade das eleições, mas considerou-a uma "injustiça completa".

"O governo quer contentar todos por causa das eleições e depois de outubro logo se verá, o que quer é garantir que ganha eleições sem grandes convulsões sociais", criticou.

Rio foi mais retraído perante as perguntas dos jornalistas sobre o conteúdo do livro de Joaquim Miranda Sarmento, que é membro do Conselho Estratégico Nacional do PSD e porta-voz para a área das Finanças. Isto porque o professor universitário defende algumas medidas polémicas, como a reposição das 40 horas semanais na função pública, os 23% do IVA na restauração e até que os serviços do Estado passem a socorrer-se mais da Uber para as deslocações do que da frota pública.

"Tem liberdade de pensamento e terá vontade que o PSD abrace as suas ideias. Mas umas serão acolhidas, outras não", assegurou Rui Rio, sem querer comprometer-se com qualquer delas.