Reabastecedor Bérrio vai manter-se mais uma década no ativo

Urgência em substituir navio reabastecedor condicionada pelo prazo de construção do substituto. Este custará 150 milhões de euros.

A Marinha ainda vai fazer uma última operação de "manutenção profunda" ao navio reabastecedor Bérrio, superior a 10 milhões de euros, para prolongar a sua vida útil até 2028.

O porta-voz do ramo, comandante Pereira da Fonseca, explicou esta segunda-feira ao DN que essa operação vai iniciar-se em 2022 e demorar cerca de um ano. Renovar o interior dos tanques para manter sem impurezas o combustível a transferir e fazer a revisão das máquinas, do casco, dos geradores e outros equipamentos são algumas das medidas necessárias ao prolongar da atividade operacional daquele navio lançado à água há meio século (novembro de 1969).

O chefe do Estado-Maior da Marinha, que será ouvido terça-feira na Comissão parlamentar de Defesa sobre a revisão da Lei de Programação Militar (LPM) para os próximos 12 anos, afirmou há meses que substituir o Bérrio era a "segunda prioridade" do ramo - após a aquisição de mais patrulhas oceânicos novos.

Com a aprovação da nova LPM e a prioridade dada à intervenção da indústria portuguesa na aquisição e construção de novos equipamentos para as Forças Armadas, a construção do novo navio reabastecedor - previsivelmente nos estaleiros de Viana do Castelo - deverá iniciar-se apenas em 2025 e demorar três anos.

O valor global da reparação só poderá ser determinado depois de feita uma "inspeção técnica pormenorizada" ao navio, que permita "identificar o volume e a profundidade da intervenção". Agora, tendo em conta a natureza e dimensão do Bérrio.

Por isso, embora sendo prematuro avançar com um valor, o custo dessa operação poderá variará entre os 10 milhões e os 20 milhões de euros com base nos custos estimados para navio dessa natureza e dimensão, precisaram outras fontes do ramo.

"Espera-se que este novo reabastecedor esteja pronto em 2028", acrescentou o porta-voz da Marinha.

Até lá e durante o período de docagem do Bérrio, num estaleiro ainda por designar, a Marinha vai apoiar-se no "eventual apoio logístico" da NATO em caso de necessidade.

Questionado sobre o porquê de não manter esse apoio aliado por mais algum tempo, evitando investir mais de uma dezena de milhões de euros num navio em fim de vida útil, Pereira da Fonseca explicou que essa opção decorre de "não haver muitos reabastecedores" entre os países da NATO - e os que há estão normalmente em operação.

O Bérrio foi construído nos estaleiros ingleses Swan Hunter (próximo de Newcastle). Lançado à água a 11 de novembro de 1969, entrou oficialmente ao serviço da Marinha britânica em julho de 1970. Portugal comprou-o em 1993, a fim de substituir o São Gabriel.

Quanto ao futuro reabastecedor português, o investimento previsto é de 150 milhões de euros e isso "inclui o apoio logístico Integrado, material e equipamentos a serem fornecidos pelo Estado", precisou o porta-voz da Marinha. O início da sua construção está prevista para 2025, sendo o caderno de encargos preparado "com um ano de antecedência".

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