Maria Luís Albuquerque apoia Montenegro. "É a pessoa mais bem preparada"

Depois de Cavaco Silva ter defendido que é urgente mobilizar os militantes do PSD que se afastaram ou foram afastados, sinalizando Maria Luís Albuquerque, a ex-ministra das Finanças manifesta o seu apoio a Montenegro para liderar o partido.

"Luís Montenegro é a pessoa mais bem preparada para assumir o PSD e, mais à frente, a condução do país", afirma Maria Luís Albuquerque na edição deste sábado do Expresso. A ex-ministra das Finanças manifesta apoio à candidatura do antigo líder parlamentar à liderança do partido ao considerar que Montenegro irá transformar "o PSD numa efetiva alternativa ao PS".

Albuquerque foi um nome lançado por Cavaco Silva quando o antigo Presidente da República manifestou-se "triste" com o resultado do PSD nas eleições legislativas, tendo defendido ser urgente mobilizar os militantes que se afastaram ou foram afastados, sinalizando a ex-ministra.

O ex-chefe de Estado referiu-se a Albuquerque como sendo "uma das mulheres com maior capacidade de intervenção", que conheceu durante o tempo em que foi Presidente da República.

Com o apoio ao ex-líder parlamentar do PSD, Maria Luís Albuquerque desfaz as dúvidas sobre uma possível candidatura à liderança do partido, uma corrida que conta já com dois nomes e o silêncio do atual presidente social-democrata, que ainda não anunciou qual vai ser o seu futuro.

Rui Rio afirmou na noite eleitoral das legislativas - em que o PSD obteve 27,9% dos votos contra 36,6% do PS - que iria "ponderar" com serenidade a sua continuidade.

A 9 de outubro, Luís Montenegro anunciou a sua candidatura à liderança do PSD. Ao Jornal da Noite, na SIC, afirmou que o resultado do partido nas legislativas de 6 de outubro "foi mau". "Não tínhamos há 36 anos. É resultado de estratégia politica que falhou. Atendendo a isso, cada um de nós tem de assumir as suas responsabilidades. Sou candidato às próximas eleições diretas por coerência e convicção", afirmou.

E lançou um desafio ao atual líder social-democrata, "Acho que Rui Rio também devia ser candidato. Ele deve avaliar se deve ou não ser candidato para que o partido saia com mais pujança e assumir-se verdadeiramente como alternativa ao PS", disse.

Dois candidatos, o silêncio de Rio e diretas em janeiro

Na sexta-feira, a disputa pelo lugar de presidente do PSD ganhou um novo candidato. Miguel Pinto Luz anunciou que está na corrida pela rede social Facebook. "No PSD, sabemos quando perdemos. E, no dia 6 [de outubro], perdemos todos", afirmou no vídeo de apresentação da sua candidatura.

O atual vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais tornava-se, assim, o segundo candidato assumido para as eleições partidárias previstas para janeiro. Mesmo depois de, este ano, ter ficado de fora das listas de candidatos a deputados do partido.

Miguel Pinto Luz, ambiciona estar à frente de um "renascer do PSD", que acusa ser atualmente "um projeto socialista que asfixia os sonhos dos portugueses" e "limita a liberdade de escolha".

"Não é tempo para taticismos, não podemos esperar mais quatro anos. O meu nome é Miguel Pinto Luz e sou o vosso candidato à liderança do PSD", afirmou Miguel Pinto Luz. Na mesma mensagem, o social-democrata adianta encarar estas eleições como "uma oportunidade de reencontro com as verdadeiras aspirações dos portugueses". "O Futuro diz Presente" é o lema da sua campanha.

Com eleições diretas previstas para janeiro, se o calendário não for alterado, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz são, para já, os únicos a disputar a liderança do PSD, que nas legislativas obteve 27,76% dos votos contra 36,34% do PS, já a contar com o resultado dos quatro círculos eleitorais da Europa e Fora da Europa.

A publicação dos resultados finais está, no entanto, suspensa devido à reclamação que o PSD fez junto do Tribunal Constitucional sobre a contagem dos votos na emigração.

Em causa, no protesto do PSD, está o facto de vários votos vindos dos emigrantes portugueses no estrangeiro terem sido contabilizados como nulos, devido ao facto de o envelope correspondente a cada voto não se fazer acompanhar de cópia do Cartão do Cidadão. Os sociais-democratas querem que estes boletins sejam contabilizados na abstenção.